febre de traficar; viverei como um bom burguês; o meu amigo Germinal
ensinar-me-á o gamão; e nunca mais especularei, senão em sonhos.
--Pelo amor de Deus, murmurou o pai de Rosa, expliquem-me de que se
trata!... Que diabo está o senhor para aí a falar em erros, remorsos, e
património?... Que significa todo esse aranzel?...
--Significa, respondeu o aventureiro, que encontrei no meu caminho duas
virtudes raras, e tão raras que me converteram...
--E quais são essas virtudes?...
--O perdão das injúrias, disse Pedro, apertando a mão a André... e a
inteira probidade, acrescentou, estendendo a outra ao senhor Germinal.
Este esfregou desesperadamente o seu ferruginoso crânio.
--Tudo isso para mim é hebraico, replicou o pai de Rosa. A única coisa,
que pude coligir, foi que o senhor está milionário!...
--É verdade, meu bom amigo. A sorte favorece os doidos. Esse depósito
sagrado, pelo qual velou durante doze anos, como homem probo, que é,
arrisquei-o eu, sem reflectir, num lance de dados... Ganhei... Sou
portanto um grande especulador. Mas... se tivesse perdido?... Quando
penso nisso, sobe-me o coração à garganta, e sinto-me tremer como...
como o seu _Faust au sabbat_, André!... um quadro admirável! que, entre
parêntesis, possuo em Paris no meu palacete, e pelo qual me ofereceram
já o seu peso em oiro?
--De modo que, disse o pintor, o meu mercador de quadros entrava na
conspiração?... Traidor!...
--Ora!... e também a modista, para quem fazia flores a menina Rosa, os
criados desta casa, e até o pateta do Jacinto, antigo marinheiro, que eu
elevei à categoria de guarda-portão, e que hoje tomo a liberdade de
recomendar à sua benevolência.
--Oh! quanto a esse, disse Sauvain rindo, é possível que tentassem
inicia-lo no segredo, mas assevero-lhe que nada percebeu!
--Nem eu tão pouco, palavra de honra! replicou sinceramente o senhor
Germinal, e por isso... meto a viola no saco. Toque nestes ossos, meu
genro!
--Com mil vontades! exclamou alegremente o pintor, apertando nas mãos a
garra descarnada do pai da sua noiva. Estava escrito que, riqueza,
gloria e felicidade, tudo encontraria...
--NAS CINZAS, concluiu Pedro Toucard.
FIM
[1] Reunião de três números, cuja extracção simultânea era uma sorte
feliz.
[2] Hospital de alienados.
OBRAS PUBLICADAS
PELA
EMPRESA EDITORA CARVALHO & C.ª
TEATRO
Os sabichões--Comédia original em 4 actos, por E. Biester, 250
Ao calçar das luvas--Comédia original em 1 acto, por Rangel de Lima, 100
O afilhado de Pompignac--Comédia (tradução) em 4 actos, por L. C. M., 200
Um homem político--Comédia (imitação) em 3 actos por Aristides
Abranches, 200
O fidalguinho--Comédia original em 3 actos, por Ferreira de Mesquita, 200
Abençoado progresso--Comédia original em 1 acto, por Rangel de Lima, 100
As campainhas--Comédia (tradução) em 1 acto, por Pinheiro Chagas, 100
João o britador--Drama (tradução) em 5 actos, por L. C. M., 250
As três rocas de cristal--Mágica em 3 actos e 17 quadros, por Aristides
Abranches, 300
A família--Drama original em 5 actos, por J. R. Cordeiro, 300
Quem desdenha--Comédia original em 1 acto, por Pinheiro Chagas, 100
Caso de consciência--Comédia (tradução) em 1 acto, por Pinheiro Chagas, 100
Luís XI e o poeta--Comédia (tradução) em 1 acto Ferreira de Mesquita, 160
A mosca branca--Comédia (imitação) em 3 actos, por Duarte Santos, 200
A cruz de prata--Drama (tradução) em 5 actos, por L. C. M., 300
N. B. A quem comprar a colecção completa (15 peças) 40 por cento de
abatimento.
ROMANCES
As duas flores de sangue--Original, por Pinheiro Chagas (1 volume), 500
As doze espadas do diabo--Tradução de Guilherme Celestino (2 volumes), 800
Cláudio--Original, por Júlio César Machado (1 volume), 500
Nas cinzas--Tradução por L. C. M. (1 volume), 300
NO PRELO
Uma noite em Florença--Tradução de Guilherme Celestino (1 volume), 400
Remetem-se, francos de porte, a quem enviar a sua importância em
estampilhas ao escritório da empresa, rua larga de S. Roque, n.º 100,
1.º andar.
Imprensa Nacional--1875