Maria da Gloria, natural do Porto, edade sessenta e seis annos, estado
solteiro, profissão mendigo, morador que foi no Hospital de Cima de
Villa, dos Entrevados, falleceu de molestia não denominada pelas nove
horas da noute do dia vinte de maio de mil oitocentos cincoenta e nove;
depois de se lhe rezarem os responsos do costume foi sepultado pelas
oito horas da noute do dia vinte e um do dito mez n'este cemiterio
publico--Prado do Repouso--no canteiro numero tres, sepultura dois mil
trezentos e seis, de que se fez este termo que assigno com o reverendo
capellão. Eu Antonio José Antunes Barbosa, director, o subscrevi.
_Antonio José Antunes Barbosa_, director. _Francisco Alves da Soledade_,
capellão.
«Não contém mais o dito assento, ao qual me reporto. Porto e Cemiterio
do Prado do Repouso, nove de setembro de mil oitocentos setenta e tres.
«JOÃO JOSÉ DUARTE MACHADO.»
«Capellão director.»
FIM
[15] Em 1873.
INDICE
Prologo da 3.ª edição 5
I--O Desgraça 7
II--Na quinta das Chãs 10
III--Pomba que presente sangue 19
IV--Horrores da invasão 28
V--O juramento da vingança 38
VI--A mariposa do acampamento 47
VII--No hospital de sangue 55
VIII--O anjo da liberdade 63
IX--Entre a vingança e o amor 72
X--A hora do resgate 82
XI--O que a vivandeira pensava 90
XII--Amor e ciume 101
XIII--Como acaba a tragedia de Goethe 109
XIV--Quanto custa ser mãe 118
XV--A queda do gigante 127
XVI--Uma festa no Porto ha cincoenta e nove annos 136
XVII--Como madrugam as aves e os noivos! 146
XVIII--A lenda d'Ashaverus 155
XIX--A terra da promissão 165
XX--O manuscripto de Pietro 174
XXI--Epilogo 184