Na mão de Deus

(Á Ex.^{ma} Snr.^a Victoria de O. M.)

Na mão de Deus, na sua mão direita,

Descançou a final meu coração.

Do palacio encantado da Illusão

Desci a passo e passo a escada estreita.

Como as flores mortaes, com que se enfeita

A ignorancia infantil, despojo vão,

Depuz do Ideal e da Paixão

A forma transitoria e imperfeita.

Como criança, em lobrega jornada,

Que a mãe leva ao collo agasalhada

E atravessa, sorrindo vagamente,

Selvas, mares, areias do deserto...

Dorme o teu somno, coração liberto,

Dorme na não de Deus eternamente!

Os sonetos completos de Anthero de Quental · 第 128 / 130 题