VI

Só quem teme o Não-ser é que se assusta

Com teu vasto silencio mortuario,

Noite sem fim, espaço solitario,

Noite da Morte, tenebrosa e augusta...

Eu não: minh'alma humilde mas robusta

Entra crente em teu atrio funerario:

Para os mais és um vacuo cinerario,

A mim sorri-me a tua face adusta.

A mim seduz-me a paz santa e ineffavel

E o silencio sem par do Inalteravel,

Que envolve o eterno amor no eterno luto.

Talvez seja peccado procurar-te,

Mas não sonhar comtigo e adorar-te,

Não-ser, que és o Ser unico absoluto.

Os sonetos completos de Anthero de Quental · 第 115 / 130 题