II

Dorme entre os gelos, flor immaculada!

Lucta, pedindo um ultimo clarão

Aos soes que ruem pela immensidão,

Arrastando uma aureola apagada...

Em vão! Do abysmo a bocca escancarada

Chama por ti na gélida amplidão...

Sobe do poço eterno, em turbilhão,

A treva primitiva conglobada...

Tu morrerás tambem. Um ai supremo,

Na noite universal que envolve o mundo,

Ha-de ecchoar, e teu perfume extremo

No vacuo eterno se esvahirá disperso,

Como o alento final d'um moribundo,

Como o ultimo suspiro do Universo.

Os sonetos completos de Anthero de Quental · 第 95 / 130 题