Mors liberatrix

(A Bulhão Pato)

Na tua mão, sombrio cavalleiro,

Cavalleiro vestido de armas pretas,

Brilha uma espada feita de cometas,

Que rasga a escuridão como um luzeiro.

Caminhas no teu curso aventureiro,

Todo involto na noite que projectas...

Só o gladio de luz com fulvas betas

Emerge do sinistro nevoeiro.

--«Se esta espada que empunho é coruscante,

(Responde o negro cavalleiro-andante)

É porque esta é a espada da Verdade.

Firo, mas salvo... Prostro e desbarato,

Mas consólo... Subverto, mas resgato...

E, sendo a Morte, sou a Liberdade.»

Os sonetos completos de Anthero de Quental · 第 88 / 130 题