II

Mas o velho tyranno solitario,

De coração austero e endurecido,

Que um dia, de enjoado ou distrahido,

Deixou matar seu filho no Calvario,

Sorrio com rir extranho, ouvindo o vario

Tumultuoso côro e alarido

Do povo insipiente, que, atrevido,

Erguia a voz em grita ao seu sacrario:

«--Vanitas vanitatum! (disse). É certo

Que o homem vão medita mil mudanças,

Sem achar mais do que erro e desacerto.

Muito antes de nascerem vossos paes

D'um barro vil, ridiculas crianças,

Sabia em tudo isso... e muito mais!--»

Os sonetos completos de Anthero de Quental · 第 87 / 130 题