DESPONDENCY

Deixal-a ir, a ave, a quem roubaram

Ninho e filhos e tudo, sem piedade...

Que a leve o ar sem fim da soledade

Onde as azas partidas a levaram...

Deixal-a ir, a vela, que arrojaram

Os tufões pelo mar, na escuridade,

Quando a noite surgio da immensidade,

Quando os ventos do Sul levantaram...

Deixal-a ir, a alma lastimosa,

Que perdeu fé e paz e confiança,

Á morte queda, á morte silenciosa...

Deixal-a ir, a nota desprendida

D'um canto extremo... e a ultima esperança...

E a vida... e o amor... deixal-a ir, a vida!

Os sonetos completos de Anthero de Quental · 第 62 / 130 题