VISITA

Adornou o meu quarto a flor do cardo,

Perfumei-o de almiscar recendente;

Vesti-me com a purpura fulgente,

Ensaiando meus cantos, como um bardo;

Ungi as mãos e a face com o nardo

Crescido nos jardins do Oriente,

A receber com pompa, dignamente,

Mysteriosa visita a quem aguardo.

Mas que filha de reis, que anjo ou que fada

Era essa que assim a mim descia,

Do meu casebre á humida pousada?...

Nem princezas, nem fadas. Era, flor,

Era a tua lembrança que batia

Ás portas de ouro e luz do meu amor!

Os sonetos completos de Anthero de Quental · 第 42 / 130 题