AMOR VIVO

Amar! mas d'um amor que tenha vida...

Não sejam sempre timidos harpejos,

Não sejam só delirios e desejos

D'uma douda cabeça escandecida...

Amor que vive e brilhe! luz fundida

Que penetre o meu ser--e não só beijos

Dados no ar--delirios e desejos--

Mas amor... dos amores que têm vida...

Sim, vivo e quente! e já a luz do dia

Não virá dissipal-o nos meus braços

Como nevoa da vaga phantasia...

Nem murchará do sol á chama erguida...

Pois que podem os astros dos espaços

Contra debeis amores... se têm vida?

Os sonetos completos de Anthero de Quental · 第 41 / 130 题