Eia, ceifeiros! Começam a arroxear os pampanos e a loirejar as messes...
Vá de limpar a eira, e preparar a adega; de varrer o lagar e ventilar o
celeiro.
Ri no campo a conta amarella do milho, na vide o bago roxo da uva.
Foi Deus que da primavera ao outomno os preparou no mysterioso
laboratorio da terra.
A ambos deu côr, e fórma, e prestimo: no interior d'uma pôz o cereal que
ha-de ser pão; no interior do outro a gota que ha-de ser vinho.
E d'estas pequenas coisas vae sair a fartura, a abundancia, a alegria, a
festa, a riqueza!
Tão contingente é a felicidade do homem, que um sopro de vento póde
prostrar os milheiraes, e um insecto, tão pequeno como a uva, inutilisar
o cacho...
Mas se Deus vos protegeu o campo e o vinhedo, se loirejam n'um os
cabellos de Daphne, e no outro vergam os sarmentos com os pêsos côr da
amethista, vá de azafamar para a colheita, de afinar a viola do
descante, de phantasiar as alegrias da esfolhada, de escolher corpo
gentil onde caia o abraço do _milho-rei_.