AS COLHEITAS

Eia, ceifeiros! Começam a arroxear os pampanos e a loirejar as messes...

Vá de limpar a eira, e preparar a adega; de varrer o lagar e ventilar o

celeiro.

Ri no campo a conta amarella do milho, na vide o bago roxo da uva.

Foi Deus que da primavera ao outomno os preparou no mysterioso

laboratorio da terra.

A ambos deu côr, e fórma, e prestimo: no interior d'uma pôz o cereal que

ha-de ser pão; no interior do outro a gota que ha-de ser vinho.

E d'estas pequenas coisas vae sair a fartura, a abundancia, a alegria, a

festa, a riqueza!

Tão contingente é a felicidade do homem, que um sopro de vento póde

prostrar os milheiraes, e um insecto, tão pequeno como a uva, inutilisar

o cacho...

Mas se Deus vos protegeu o campo e o vinhedo, se loirejam n'um os

cabellos de Daphne, e no outro vergam os sarmentos com os pêsos côr da

amethista, vá de azafamar para a colheita, de afinar a viola do

descante, de phantasiar as alegrias da esfolhada, de escolher corpo

gentil onde caia o abraço do _milho-rei_.

Entre o caffé e o cognac · 第 48 / 64 题