RAYMUNDO (_entrando de chapéo na cabeça, com uma caixa na mão esquerda e
uma carta na mão direita. Ameaçador, tetrico_)--Sei tudo. Minha irmã
teve a feliz ideia de me deixar esta carta em casa do seu ourives, minha
senhora. Esteja tranquilla. Não será preciso que o sacrificio me seja
lição. Esta carta desvendou-me; chamou-me á realidade. O sorriso da
amante não vale o coração da esposa.
D.--O que?
R.--Oh! socegue! As pedras falsas inventou-as o homem para as falsas
mulheres. Mas estas, as que são realmente preciosas, creou-as a natureza
para as mulheres honestas. Adeus. Vou offerecer este collar a minha
mulher. (_Sae._)
D. (_cahindo fulminada no sophá_)--E os meus quinhentos mil reis! Ó
castigo! (_Cae o panno._)
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