DOLORES (_olhando para a porta_)--Bonita figura... a do homem! O amor dá
azas. Voará. Dentro em pouco estará aqui. O collar será meu.
Deital-o-hei ao pescoço. Mirar-me-hei ao espelho, e intimarei o snr.
Raymundo Savedra a que saia para nunca mais voltar. E depois um collar
d'um conto de reis não é caro por metade do preço. (_Chegando á
janella_) Já desappareceu. Não tardará. O caso é que estou impaciente
pelo desfecho d'esta pequena comedia. (_Tocando a campainha; ao criado_)
Já vieste ha muito? Ficou entregue? (_O criado bole affirmativamente a
cabeça_) Está bem; vae-te. Mal persintas o snr. Raymundo Savedra,
avisa-me. Não sei o que hei-de fazer! Ah! o meu piano! (_Senta-se
arpejando e monologando_) E dizerem que a felicidade é isto! Quantas
vezes m'o não teem dito! Se soubessem como estou aborrecida agora! E as
minhas canções! Vamos, Marcó, desafia-te a ti mesma; vence o teu proprio
fastio. Póde ser que venhas a amar um dia; entôa o teu cantico
d'esperança! Não, não posso! Que demora!