Ah, a sua patria! A sua desvairada patria!... O poeta imaginava
trazer-lhe legiões angelicas para a abençoarem d'infinitas bençãos, e
trazia-lhe apenas um bando de homens, muitos quasi santos, todos
denodados, e muitos outros fracos porque á intrepidez do braço não
correspondia a generosidade do animo. E o paladino ingenuo viu rebentar
d'esse mesmo sólo que a imaginação lhe cobrira de pomares umbrosos e
doces, paradisiacos, os fructos mortiferos de seivas envenenadas. A
furia das ambições agitadas, a desordem e o egoismo vilmente
triumphantes, o delirio das obsessões afogueiadas dos fanaticos, ondas
de impiedade céga e estupida, o fraco desprotegido contra o forte e a
victoria degenerando em ferocidade, o misero recalcado na miseria pela
cobiça infrene do opulento, a virtude insultada, o escarneo e o roubo,
tudo quanto ha de infimo nas perversões humanas, tudo o poeta viu
manchando o
«Berço do seu nascer, sólo querido,
Onde cresceu e amou e foi ditoso,
Onde a luz, onde o sol riem tão meigos
Seu pobre Portugal!................»