XVIII

Recostada e com a cabeça reclinada na parede, escutava Pélagué as

reflexões dos dois homens.

Tatiana levantou-se, olhou em roda, tornou a sentar-se. Com um brilho

metálico nas pupillas verdes, lançou olhares de desprezo aos dois.

--Vê-se que tem sido muito infeliz! disse de súbito, voltando-se para

Pélagué.

--É verdade!

--A senhora fala bem... As suas palavras vão direitas ao coração.

Quando a gente a escuta, pensa: «Meu Deus! quem pudesse vêr, ainda

que não fôsse senão uma vez, gente tão bôa, viver vida tão bella!»

Como vivemos nós, aqui? Como uns carneiros! Eu sei ler e escrever... e

leio livros... reflicto muito; ás vezes, tenho idéas que nem me deixam

dormir de noite. E qual é o resultado de tudo isto? Se não reflicto,

soffro, e soffro em vão; se reflicto, é a mesma coisa! De mais, tudo

é baldado! Assim, esta gente do campo: trabalham, esfalfavam-se por

amor d’um pedaço de pão... e nunca possuem nada!... E é isso o que os

irrita; entram a beber, a bater uns nos outros... e lá vão outra vez

para o trabalho. E o que se apura d’ahi? Nada.

Falava assim, deixando transparecer a ironia no olhar e na voz grave e

ampla, detendo-se por vezes, como para cortar as frases, tal a linha

com que estivesse costurando. Os homens nada objectaram.

O vento rufava nas vidraças, susurrava no colmo do tecto, e por

momentos, soprava em brandas lufadas pela chaminé. Uivava um cão. Raras

gottas de chuva vinham, como a custo, fustigar a janella. Oscillava a

luz do candieiro, empallidecia e recomeçava de subito a brilhar, viva e

igual.

--E aqui está para que vivem os homens! E é curioso: persuado-me de que

já sabia tudo isto! Todavia, nunca tinha ouvido nada parecido; nunca

tinha tido idéas d’este genero... nunca!

--Tratemos de cear, Tatiana, e de apagar o lume! interrompeu Stépane

com voz abatida e vagarosa. Essa gente ha de pensar: «Os Tchoumakof

tiveram o lume acceso até muito tarde!» Para nós, isso não teria

importancia, mas é por causa da nossa visita. Talvez seja imprudente...

A mulher logo se levantou, dando-se pressa em obedecer.

--É certo! confirmou Pedro, com um sorriso. É preciso ter cuidado,

agora! Quando se tiver feito nova distribuição do jornal...

--Não é por mim que falo, declarou Stépane, mesmo se me prenderem, a

desgraça não será grande! A vida d’um campónio nenhum valor tem.

Experimentou Pélagué súbita compaixão por aquelle homem. E era mais

viva do que pouco antes a sua simpatia por elle. Agora, que já tinha

falado, sentia-se desajoujada do peso ignobil dos acontecimentos d’esse

dia; sentia-se contente comsigo mesma e cheia d’um sentimento de

benevolencia.

--Não deve falar assim! disse ella. O homem nunca deve medir-se pelo

valor que lhe attribuem aquelles que só o julgam por apparencias

e d’elle só pretendem o sangue. Aprecie-se a si mesmo, na sua

consciencia, não para os seus inimigos, mas para os seus amigos!

--E onde estão esses amigos?! exclamou o camponez. Nunca os vi!

--Mas se eu te digo que ha amigos do povo!

--Haverá, mas não aqui; e essa é que é a desgraça! contestou Stépane,

pensativo.

--Pois bem! n’esse caso, é preciso que os criem.

Reflectiu o outro e respondeu em voz baixa:

--Sim... era o que se precisava.

--Vamos para a mesa! propôz Tatiana.

Durante a ceia, Pedro, a quem as exortações de Pélagué pareciam ter

preoccupado, voltou a falar com animação:

--Sabe, tiasinha? Olhe que é bom que se vá d’aqui cedo, para não ser

notada. Vá á aldeia proxima; não vá á cidade; e tome uma carruagem.

--Para quê? objectou o outro homem. Se eu próprio a levo comigo!

--Nada d’isso! Se acontecesse alguma coisa, não faltaria quem indagasse

se tinha passado a noite em tua casa...--«E para onde foi ella?»

--«Levei-a á aldeia próxima».--Ah, foste tu? Pois vaes para a

cadeia!...» Percebeste? E para que ha de a gente ter pressa de ir para

a cadeia? Cada coisa a seu tempo!... Mas se tu declarares que ella

dormiu cá em casa, que alugou carro e que tornou a ir-se embora, não te

pódem fazer nada. Ninguem é responsavel pelo que fazem os viajantes. Se

passam tantos cá pelo sitio!...

--Já aprendeste a ter medo, Pedro? perguntou Tatiana, irónica.

--É bom aprender de tudo! respondeu, dando uma punhada no joelho. É

bom saber ter coragem e é bom tambem saber ter medo! Lembras-te como

o escrivão lá do tribunal andou a incommodar e a perseguir o Baguanof

por causa d’aquelle periodico? Pois agora, o Baguanof nem por todo

o dinheiro do mundo tocaria sequer n’um d’esses papeis! Creia, bôa

mulher: para mim, é coisa facil imaginar bôas artimanhas; todos o

sabem cá no sitio. Sou capaz de distribuir livros e folhetos como

ninguem... tantos quantos quizer! A nossa gente é pouco instruida

e muito medrosa, é certo; todavia, a vida vae tão dura, que o homem

sempre se vê obrigado a abrir os olhos e a informar-se do que se passa.

E o livro responde-lhe francamente: «Muitas vezes, mais percebe o

ignorante do que o homem instruido... principalmente se o instruido fôr

um d’esses que abarrotam de fartura. Conheço bem o sitio e sei vêr com

olhos de vêr! Póde uma pessoa ir arranjando a vida, mas com esperteza

e muita habilidade, para não ir á forca logo d’uma assentada! As

autoridades tambem percebem que as coisas vão mudadas, que o camponez

anda sorumbático, pouco ri e é de poucas amabilidades... É que, em

geral, passava-se bem sem as taes autoridades!... Ainda ultimamente,

em Smoliakovo--um logarejosito perto d’aqui--vieram os homens para

cobrar uns impostos. Os camponezes então foram a correr buscar cacetes.

«Ah, bestas! Vocês revoltam-se contra o tzar!» gritou o commissário.

E estava lá um rústico, um chamado Spivakine, que respondeu: «Vá você

para o diabo com o seu tzar! Que vem a ser esse tzar que nos leva até á

ultima camisa do corpo?» Ora aqui tem em que as coisas param, tiasinha.

Escusado é dizer que o Spivakine foi preso e atirado para uma enxovia.

Mas ficaram as palavras d’elle, e até as crianças já as repetem.

Ficaram vivas, a bradar, essas palavras!

Nem comia: falava, falava sempre, em murmurio rapido; os olhos, pretos

e astuciosos, brilhavam-lhe, muito vivos. E importunava largamente

Pélagué com mil observaçõesinhas sobre a vida do sitio, como se

estivesse a despejar um sacco de moedas de cobre.

Por duas vezes lhe disse Stépane:

--Anda, come!

Elle agarrava n’um pedaço de pão, n’uma colher, e espraiava-se de novo

em considerações, falando, falando, como um pintasilgo a cantar.

Terminada a ceia, finalmente, levantou-se de brusco, declarando:

--É tempo de voltar para casa!

Approximou-se de Pélagué e saccudiu-lhe a mão:

--Adeus, tiasinha! Talvez nunca mais nos tornemos a ver... Sempre lhe

quero dizer que tive muito prazer em travar relações comsigo e em

ouvil-a falar... sim, senhora, muito prazer! Tem mais alguma coisa na

mala alem dos livros? Um chale de lã? Está muito bem... um chale de lã,

ouves, Stépane? Elle já lhe traz outra vez a sua mala. Vamos, Stépane!

Adeus! Passe bem!

Assim que os dois saíram, Tatiana tratou de preparar cama para a velha;

foi acima do fogão e ao sotão buscar umas roupas e dispôl-as sobre o

banco.

--É um rapaz desembaraçado! observou Pélagué.

A outra respondeu, interrompendo a tarefa para lhe lançar um olhar

furtivo:

--É muito leviano! Faz muita bulha, muita bulha, mas não passa d’ali!

--E seu marido? perguntou Pélagué.

--É um bom homem. Não bebe, e damo-nos muito bem. O unico defeito

d’elle é ser de caracter fraco.

Soergueu-se e proseguiu após um silencio:

--De que se precisa agora? De sublevar o povo, é claro! Todos pensam

n’isso... mas cada um para seu lado! E o que é necessário é que se fale

n’isso bem alto; é forçoso que appareça alguem decidido a fazel-o.

Sentou-se e perguntou sem transição:

--A senhora disse que até já ha meninas finas e ricas a tratarem d’este

negocio, e que vão fazer leituras politicas aos operários... E ellas

não teem medo? não sentem repugnancia?

E depois de ouvir attentamente a resposta de Pélagué, soltou profundo

suspiro e continuou, com as palpebras cerradas e movendo devagarinho a

cabeça:

--Já li uma vez n’um livro que a vida não faz sentido. O que isto

queria dizer percebi eu logo á primeira! Como se eu não soubesse o

que é essa vida: a gente tem umas idéas, mas umas idéas desapegadas

umas das outras, e que andam a vaguear como carneiros estúpidos sem

pastor... Vagueiam, vagueiam... E não ha nada, não ha ninguem que as

reuna... porque a gente não sabe o que ha de fazer para isso! Ora aqui

está o que é uma vida que não faz sentido! A minha vontade era fugir

para longe d’ella, sem mesmo olhar para traz!... Muito infeliz é a

gente quando começa a perceber um poucochinho!...

Esta magua, via-a Pélagué bem no brilho verde dos olhos da mulher,

n’aquelle rosto magro; ouvia-a vibrar n’aquella voz. Pretendeu

consolal-a, acalmal-a:

--Mas a minha querida amiga compreende o que é necessário fazer-se...

Tatiana interrompeu-a brandamente:

--Mas se o que se precisa é saber-se como fazel-o!... Tem a sua cama

pronta... deite-se!

E dirigiu-se para o fogão, grave e concentrada. Pélagué deitou-se sem

se despir. Tinha dôres nos ossos, quebrados de fadiga. Soltou um gemido

debil. Tatiana apagou o candieiro. E assim que as trevas reinaram

dentro da choupana, resoou novamente a sua voz grave e igual:

--A senhora não reza... Eu tambem não acredito em Deus nem em milagres.

Tudo isso foi inventado para nos metter medo, porque sabem que sômos

estupidos!

Pélagué, no seu leito improvisado, agitou-se, inquieta. Fitavam-na

pela janella as trevas infinitas e, por entre o silencio, attritos,

ruidos furtivos mal perceptiveis, perpassavam em torno. Com voz timida,

murmurou:

--Pelo que respeita a Deus, não sei que dizer... Mas creio em Jesus

Christo e creio nas suas palavras:

«Amar o proximo como a nós mesmos...» sim, eu creio n’isto!

E de súbito, exclamou, perplexa:

--Mas se Deus existe, porque nos abandonou? Porque não nos protege com

o seu poder misericordioso? Porque consente que a humanidade se divida

em duas castas? Porque consente o soffrimento humano, as torturas, as

humilhações, a maldade e as ferocidades de toda a especie?

Tatiana não respondeu. No escuro, Pélagué podia divisar-lhe o contorno

vago do perfil erecto, que se desenhava em cinzento, no fundo negro do

fogão. E assim se conservava, immovel. Muito angustiada, Pélagué cerrou

as palpebras.

De súbito, vibrou uma voz fria e dolorida:

--Nunca perdoarei a morte dos meus filhos! Nem a Deus nem aos homens!

Nunca!

A anciã sentou-se no leito, condoída da intensidade d’aquella paixão.

Lembrou com meiguice:

--A senhora é nova; ainda ha de ter filhos...

Apóz um silencio, a outra segredou:

--Não! O medico disse que nunca mais poderia têl-os.

Passou um rato a correr pelo chão. Um estalido secco e forte rasgou a

immobilidade do silencio, e de novo se ficaram ouvindo distinctamente

os mesmos attritos e o murmurio da chuva sobre o colmo, que, dir-se-ia,

dedos finos e trémulos acariciavam. As bategas caíam tristemente sobre

a terra e ritmavam o curso da longa noite d’outono.

Mergulhada em pesada somnolencia, Pélagué ouviu uns passos ecoarem

surdamente da parte de fóra e em seguida, no corredor. Abriu-se

devagarinho a porta, e ouviu-se uma exclamação abafada:

--Estás já deitada, Tatiana?

--Não.

--«Ella» está a dormir?

--Sim, parece-me que sim...

Brilhou uma claridade, que tremeluziu e logo se afogou nas trevas. O

campónio approximou-se do leito da velha e compôz a capa de pelles que

lhe cobria as pernas. Esta attenção impressionou profundamente Pélagué.

Fechou de novo os olhos e sorriu. Stépane, sem fazer bulha, despiu-se e

trepou para o sotão.

Pélagué, immovel, prestava attento ouvido ás variantes preguiçosas do

silencio somnolento.

Na sua frente, nas trevas, via desenhar-se o rosto ensanguentado de

Rybine.

Chegou-lhe então aos ouvidos um leve murmurio que vinha do sotão:

--Tu bem vês. Attenta n’essa gente que anda a trabalhar pelo bem de

todos! Gente idosa, até, e que passou por mil desgostos e depois de

moirejar toda uma vida! Chegou-lhes a sua occasião de descansar, mas

bem vês como se aproveitam d’ella!... E tu, Stépane, estás ainda novo,

és intelligente... e nada fazes!

Respondeu a voz grossa do homem:

--A gente não póde metter-se n’uma coisa d’essas sem pensar! Espera um

pouco, que aquella canção já eu conheço ha muito!

Sumiram se as vozes, mas depois recomeçaram. Dizia Stépane:

--Aqui está o que deve fazer-se: primeiro, é preciso falar com cada

homem em particular. Assim, por exemplo: com o Alécha Makof. É

instruido, valente e anda ha muito, zangado contra as autoridades.

Com o Sergio Chorine, tambem... É homem de juizo. Com o Kniazef, que

é honrado e homem decidido! E para começar é bastante!... Depois,

quando já tiver-mos um partidosinho, veremos... É preciso saber a

direcção d’esta mulher, para chegarmos á fala com a gente a quem ella

se referiu... Agarro no machado e vou-me de passeio até á cidade.

Se te perguntarem, dizes que fui ganhar uns cobres como rachador de

lenha. É bom tomarmos as nossas precauções. Tem a velha razão quando

diz que cada qual é que dá a si o seu proprio valor... E quando se

trata d’uma coisa d’estas, bom é que a gente dê a si grande preço, se

se quizer metter na coisa!... Olha aquelle campónio, aquelle Rybine!

Não era capaz de dobrar nem diante de Deus, quanto mais diante d’um

commissário!... Aguenta-se firme, como se estivesse enterrado no chão

até aos joelhos! E aquelle Nikita, an? Teve vergonha o homem!... E foi

milagre que tal succedesse... Ah! se o povo entra no movimento á uma,

muita gente ha de ir atraz d’elle!

--Pois sim! Vêem espancar um homem e ficam para ali, de braços cruzados!

--Não te exaltes, mulher! Olha, diz antes assim: «Deus seja louvado,

que não foram vocês mesmos que o tosaram!» Pois se elles tanta vez

obrigam o povo a bater nos presos! E o povo obedece! Lá no intimo,

talvez chore de compaixão, mas vae batendo!... Não se atrevem a

recusar-se áquella barbaridade, com medo de tambem apanharem para

baixo! Ha ordem para um homem ser o que quizer: um porco, um lobo...

mas não um homem--é proíbido! E quem desobedecer, livram-se logo d’elle

com a maior facilidade! Nada!... É preciso arranjar as coisas de fórma

a reunir muita gente e revoltar-se tudo ao mesmo tempo!

Discorreu ainda por largo espaço. Umas vezes, falava tão baixinho, que

Pélagué quasi não compreendia; outras, erguia a voz, grossa e sonora. A

mulher então recommendava:

--Devagar! Vaes accordal-a!

Adormeceu profundamente a anciã. Foi como uma nuvem de oppressão que o

somno se precipitou sobre ella, a envolveu e a arrebatou.

Despertou-a Tatiana quando a aurora, pardacenta, entrava a mirar com

gélidas pupillas as janellas da choupana. Por sobre a aldeia, no

silencio frio, a voz bronzea do sino planára e ia a morrer.

--Fiz-lhe uma gôta de chá; beba-o, se não logo no carro, vae ter frio.

Emquanto alisava as barbas desgrenhadas, Stépane, todo alvoraçado,

informava-se onde havia de procurar a sua hospede, na cidade. E parecia

a Pélagué o rosto do campónio mais definido, mais simpatico do que na

vespera. Ao tomar o chá, exclamou elle alegremente:

--Como tudo isto é singular!

O quê? perguntou Tatiana.

--Este nosso encontro. É coisa tão simples, afinal!...

--Na causa do povo tudo é d’uma simplicidade extraordinaria! disse

Pélagué pensativa e em tom de grande convicção.

Despediram-se então marido e mulher, sem gastar muitas palavras, antes

manifestando com mil cuidados e attenções, sincera sollicitude.

Já no carro, Pélagué pensava n’aquelle campónio e na sua maneira de

trabalhar com prudencia, como uma toupeira, sem ruido e sem descanso. E

continuava a ouvir a voz da mulher, descontente; revia o brilho secco

e febril dos seus grandes olhos verdes. Quantos annos vivesse, tantos

aquella paixão vingativa e feroz de mãe que chora os seus filhos, havia

de viver-lhe na memoria.

Lembrou-se depois de Rybine, do seu rosto, do seu sangue, d’aquelle

ardente olhar, das frases que lhe ouvira e, de novo, o coração

confrangeu-se-lhe no amargo sentimento da sua impotencia contra as

féras. E em todo o percurso até á cidade, viu de contínuo, desenhado no

fundo tristonho d’aquelle dia pardacento, o perfil robusto de Rybine,

com a sua barba preta, a camisa em farrapos, mãos amarradas nas costas,

os cabellos desgrenhados, a fisionomia illuminada pela colera e pela

fé na sua missão. Pensava tambem nas innumeraveis aldeias e logarejos

onde o povo esperava em segredo a vinda da propaganda de verdade; nos

milhares de creaturas que trabalhavam silenciosas toda a sua vida sem

saber porquê, sem uma esperança...

Quando reflectia no resultado da sua viagem, sentia no intimo um

contentamento meigo e irrequieto e decidia não mais pensar em Stépane

nem na mulher.

Avistou de longe os campanários e telhados da cidade, e grata sensação

lhe reanimou o espirito inquieto, e lh’o tranquillisou: desfilavam-lhe

pela memoria as fisionomias cheias de preoccupação de todos os que

dia a dia iam ateando o fogo sagrado do pensamento e o espalhavam em

scentelhas pelo mundo. E a alma d’aquella mãe transbordava da serena

ambição de dar a todas aquellas creaturas toda a energia e todo o seu

amor de mãe.

A Mãe · 第 52 / 66 题