Sá da Bandeira, e depois Marquez, e de outros não menos prestadios
cidadãos, figurou em Portugal como um dos maiores fautores da
Agricultura e das industrias nacionaes. Como Vereador, como Deputado,
como particular, empenhou-se toda a vida nos progressos publicos. Foi
uma geração notavel esta familia de homens bons, valentes, dedicados,
honestos, impetuosos para o bem. Castilho, amigo particular de todos
elles, apreciava-os no muito que valiam.
Pag. 91, =O Clero e as mulheres=.
Se jamais houve doutrina bem orthodoxa, e philosophica, e social, é
esta sobre o provimento dos Bispados e das Parochias, que eu expuz
e provei, mais pelo gosto de expôr e provar verdades, do que por me
persuadir que por ellas se havia de fazer obra. Em tal campo suppunha
eu impossivel achar adversarios; esquecia-me dos guerrilheiros.
Um periodico de S. Miguel chamado _O Cartista_, pôz-me ... supponho
que por impio. Um periodico de Lisboa (cuido que se chamava aquillo
_A União_) disse ao publico, sêcca e esparvoadamente, em ar de quem
lhe denunciava uma coisa medonha, que eu viera a S. Miguel pôr-me á
frente de valentões, para pugnarmos pela eleição popular dos Bispos.
Claro está que não respondi, nem pessoa alguma respondeu, á _União_ de
Lisboa, nem ao _Cartista_ de S. Miguel.
No Clero, consta-me que não faltaram contra mim murmurações; todavia,
não chegaram á suppuração da Imprensa. Com essas devia eu contar, e
contava. Se não houvesse clerigos indoutos e ruins, para honrarem com
o seu odio a minha proposta, tambem esta, por falta de materia prima,
teria deixado de existir.
Pelo que respeita á emancipação politica das mulheres, não só nenhum
homem me fez ecco, se não que todas quantas senhoras ouviram o alvitre,
fizeram côro contra elle. Esta sua opposição, parecendo provar muito
e muito em desabono da minha these, provou muitissimo a favor d’ella;
recusam o seu quinhão de liberdade, porque a não apreciam; e não a
apreciam, porque ainda a não provaram. O que muito sensatamente se
pode portanto jurar contra a innovação, é que veio antes do seu tempo
proprio, mil annos; quando menos, bons quinhentos.
Não importa. O que é chymera, algum dia será realidade, como infinitas
realidades de hoje algum dia hão-de ser chymeras.
O tempo é um grande Homero, que inventa de continuo; e o Mundo um poema
de metamorphoses. O que ás vezes faz com que os poetas terrestres
pareçam doidos a quem os ouve, é que no meio dos primeiros cantos
antecipam a leitura de algumas estancias pertencentes a cantos
ulteriores.
Pag. 125, lin. 20. =Assis Rodrigues=
Refere-se Castilho ao bom e perito artista Francisco de Assis
Rodrigues, Professor e por fim Director da Academia Real das Bellas
Artes de Lisboa. Foi discipulo de seu pae, o esculptor Faustino José
Rodrigues, amigo e alumno do grande Joaquim Machado de Castro. As
relações entre Castilho e Assis Rodrigues começaram na infancia, e
conservaram-se sempre cordeaes. Em 1836 o estatuario fez o busto do
Poeta.
Pag. 138, lin. 16. =Os Fastos de Ovidio=.
Projectou Castilho, segundo se vê, dedicar a sua traducção dos _Fastos_
a José do Canto; mas como entre esta data e a publicação da dita versão
elle lhe dedicou outras composições, não realisou o que tencionava em
1849.
Obras completas de A. F. de Castilho
3--=Cartas de Ecco e Narcizo=, verso.
4-5--=Felicidade pela agricultura=, 2 vols.
6-7--=A primavera=, verso, 2 vols.
8 a 15--=Vivos e mortos=, spreciações morais, literarias e artisticas,
8 vols.
19-20--=O presbyterio da montanha=, prosa, 2 vols.
21-22--=O outomno=, verso, 2 vols.
27-28--=Novas escavações poeticas=, verso, 2 vols.
29 a 32--=Theatro=, Camões, drama e notas, 4 vols.
33--=Theatro=, Canáce, tragedia original.
34--=Theatro=, Um anjo da pela do diabo--O casamento de oiro, comedias.
35--=Theatro=, Aristodemo, tragedia. A volta inesperada, farça.
36--=Theatro=, A festa do amor filial. A filha para casar, comedias.
37-38--=Palestras religiosas e consolações=, prosa e verso, 2 vols.
39 a 45--=Casos do meu tempo=, prosa. 7 vols.
46--=Estrelas poeticas para o ano de 1853=, verso.
47 a 50--=Télas literarias=, prosa, 4 vols.
51--=Os ciumes do bardo=, As flores, e a confissão de Amelia, verso.
52-53--=Mil e um misterios=, romance dos romances, 2 vols.
54--=A noite do castelo=, poema.
55--=Tributo portuguez á memoria do Libertador=, prosa.
58 a 60--=Novas télas literarias=, prosa e verso, 3 vols.
61 a 63--=Methodo Portuguez de Leitura.= Directorio do mesmo, 3 vols.
64-65--=Castilho pintado por êle proprio.= As escolas dos asilos de
Infancia desvalida, 2 vols.
66--=Felicidade pela instrução.=
67--=Ajuste de contas.=
68--=Noções rudimentares para uso das escolas=, 2 vols.
70 e 72--=Resposta aos novissimos impugnadores do Methodo portuguez=,
3 vols.
73 a 75--=Tratado de Mnemónica=, 3 vols.
76--=Ou eu ou eles=, e Tosquia de um camelo.
77 a 80--=Cartas=, 4 vols.
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