A SITUAÇÃO
POLITICA
Conferência realizada
no Salão Nobre da Liga Naval Portuguesa,
na noite de 26 Fevereiro de 1918
1918
LIVRARIA FERREIRA
FERREIRA Lda., Editores
_132, 134, Rua Áurea, 136, 138_
LISBOA
_A Revolução de 5 de Dezembro encontrou a sua sanção legal nas eleições
gerais de 28 de Abril do corrente ano. Não tiveram essas eleições o
carácter plebiscitário, nem visaram a resolução do que continuo
chamando, cada vez com mais fortes razões, o Equívoco Nacional: foram,
sim, a consagração do principio da Ordem, encarnado, pessoalmente, no
sr. Sidónio Pais. Dar um outro significado a essas eleições é afirmar
uma deplorável má-fé ou uma lastimável ignorância da psicologia
nacional. As palavras da nossa conferencia que hoje se publica não
perderam da sua virtual oportunidade. O sr. Sidónio Pais tem ao seu lado
a Nação inteira, enquanto representar o principio da Ordem. É a sua
pessoa que nos dá garantias de que esse principio é respeitado:
constatar isto, é reconhecer os inabaláveis sentimentos conservadores da
Nação. E como o regímen republicano que é diferente da pessoa do sr.
Sidónio Pais, não merece confiança à Nação, esta, nas eleições de 28 de
Abril, manifestando-se como se manifestou, deu provas evidentes do seu
sentir monárquico, cercando os deputados e senadores monárquicos de uma
votação bem significativa._
_A situação política só se esclarecerá definitivamente no dia em que a
Nação puder responder livremente à pergunta que se lhe faça sobre as
instituições políticas que prefere. Por ora, sabemos isto apenas: a
Nação é conservadora, e aclama quem lhe garantir, eficazmente e
honradamente, o principio da Autoridade. Nada mais._
_10 de Maio de 1918._
SR. PRESIDENTE!
MINHAS SENHORAS!
MEUS SENHORES!
Escolhi para assunto desta conferencia a situação política, porque,
contrariamente ao que pensa o maior numero das pessoas, entendo que a
situação política em Portugal, longe de se ter esclarecido, está a
tornar-se cada vez mais confusa; e entendo também que todos aqueles que
têm responsabilidades mentais e podem contribuir de alguma maneira para
orientar a opinião pública, devem vir às tribunas das conferencias dizer
da sua razão. Não bastam os artigos dos jornais e as notas oficiosas do
governo para se compreender a situação, e a apresentar à opinião
pública como ela deve ser apresentada.
É preciso, pois, repito, que aqueles que tem o orgulho legítimo ou a
vaidade, se quiserem, de pensar por si próprios, e não pela cabeça dos
outros, venham, junto da opinião pública, ilustrá-la, oriental-a e
indicar-lhe o caminho que deve ser seguido.