*Eucalyptus macrorryncha.*--Na verdade, os livros não mentiram onde

dizem que o _Eucalyptus macrorryncha_ é maravilha para medrar em

terrenos pobres. Vejo-o crescer um metro em terras miseraveis, emquanto

os pinheiros a par crescem um palmo. A madeira é boa e a casca

aproveitavel para cobertura de choupanas e curraes, podendo em

semelhante uso durar cerca de 20 annos. Mas... um terrivel mas o

persegue; é um _stringybark_, parente proximo do _Eucalyptus

capitellata_ e não muito distante do _Eucalyptus obliqua_, e, como

elles, sujeito a morrer da estiagem, o que aliás todas estas especies já

ampla e praticamente me provaram nas minhas experiencias.

*Eucalyptus maculata.*--Visinho do _Eucalyptus citriodora_, e de menos

confiança do que este. Não teremos que discutir-lhe qualidades da

madeira, quando em materia de clima é de todo esquivo. Exemplares

magnificos, com mais de 5 metros de altura, gelaram até ao colo da raiz

desde que sentiram um inverno rigoroso. Depois d'isso, rebentam e

crescem; mas, quando de novo vem um inverno em que a geada abunda,

voltam á primeira fórma, ao rez-do-chão.

*Eucalyptus Maideni.*--Uma variedade do _Eucalyptus globulus_,

annunciada como de mais vigor... onde o terreno fôr de primeira ordem,

acrescentarei eu. Nos outros, nos terrenos mediocres, parece-me mesmo

muito menos robusto do que o _Eucalyptus globulus_.

*Eucalyptus marginata.*--Da Australia Occidental. Casca persistente;

altura mediana, 30 metros, de ordinario, indo, por excepção, até 45.

É o famoso _Jarrah_ dos australianos. Originario das terras humidas,

parece um pouco mais indifferente á situação e ao sólo do que outras

especies congeneres; mas foge dos logares quentes e sêccos. O seu maior

desenvolvimento é nos sitios que recebem humidade do mar.

Na opinião unanime de britanicos, silvicultores, engenheiros e homens

práticos, o _Jarrah_ é de uma robustez verdadeiramente sem igual.

Exposta ao ar ou submergida, ao sol, á chuva ou debaixo da terra, a sua

madeira apparece intacta, ao fim de uma prova de cincoenta annos. Como

foi usada desde a fundação da colonia da Australia Occidental, em 1829,

encontram-se exemplos numerosos a demonstrar a sua duração inexcedivel.

Em certas circumstancias, essa duração excede a do ferro. Para

construcções navaes está a par ou muito proxima da teca, e é

invulneravel ao teredo e ás termitas; os barcos d'essa madeira dispensam

cobertura de cobre. Além d'isso, é uma das madeiras menos inflammaveis,

qualidade muito de apreciar onde se usarem construcções de madeira, e,

por certo, em virtude d'essa mesma qualidade, dá excellente carvão. A

madeira das planicies arenosas á beira do mar é de qualidade inferior; a

melhor é a que se cria nos terrenos montanhosos, particularmente a dos

terrenos ferruginosos e dos graniticos--do que, confiadamente o lembro,

o nosso Minho deve tomar boa nota para seu uso. Não faltam lá nem

terrenos frescos, nem montes, nem granitos, nem a frescura maritima que

frequentemente alcança até ás maiores alturas das serras entre o Mondego

e Minho.

Nas minhas experiencias, comecei por ser infeliz com esta especie;

nasceu mal, soffreu muitas baixas na primeira transplantação, e cresceu

muito devagar na plantação definitiva. Mas insisti, e com a boa fortuna

mudei de ideias. O melhor exemplar que possuo, em terreno mediocre e

algo sêcco, tem hoje 16 annos e mede 75 centimetros de circumferencia,

um metro acima do sólo. Os outros que plantei em terreno aliás bem pobre

e alto, assás exposto ao norte, vão devagar, é certo, mas sadios, com

lindas hastes aprumadas.

Tudo o que, bem considerado, e acrescentando-lhe ainda que a madeira do

_Eucalyptus marginata_ é mais docil á ferramenta do que as madeiras de

outras especies de _Eucalyptos_, posto que menos forte seja em

resistencia ás pressões--tudo o que me leva a crêr que temos todo o

interesse em plantar o _Eucalyptus marginata_ onde lhe acharmos

condições proprias. A riqueza das suas qualidades colloca-o em logar

privilegiado e a marcenaria rural tem alli uma grande esperança de

moveis seguros, bellos e duradouros.

O _Eucalyptus marginata_ é um dos _Eucalyptos_ que com mais facilidade

se propaga expontaneamente. Tenho isso por um signal de vigor e

tendencia a acclimação. Como processo de reproducção, a ninguem o

aconselharia. Os _Eucalyptos_ nascidos expontaneamente crescem sempre

muito devagar, quando crescem. A cova e o esboroamento da gleba é um

começo de vida essencial n'esta cultura.

*Eucalyptus megacarpa.*--Pequeno, crescendo devagar, e de duvidosa

qualidade de madeira. Não ha que perder tempo com elle.

*Eucalyptus melanophloia.*--Boa madeira, segundo o Barão de Mueller. Mas

não é para as nossas terras, onde vegeta mal. Assáz o experimentei para

não pensar mais n'elle.

*Eucalyptus melliodora.*--Um _box-tree_, e tanto lhe basta para carta de

admissão; d'esta cathegoria todos são bons e proprios para as nossas

terras.

Da colonia de Victoria e Nova Galles do Sul, onde apparece

principalmente nos outeiros, não subindo, porém, a grandes elevações.

Arvore mediana, chega, por excepção, a 70 metros, com um diametro

superior a dois metros na base. Madeira amarellada, extremamente rija

depois de sêcca, duradoura e pezada, d'uma flexibilidade notavel, mas,

em regra, difficil de obrar e fender. Na textura, muito semelhante ao

_Eucalyptus rostrata_. Não convém para cortar em pranchas, por

apresentar frequentemente largas fendas perpendiculares entre as

camadas. Excellente combustivel. Na Australia vive em terras pobres e é

de crescimento lento.

Naudin diz:--«Conhece-se facilmente ao longe, pelos ramos longos,

delgados e pendentes, que lhe dão certa semelhança com o chorão.

Abundante de folhagem e flôres, recommenda-se como arvore decorativa.»

Sahut julga-o «muito resistente e interessante pelos ramos pendentes e

pelas flôres odoriferas que as abelhas procuram avidamente».

Merece propagar-se; é manifesto. Sempre se me mostrou resistente, até

mesmo em situações ardentes e em terrenos com larga dose de argila.

E convenço-me de que não ficaria mal á beira das estradas e em volta da

casa dos nossos vinhateiros. Tem belleza, vigor e utilidade que o abonem

para isso.

*Eucalyptus microcorys.*--Não devemos contar com elle. A madeira é

excellente; mas pressente a geada, quando nós ainda mal a enxergamos.

Macclatchie acha-o «proprio para as regiões humidas semitropicaes.» E

assim deve ser, porque é um _stringybark_, ávido de humidade por

conseguinte.

Apezar d'isto, tenho d'este _Eucalypto_ alguns exemplares bem

desenvolvidos n'uma encosta ao sul, abrigados entre pinheiros.

*Eucalyptus microphylla.*--O catalogo de Vilmorin, de cuja casa me veio

a semente, indica o _Eucalyptus microphylla_, ou _stricta_, como uma

variedade dos _Iron-bark_ (casca de ferro) que chega a attingir 40

metros de altura, e dando boa madeira e um combustivel de primeira

qualidade. Os exemplares provenientes d'essas sementes confirmaram a

informação. Porém, a _Eucalyptographia_ do Barão de Mueller acceitando a

synonimia do _Eucalyptus microphylla_ e do _Eucalyptus stricta_, quando

este ultimo descreve, não condiz no resto com a noticia de Vilmorin.

Pela minha parte, direi que os _Eucalyptos_ que tenho sob a designação

de _microphylla_ são _Iron-bark_, por certo de excellente madeira, como

todos os d'essa classe, com um desenvolvimento a par do _Eucalyptus

crebra_, ao qual o juntaria para todos os effeitos. Desconfio que o

_Eucalyptus microphylla_ da minha collecção será o _Eucalyptus

paniculata_.

*Eucalyptus microtheca.*--Nas minhas mãos negou toda a fama com que da

Australia passou para a Europa. Invariavelmente ficou rachitico, embora

lhe houvesse offerecido logar não de todo agreste. Segundo lia,

supportava temperaturas minimas de perto de 8° centigrados abaixo de 0°

e maximas de mais de 50°; encontrar-se-hia nas regiões mais áridas da

Australia e já se desenvolvia admiravelmente na França e na Argelia.

Nada d'isto encontrei. Dou-me por desenganado, de tal fórma que não

reincidirei na tentativa.

*Eucalyptus Mulleri.*--Não me afoita, posto que d'elle possua exemplares

bonitos. Ha duvidas quanto á excellencia da madeira; e não será especie

tão firmemente caracterisada, que esteja isenta do risco de variar na

reproducção. Muitos o poderão substituir com segurança e vantagem.

*Eucalyptus obliqua.*--É o _Eucalyptus gigantea_ da classificação de J.

Hooker, e foi a especie que primeiro se conheceu e sobre a qual

l'Héritier fundou este genero. Frequente na Tasmania, isso basta para

estabelecer probabilidades de adaptação ao nosso clima. Em regra, são as

especies de _Eucalyptos_ d'essa latitude aquellas em que mais

seguramente podemos confiar.

Mueller descreveu o _Eucalyptus obliqua_ como arvore muito aprumada, de

crescimento rapido, chegando a uma altura de noventa metros, embora

floresça muito nova, e encontrando-se em elevações medianas, «não

alpestres.» Casca persistente, muito fibrosa, ardendo facilmente, macia

e fragil. «É uma das mais importantes de todas as arvores da Australia

pela sua grande abundancia e tambem pela facilidade com que a madeira se

presta a diverso trabalho.» Serve para construcções, travessas de

caminho de ferro e vedações, e para isso é muito usada, mas «apodrece

depressa, quando enterrada.» A casca emprega-se em larga escala para

cobertura de edificações ruraes primitivas, e convém tambem para o

fabrico de papel, quer ordinario, de empacotamento, quer de impressão, e

até de escrever.

Cultivo esta especie ha dezesete annos; d'ella tenho muitos exemplares

bons e um esplendido, possuindo todas as qualidades que Mueller lhe

attribue. Todavia, não a aconselho.

O _Eucalyptus obliqua_ é nas minhas plantações a especie que com o

_Eucalyptus rostrata_ me tem atraiçoado maior numero de vezes. Morre

facilmente com as estiagens; exemplares de oito metros de altura e

outros tantos annos de prosperidade seccaram com o calor, plantados

entre muitas outras especies que todas o supportaram e resistiram. Já

não téem conta os que perdi por este motivo, mesmo quando pela estatura

a que haviam chegado era de esperar que estivessem para afrontar todos

os rigores do sol e do frio.

O _Eucalyptus obliqua_ só é aproveitavel em terrenos frescos, e para

terrenos frescos não faltam especies de superior madeira que lhe devem

ser preferidas.

Note-se--pertence este _Eucalypto_ ao grupo dos que na Australia chamam

_stringybark_, isto é, de casca encordoada, e tenho como regra, por

effeito de dilatada experiencia, que todos os _Eucalyptos_ d'esse grupo,

alguns dos quaes vegetam em terrenos pobrissimos, carecem de humidade na

terra. Se não a encontram, facilmente morrem, apenas se acham expostos a

quatro ou cinco dias consecutivos de calor mais forte. Todos elles

enganam, e com tanto maior risco, para quem os planta, quanto é certo

que não raro a sua fraqueza só se mostra e nos surprehende ao fim de

alguns annos de plantação.

*Eucalyptus obtusiflora.*--Uma variedade do _Eucalyptus obliqua_,

segundo creio, partilhando, por isso, de todo o seu bem e de todo o seu

mal, e não mostrando qualquer superioridade sobre este ultimo nos

exemplares que tenho plantado.

*Eucalyptus occidentalis.*--D'este, aliás gabado pela qualidade da

madeira, repetirei o que d'outros tenho dito:--Na minha mão, nunca deu

nada que prestasse. Supponho que sente frio; Macclatchie nota que elle

soffre com temperaturas de 4° centigrados abaixo de zero, e em terras

portuguezas fica muito sujeito a essas inclemencias para poder

prosperar.

*Eucalyptus paniculata.*--Se é o que tenho com o rotulo de _Eucalyptus

microphylla_, estamos bem. Vai a par do _Eucalyptus crebra_ e não será

desacerto semeial-o e plantal-o de mistura com este. Mas os exemplares

authenticos que tenho d'esta especie estão apenas de 4 annos, tempo

insufficiente para ajuizar da sua resistencia.

Por emquanto, mostram-se viçosos e crescem regularmente. Teme as

estiagens, segundo os livros estrangeiros indicam, e, por conseguinte,

convém pensar n'isto ao plantal-o e guardar-lhe alguma quebrada mais

fresca. Da qualidade da madeira é que não ha duvida; é um _Iron-bark_

(casca de ferro), e isso por si o garante.

*Eucalyptus pilularis.*--Não virá mal a ninguem, se fôr plantando alguns

exemplares d'este _Eucalypto_ onde houver bom terreno e clima dôce,

porque é menos resistente do que o _Eucalyptus globulus_, cresce mais

devagar e teme sobretudo a mingua de frescura, que o desterra dos valles

e outeiros do interior. Tanto na opinião do Barão de Mueller, como na de

Maiden, dá madeira de superior qualidade em todas as suas variedades.

Macclatchie diz: «Este é considerado como produzindo uma das melhores

madeiras entre todas as de qualquer outra especie de _Eucalypto_. De

postes de vedações d'esta madeira se conta que duraram mais de 20 annos.

Excellente como productor de mel, dizendo-se que o mel que d'elle provém

é de uma qualidade especialmente boa.» E deu-me já bons exemplares.

*Eucalyptus Planchoniana.*--Vão vivendo, sadios, mas acanhados no

crescer, os exemplares que tenho d'esta especie. E, por isso, e porque a

vejo indicada para regiões sêccas, livres de geada, a ninguem darei de

conselho que se aventure a plantal-a, tanto mais que a madeira é boa,

mas não superior á de outras especies que pódem bem com os rigores do

nosso clima.

*Eucalyptus platypus.*--Synonimo de _Eucalyptus obcordata_, e apontado

como planta decorativa. É, a meu vêr, um engano, como o _Eucalyptus

erythronema_. As flôres, tambem vermelhas, téem alguma graça; mas a

planta é de tão misero aspecto, que a limitada belleza da flôr não

compensa o desgosto da presença durante todo o anno de uma vida

semi-tysica.

*Eucalyptus pleurocarpa.*--Um arbusto que é bom lembrar, como os outros

_Eucalyptos_ arbustivos, para que, por equivoco, não gastemos tempo e

dinheiro a experimental-o.

*Eucalyptus polyanthema.*--Preciosa arvore que eu desejaria vêr

disseminada pelas nossas mattas; tem todas as condições para isso. O

Barão de Mueller encontrou-a na Australia nos «outeiros e cumiadas

sêccas»; acha-a «inexcedivel» como combustivel, e mais forte na madeira

do que o carvalho e o freixo; nas suas affinidades especificas o

_Eucalyptus polyanthema_ estaria muito proximo do _Eucalyptus

melliodora_, acontecendo todavia que «ambos se encontram nos mesmos

logares, promiscuamente, e cada um parece manter nas mesmas

circumstancias de sólo e clima as suas caracteristicas distinctivas;

mas, em geral, o _Eucalyptus polyanthema_ prefere mais o cimo das

elevações, emquanto o _Eucalyptus melliodora_ desce antes para as terras

mais ricas dos valles.» E, pelo seu lado, Macclatchie diz «que esta

especie prospéra em grande diversidade de condições climatericas,

crescendo na costa e proximo da costa, nos outeiros, na encosta dos

montes e nos valles sêccos e quentes do interior.» «É uma das especies

experimentadas na Estação Agricola das proximidades de Phoenix, que

inteiramente passa incolume, quer com as geadas do inverno, quer com o

calor do estio.» Além d'isso, «pela profusão de flôres, vindo n'um tempo

em que as fontes de mel são restrictas, é uma arvore util para pasto das

abelhas.»

Muitos exemplares d'esta especie tenho plantado, e em variadissimas

situações, e todos, sem excepção, confirmam as virtudes que os

silvicultores da Australia e da America lhe attribuem. Dos _Box-tree_

(arvore do buxo), a cuja classe pertence, seria, juntamente com o

_Eucalyptus melliodora_, aquelle _Eucalypto_, que eu preferiria para os

terrenos sêccos. Mas, advirta-se, não é para os apressados ou

impacientes; cresce devagar, o melhor exemplar que eu tenho, está agora

com 17 annos de plantação e 50 centimetros de circumferencia. Nem tão

pouco será para os descuidados; facilmente rasteja e entorta; é

necessario visital-o, podal-o e guial-o com arte. Tudo merece; a

robustez da madeira e a resistencia ás intemperies e a toda a violencia

climaterica pagarão anchamente a paciencia e zelo que na cultura

empregarmos.

*Eucalyptus pulverulenta.*--A custo o distingo do _Eucalyptus cordata_,

sendo certo que os botanicos lhe acham differenças apreciaveis. Creio

que economicamente não vale mais nem menos do que o _Eucalyptus

cordata_, e o reduzido logar que occupa nos livros dos auctores

estrangeiros fortalece-me n'este juizo.

*Eucalyptus punctata.*--Aqui ponho um ponto de interrogação e boas

esperanças. De madeira magnifica, crescimento rapido e modesta exigencia

quanto a fertilidade do terreno, o _Eucalyptus punctata_ não dispensaria

a frescura das regiões costeiras, e não se sujeitaria á seccura das

regiões do interior. O certo é que os exemplares que plantei ha quatro

annos, estão lindissimos, com lançamentos pujantes e ramificação

abundante; e um outro exemplar mais antigo tem já um bello tronco.

Serão, porém, necessarios mais alguns annos para uma conclusão prática

fundada.

Entretanto, não será erro propagal-o nas localidades menos

desfavorecidas. Outros indicados como mais melindrosos considero eu já

absolutamente proprios para as nossas terras.

*Eucalyptus Raveretiana.*--Aconselhado para climas tropicaes humidos. E

assim deverá ser, porque na minha collecção morreu das geadas, logo no

primeiro anno.

*Eucalyptus redunca.*--Este foi tambem dos que viveu sómente emquanto a

geada não lhe tocou.

*Eucalyptus regnans.*--Uma variedade do _Eucalyptus amygdalina_, de mais

rapido crescimento, maior estatura e melhor madeira--o que tudo creio

ser verdade, onde o terreno fôr bom e não faltar a frescura. Sem isto,

cada estio será para elle uma doença grave, e para o proprietario o

risco da perda de uma arvore muitas vezes já crescida. Foi o que por

experiencia verifiquei, d'ahi resultando que o risquei do rol dos que

reputo proprios para povoar as nossas encostas. Quando muito, servirá

para as terras profundas dos valles, e para estas não faltam especies

infinitamente mais meritorias pela qualidade da madeira.

*Eucalyptus resinifera.*--Este foi dos poucos que me deu muito mais do

que promettia. Annunciado como proprio para as regiões tropicaes,

planteio-o a medo, sempre á espera de um inverno que o matasse. Afinal,

os invernos vão correndo e um exemplar plantado em 1903 tem agora 90

centimetros de circumferencia.

Todavia, não seja isto razão bastante para que deixe de observar a regra

quem tiver de o plantar; parta do principio que não deverá expôl-o a

frios muito severos, nem tão pouco a temperaturas muito elevadas, n'uma

atmosphera sêcca. Guarde-lhe sitio ameno.

Merece-o. Porque a madeira é «esplendida e tão duradoura como qualquer

dos _Iron-bark_», segundo um botanico que estudou a flora australiana e

é citado para este effeito pelo Barão de Mueller--o que Maiden confirma,

dizendo por sua vez:--«É esta uma das madeiras rijas de mais valor da

Nova Galles do Sul. De um vermelho intenso, muito se assemelha no

aspecto ao mogno verdadeiro. É grande madeira para moveis onde o peso

não fôr obstaculo... Uma das mais duradouras madeiras que nós temos,

altamente resistente á humidade e ao ataque da formiga branca.»

Junte-se a isto que o _Eucalyptus resinifera_ é com o _Eucalyptus

goniocalyx_ um dos poucos que não torce nem fende expontaneamente ao

seccar; relembre-se a rapidez do seu desenvolvimento; e teremos quanto

baste para lhe reservar bom logar na silvicultura nacional e não

perdermos ensejo de o aproveitar.

*Eucalyptus Risdoni.*--Segundo todas as probabilidades, será uma

variedade ou fórma erradia do _Eucalyptus amygdalina_, mas ainda aqui,

como com todas as demais derivações ou aberrações do _Eucalyptus

amygdalina_, eu preferiria á extravagante a especie typo. Obtive bons

exemplares do _Eucalyptus Risdoni_; tenho mesmo um, das plantações de

1902, com 1m,80 de circumferencia. É magnifico. Mas vinga com muito

menos facilidade do que o _Eucalyptus amygdalina_ nos primeiros tempos,

é talvez mais exigente em humidade do que este ultimo, tem accentuada

tendencia a ramificar em fórmas arbustivas e torna-se necessario

guial-o, se pretendemos criar troncos direitos, e, finalmente, não sei

de qualidade alguma singular que lhe distinga a madeira e por esse facto

recommende em especial a sua cultura.

*Eucalyptus robusta.*--Segundo o Barão de Mueller, «como arvore para

lenha e para madeira que não demande grande resistencia, o _Eucalyptus

robusta_ é evidentemente mais importante do que até aqui se suppunha,

especialmente quando consideramos a faculdade de se adaptar aos brejos e

ás localidades apauladas--as quaes convém sómente a uma muito limitada

classe de plantas florestaes; mas este _Eucalypto_ parece requerer para

seu superior desenvolvimento o accesso do ar do mar.» No _Diccionario

das Plantas Uteis_, diz mais este mesmo illustre mestre que o

_Eucalyptus robusta_ «resiste aos cyclones melhor do que as outras

especies.» Na qualidade da madeira, que é avermelhada, ha a considerar

que é quebradiça, difficil de rachar e, por isso, pouco querida dos

carpinteiros; porém duradoura debaixo da terra, o que, por certo, lhe

dará valor nos telegraphos, nos caminhos de ferro e entre lavradores que

procurem estacaria.

Tambem encontro o _Eucalyptus robusta_ aconselhado para ensombrar

avenidas--no que porei os meus reparos. Nos primeiros annos é realmente

bello, com a sua folhagem larga e ramagem espessa. Mas, quando Deus

quer, foge para as alturas, despojando-se espontaneamente dos ramos

inferiores e deixando a estrada assás desprotegida.

Rebenta muito bem, quando cortado, e dá feixes de lançamentos lindos e

pujantes.

Plantei muitos exemplares d'esta especie e, pelo seu exame, tenho por

certo que é o melhor para as proximidades do mar. Onde o ar fôr sêcco,

não se canse ninguem a plantal-o.

*Eucalyptus rostrata.*--Foi com este que fabriquei os meus maiores

desastres. Devo-lhe as manchas de maior miseria das minhas plantações,

tanto mais sensiveis quanto maior foi a largueza com que o disseminei,

incitado pelo elogio caloroso que de outras terras o acompanhava. Grande

culpa, na verdade; nada d'isso me aconteceria, se houvesse lido com

attenção o livro de Sahut, onde diz: «O _Eucalyptus rostrata_ é muito

resistente, supportando grandes calores e frios devéras rigorosos,

segundo os logares em que se encontra. O crescimento é rapido; mas, em

contrario do _Eucalyptus resinifera_, gosta de _terras ferteis_ e da

borda da agua, e resiste muito menos do que este á estiagem.» O

sublinhado é meu--«terras ferteis.» Fóra d'isso, não vale um caracol;

vegeta emquanto tem a terra solta da cova, e depois não passa d'ahi,

torna-se absolutamente rachitico. Mesmo em terras ferteis,

desenvolvendo-se bem, ficará por este lado abaixo de muitas outras

especies, aliás magnificas.

Quanto a qualidade da madeira, quasi não ha virtude que se lhe recuse.

Mas ainda n'este capitulo proponho certo desconto. Maiden, diz; «Quasi

tão rija como o ferro, quando bem sêcca.» E o Barão de Mueller, citado

por Macclatchie, é um pouco mais explicito; acha que as arvores, _bem

maduras_, d'esta especie, cortadas na estação em que a circulação da

seiva é menos activa, e _cuidadosamente postas a secar_, produziram uma

das mais duradouras das madeiras de todo o mundo.» «Bem maduras» e

«cuidadosamente postas a seccar», note-se; tambem aqui os sublinhados

foram meus, porque tenho cortado bastantes _Eucalyptus rostrata_ e, se

não me engano, é uma das especies que mais tarde amadurece, e por isso

uma das que mais fende e torce ao seccar, se a arvore não é velha.

Salvo o devido respeito a auctorisados mestres, direi que só por

excepção e curiosidade guardaria logar para o _Eucalyptus rostrata_ em

mattas de terras nossas. Se em qualquer arvore de semelhante caracter me

sentisse disposto a gastar tempo e dinheiro, então empregal-os-hia com o

_Eucalyptus tereticornis_ que vale o _Eucalyptus rostrata_ como madeira

e altamente se lhe avantaja em modestia de exigencias.

Eucalyptos e Acacias: Vinte annos de experiencias · 第 4 / 5 段