DIARIO ILLUSTRADO

Realisou-se no domingo, em Bemfica, uma festa verdadeiramente

esplendida. Por iniciativa do reverendo prior celebrou-se pela vez

primeira, n'aquella freguezia a solemnidade de _Corpus Christi_. O

professor de instrucção primaria da localidade, escolheu o mesmo dia

para a distribuição dos premios aos seus alumnos mais distinctos. A

distribuição effectuou-se na egreja parochial, antes da festa.

Assistiram os srs. administrador e camara municipal do concelho,

inspector dos estudos, professores das povoações circumvisinhas e

algumas das pessoas mais gradas da terra.

A concorrencia foi numerosissima. Os estudantinhos sairam da escola á

frente do seu professor e acompanhados pela philarmonica Euterpe. Os

convidados distribuiram os premios. Os alumnos premiados foram onze. Os

premios foram comprados a expensas do professor.

O nosso amigo, o sr. Gomes Pércheiro, offereceu a cada um dos onze

alumnos um exemplar da sua obra--_Questões do Pará_--com esta

dedicatoria: «_Aos meninos que estudam e foram approvados na escola de

Bemfica, em 1875. Este modesto trabalho ensina um pouco a saber o que é

o amor da patria, por isso o offerece o auctor._»

(_30 de junho._)

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Juizo critico do «Districto de Aveiro», seguido de duas cartas do auctor

das «Questões do Pará»

Temos aberto diante de nós um livro, que nos fizeram ha tempos a honra

de remetter, e que tem por titulo--_Questões do Pará_ por D. A. Gomes

Pércheiro. É uma interessante exposição de factos, que lança muita luz

sobre a situação em que se acha a colonia portugueza na provincia do

Pará, e desfaz algumas illusões espalhadas geralmente sobre a protecção

de que alli gosam os nossos compatriotas.

Entristece-se o espirito ao ler o livro a que nos referimos. Dando mesmo

de barato que a paixão entrasse em algumas apreciações, exageradas

evidentemente, pondo ainda de parte o estylo declamatorio de alguns

periodos que se nos figuram deslocados, e resumindo unicamente a analise

aos factos que os documentos citados comprovam, vê-se claramente que no

Pará se move crua guerra aos portuguezes, e se desconsidera

estranhamente a nação a que pertenceram os antigos descobridores do

Brazil.

E o mais desconsolador é que se a guerra existe principalmente nas mais

baixas camadas sociaes, estimuladas pela inveja torpe dos lucros que

aufere a actividade do commercio portuguez, é nas classes inferiores que

a desconsideração mais se revela, não faltando testemunhos a apregoal-a,

nem havendo peijo em que ella se declare por actos publicos e

significativos.

Os actos praticados pelos afiliados nas idéas d'um papel incendiario e

nojento que, para vergonha do jornalismo, pretende no Pará tomar as

fórmas de jornal, seriam apenas crimes vulgares, como os de qualquer

José do Telhado que nós costumamos deportar para as nossas possessões

africanas, se os não revestissem circumstancias que lhes alteram

substancialmente a significação.

Ha um homem, que parece que se chama Sequeira Mendes, que é conego,

pessoa importante da provincia, proprietario de um jornal, deputado

provincial, grande influente politico, que não duvida, ostensivamente

mesmo, declarar-se protector d'essa horda de malvados. Provavelmente

precisa d'elles para os seus manejos partidarios. E por isso trata de

affastar d'elles o castigo que a justiça,--não nos atrevemos a dizer a

lei, porque nem sempre a lei é a expressão da justiça,--lhes devia já

ter applicado.

Isto prova tambem que a opinião publica é adversa aos portuguezes, e que

uma revalidade de nação para nação substituiu o affecto que devia ligar

por todos os titulos o Brazil a Portugal. Até a exploração partidaria,

dá testemunho de que essa revalidade existe, e produz as suas ominosas

consequencias. Um dos factos que mais incontestavelmente attestam este

deploravel estado de coisas é a indulgencia criminosa com que o jury

brazileiro absolve os que attentam contra os haveres e contra a vida dos

portuguezes, e, em opposição, a severidade que desenvolve sempre que o

culpado é um portuguez. Isto prova-o o sr. Pércheiro com trechos

copiados dos proprios jornaes brazileiros. Não é pois uma simples

allegação, caso em que nos recusariamos a acceital-o. Demonstra-o o que

se passou com o assassinato do calafate portuguez Antonio Candido Valle

por um soldado de infanteria n.º 11, igualmente o demonstra o que se

passou com a condemnação do portuguez Domingos dos Santos Coelho.

N'um artigo do jornal brazileiro _America do Sul_, citado pelo sr.

Pércheiro, apresentam-se os factos a esta luz, e não se desfarça mesmo a

significação que elles tem. Depois de referir e analysar os dois

julgamentos, concilie por esta fórma: «_Esperemos: O que nos

parece--dizemol-o «ab imo pectores»--é que actualmente, no sanctuario da

justiça, não se julgam crimes mas sim nacionalidades. Pois é mau, muito

mau, se assim acontece._»

Ora isto é muito grave. Quando nem a serenidade da justiça escapa á

influencia d'um odio assim pronunciado, se elle tem já tanta força que

faz dobrar a inflexibilidade da lei, é porque o seu poder é grande,

enorme.

Outro facto cita o sr. Pércheiro que causa a mais desgraçada impressão,

porque mostra que nas proprias repartições do estado se revela a maxima

desconsideração por tudo o que é portuguez. Citamos as proprias palavras

do auctor do livro:

«Ha já alguns annos, o caixeiro d'uma casa ingleza, moço portuguez,

apresentou-se na secretaria do governo e entregou ao continuo um

documento, que, depois de assignado pelo official maior, daria livre

pratica a um navio, que tinha annunciado a sua sahida para as quatro

horas da tarde. Era uma hora quando o empregado portuguez fez a entrega,

promettendo voltar ás tres horas. Chegado ali a esta hora, pouco mais ou

menos, o continuo recebeu-o mal, e demorou o nosso amigo até fechar-se o

expediente. Vinha sahindo o empregado superior, a quem o empregado da

casa commercial se dirigiu, e em termos finos lhe communicou o fim da

sua ida ali. O official maior, fez ver que estava fechado o expediente,

não attendendo ás razões culpaveis do seu subordinado, e á circumstancia

de que um navio não devia demorar a sua viagem pela falta de uma simples

assignatura.

«Não fez caso o empregado. Estava tratando com um portuguez e isso

bastava!

«Não se conformou com isto o pretendente, e sabendo que o presidente e

outros empregados d'alta cathegoria estavam reunidos n'uma sala proxima,

entrou e fez ver tudo que acabava de acontecer-lhe, não lhe esquecendo

dizer que elle era caixeiro da respeitavel casa ingleza de F. e que seus

patrões fariam, com toda a certeza, sahir n'aquella mesma tarde o navio

que se pretendia despachar.

«Coisa admiravel! o presidente apenas ouviu as palavras--_casa

ingleza_--deu um pulo na cadeira, tocou com estrondo a campainha, ao som

da qual acudiu o continuo, que recebeu ordem para chamar o tal official

maior. O presidente chegou mesmo a levantar-se da sua cadeira, e

dirigindo-se para a janella, fez d'ali signal ao empregado superior.

«Na volta o presidente fez ver a este empregado, que o caso que acabava

de dar-se era estranhavel, por quanto ainda ha pouco tempo lhe tinha

mostrado um officio confidencial do ministerio competente, no qual se

recommendava a maior attenção com todos os negocios trocados entre as

differentes repartições do estado e as altas potencias, como a

Inglaterra, a França, os Estados Unidos, etc!... O alto funccionario

respondeu simplesmente, que o caixeiro pretendente era portuguez, e por

isso pensava que a casa commercial era tambem portugueza!!»

Este facto parece incrivel. Recusa-se o nosso espirito a acceital-o. Mas

devemos confessar que elle desgraçadamente está d'accordo com outros de

que não é licito duvidar, e que se não são tão explicitos, revelam a

mesma tendencia. Devendo os portuguezes ser no Brazil os primeiros,

vê-se que são os ultimos. E não lh'o merecem decerto, nem pelo passado

nem pelo presente. Em toda a parte da monarchia portugueza, onde o

brazileiro se apresenta é recebido com mais que deferencia, ás vezes até

com favor.

Temos pena de que o sr. Pércheiro dominado por uma paixão, cujo

fundamento ignoramos, fosse tantas vezes d'uma critica tão irritada, que

obrigue o animo imparcial a dar ás suas palavras, quando as não

comprovam testemunhos insuspeitos, certo desconto. A boa critica não

póde aceitar como proposições geraes o que deve apenas admittir-se como

limitada excepção, quando existe. E seria mesmo mais vantajoso para o

credito que deve merecer o seu livro, que moderasse um pouco mais a sua

linguagem. Os vicios, os abusos não dão direito a quem os censura de

ser... quando menos exaggerados. E perdoe-nos o sr. Pércheiro, cremos

que em alguma parte o foi. A verdade não é decerto aquella. Não citamos

senão um logar em que esta reflexão nos accudiu, mas podiamos citar

outros. É a paginas 181.

Afora isto, era util que o livro do sr. Pércheiro se vulgarisasse, que a

população illudida, que deserta para as praias de Santa Cruz, tivesse

conhecimento verdadeiro do que por lá se passa, que, quanto a nós, é

este o melhor meio d'ella crear mais amor á terra em que nasceu, e não a

abandonar tão desassisadamente, arrastada pela sêde insoffrida de uma

opulencia rapidamente adquirida.

(_Districto de Aveiro_, de 5 de julho.)

* * * * *

_Sr. redactor do «Districto de Aveiro»._--Só hoje me veiu parar ás mãos

o n.º 360 do seu importantissimo jornal, no qual sob o titulo--_Nova

publicação_, vem publicado um extenso artigo de appreciação ao meu pobre

trabalho--_Questões do Pará_, appreciação que não devo deixar passar em

claro sem os devidos reparos, embora humildes.

Perdoe-me v. ex.ª que com a minha modestia, que o auctor do referido

artigo não quiz ver na carta--prologo feito ao meu livro, lhe diga, que

tão abalisado critico me faz algumas injustiças, contradizendo-se mais

de uma vez na sua appreciação, por fórma a querer sustentar ao mesmo

tempo--o preto e o branco--dos escriptores sem consciencia.

A circumstancia de ter sido tal appreciação publicada em jornal

portuguez e de não trazer o nome do seu auctor, me inhibe de collocal-a

ao lado dos escriptos parciaes, que sobre o meu insignificante trabalho,

hão-de mais tarde apparecer na imprensa brazileira.

Foi o meu livro escripto no corrente anno, desde 6 de março até 8 de

abril, dia em que sahi do Lazareto. A 12 d'este mez, apresentei o

manuscripto ao meu amigo Ferreira Lobo, ainda na incerteza de que

similhante trabalho visse a luz publica: taes eram os defeitos da fórma,

que, d'antemão, lhe reconhecera. Animou-me o distincto escriptor, que

venho de referir, com a sua carta que antecede as _Questões do Pará_.

Reconheceu-lhe, mais abalisado do que eu, esses defeitos, filhos da

exiguidade do tempo e da occasião em que fôra delineado o meu trabalho,

das nenhumas aspirações da minha parte ás honras de litterato e ainda

menos ás de historiador, para o que sempre reconhecera faltar-me o

estylo atreito aos homens talhados pela natureza, como o meu illustre

critico, para escrever livros de tão alto merecimento.

Provo ainda n'este logar, que não aspirava eu a tão elevadas honras, com

a minha annuencia ás idéas do auctor do prologo, no seguinte:

«Pede comtudo a sinceridade e a franqueza de que me preso que lhe diga,

antes de terminar, que não é o seu trabalho um primor litterario. O

amigo foi o primeiro a apontar-lhe os defeitos da fórma. Mas não se

desconsole com isto. No desordenado da phrase e no descuidado da

exposição transparece muito claramente a verdade de tudo que o amigo

assevera. Não ha artificios nem arrebiques. O seu escripto foi traçado

quasi todo durante a viagem, sem auxilio de livros. É agitado, revolto,

caprichoso como as vagas que balouçavam a mesa sobre que foi delineado»,

etc.

As minhas idéas, quando tratava de publicar o livro, eram outras.

Era meu intento unicamente protestar sem perda de tempo, na esperança de

obter do nosso governo remedio salutifero, embora energico, contra a

tyrania de que continuavam a ser victimas os nossos irmãos em terras

brazileiras.

Eis porque aproveitei para melhor coisa o tempo que me poderia levar a

rever a obra ou a fazer-lhe o prologo, onde, com as minhas proprias

palavras, apontasse os defeitos litterarios, que ella encerra,

satisfazendo assim as justas exigencias dos homens de lettras, em cujo

numero conto o meu sapiente sensor.

Tratava-se, pois, n'aquelle momento, de coisas mais importantes para mim

do que fazer estylo; por isso, a 15 do referido mez de abril, era o meu

trabalho entregue na typographia Lallemant, que, passados apenas 15

dias, me apresentava a 17.ª folha, a ultima, com a qual fechava uma

impressão de 3:000 livros! Mas é preciso que eu aponte as contradições

em que cahiu o distincto articulista do _Districto de Aveiro_.

Não cabe bem a quem não aspira ás honras de litterato fazer critica; mas

perdoe-me v. ex.ª a liberdade. Digne-se levar estes meus reparos á conta

dos que não sabem, e que milhor illucidados, podem aprender mais alguma

cousa com outras lições.

Diz o abalisado articulista sobre o meu livro:

«É uma _interessante_ exposição de factos, que lança muita luz sobre a

situação em que se acha a colonia portugueza na provincia do Pará, e

desfaz algumas illusões espalhadas geralmente sobre a protecção de que

ali gosam os nossos compatriotas.

«Entristece-se o espirito ao ler o livro a que nos referimos. Dando

mesmo de barato que a paixão entrasse em algumas apreciações,

_exaggeradas evidentemente_. (No torniquete em que eu me vi não quizera

eu ver s. ex.ª, a não ser para me dar rasão), pondo ainda de parte o

estylo declamatorio de alguns periodos que se nos figuram deslocados.

(Nada tem com o caso da veracidade dos factos. Os defeitos já foram

reconhecidos pelo auctor, antes de se lhe fazer critica); e resumindo

unicamente a analyse aos documentos que os factos comprovam, vê-se

claramente», etc.

N'este trecho vê-se que a minha exposição deixou de ser

_interessante_... Mas continuemos:

«E o mais desconsolador é que se a guerra existe principalmente nas mais

baixas camadas sociaes, estimuladas pela inveja torpe dos lucros que

aufere a actividade do commercio portuguez, é nas classes inferiores que

a desconsideração mais se revela, _não faltando testemunhos_ a

apregoal-a, etc».

Aqui muda de diapasão. A minha exposição torna a ser _interessante_,

porque _esses testemunhos_ forneço-os eu, sem apresentar documentos que

os comprovem. São simples allegações da minha parte, postas no meu

livro, talvez que com o fim de fazer melhor venda ao meu peixe!...

Mas o abalisado crítico crê e não crê nas minhas allegações! Recusa-se

acceital-as em alguns pontos, não obstante confiar n'ellas quando trato

do conego Sequeira Mendes, já no meu livro, já em artigos que n'elle

transcrevo, artigos por mim publicados nos jornaes do Pará. E mais se

fia ainda no que digo com respeito ao facto do caixeiro da casa ingleza,

chegando a honrar-me com as seguintes phrases antes de transcrever para

o seu artigo a parte do meu livro onde conto o occorrido:

«Outro facto cita o sr. Pércheiro que causa a mais desgraçada impressão

porque mostra que nas proprias repartições do estado se revela a maxima

desconsideração por tudo o que é portuguez. Citamos as proprias palavras

do auctor do livro» etc.

Depois do meu contendor transcrever o que eu digo ser--facto--mas ao

qual não junto documento algum que o _comprove_, termina com o seguinte,

ainda em meu abono: «Este facto parece incrivel. Recusa-se o nosso

espirito acceital-o. _Mas desgraçadamente está de accordo com outros_

(que não comprovo com documentos), _de que não é licito duvidar» etc.!_

Conclue-se, que a minha exposição foi _interessantissima_.

Mas com respeito aos tribunaes, deixou de o ser: as provas que allego

encontra-as s. ex.ª nos trechos dos jornaes que cito. _As minhas simples

allegações recusa-se a acceital-as._ A exposição do jornalista Carvalho,

redactor da _America do Sul, nosso digno compatriota_, o qual não

compareceu, como eu, na audiencia onde se julgava o assassino do infeliz

portuguez calafate, mereceu-lhe mais credito, porque aquelle cavalheiro

é habil e soube fazer estylo!...

A descarga geral é no fim. Ali não ha mais contemplações. O valente

guerreiro arranca, uma a uma, todas as folhas de louro, que já começára

a arrancar, da corôa que logo no principio da batalha me conferira, e,

desapiedado, até pisa a haste em que ellas se prendiam!

Oiçamol-o:

«Temos pena que o sr. Pércheiro, _dominado por uma paixão, cujo

fundamento ignoramos_, fosse tantas vezes d'uma critica tão irritada,

que obrigue o animo imparcial a dar ás suas palavras, _quando as não

comprovam testemunhos insuspeitos_, certo desconto.»

Queria o illustrado articulista que eu estivesse a rir e a dispensar

zumbaias aos brazileiros, em presença dos portuguezes assassinados, dos

tribunaes que absolviam os assassinos e do povo que se ria d'estas

absolvições!

Já disse atraz, e agora repito, que as contradicções do articulista são

manifestas; porque deixei provado que s. ex.ª acceita as minhas

revelações, completamente despidas dos taes _testemunhos insuspeitos_,

que fantasiou sem duvida para ter occasião de fazer estylo.

Mas continuemos:

A boa critica não póde acceitar como proposições geraes, o que deve

apenas admittir-se como limitada excepção, quando existe.»

Aqui confesso que não comprehendo o meu sensor: tal é a minha

ignorancia!... Porque eu não quero por um momento suppor, que seja

possivel ao meu illustre contendor fazer ainda hypotheses sobre as

_limitadas excepções_, que vê na gente brazileira, que eu digo nos odeia

em sua maioria, e sobre a qual eu jámais deixarei de sobrecarregar as

culpas, que os inconscientes querem levar á conta da ralé.

Vejam como são as coisas. Suppunha eu que tinha sido demasiadamente

liberal nas excepções que fiz no meu livro; mas enganei-me!

Alguns portuguezes, para desiludirem-se, precisam ir passar alguns annos

na _amavel_ companhia dos _tribunos_ em terras brazileiras.

Convido o illustre crítico a dar um passeio até Jurupary e mais terras

do civilisado Pará e outras provincias. Na volta me dirá se eu tenho

razão para ser apaixonado, e julgará da exactidão das minhas affirmações

de paginas 181 e outros pontos do meu livro, que não rectifico, porque

com ellas desejo evitar que os portuguezes incautos procurem mulheres

brazileiras, que, salvas mui poucas e honrosas excepções (permitta-se-me

a repetição, eu sou incorregivel!) não pódem ser as esposas, nem tão

pouco as mães que ambicionamos para nossos filhos. Muitas razões poderia

eu adduzir para comprovar esta minha asserção; mas falta-me o tempo e o

espaço.

Finalmente, é preciso fazer comprehender aos portuguezes que emigram

para o Brazil, que a sua desgraça está no cruzamento das raças lusitana

com a brazileira, que tanto nos odeia; assim como está tambem no fausto

que lá ostentamos, tão dessimilhantemente dos outros colonos europeus.

Portugal e Brazil: emigração e colonisação · 第 160 / 176 题