Por todos os portuguezes deveria ser lido este livro, a proposito do que
fez o _Jornal da Noite_ as seguintes sensatas ponderações: (Transcreve o
artigo do _Jornal da Noite_.)
(_14 de maio._)
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O livro subordinado a esta epigraphe, devido á pena do sr. Gomes
Pércheiro, tem tido extraordinaria extracção. Não podia deixar de assim
ser, porque é um trabalho utilissimo e de muito ensinamento para
aquelles que teimam, com prejuiso para as nossas colonias, em ver no
Brazil actual, exausto e quasi cadaverico, o antigo emporio de riquezas
agricolas, que era a alma do commercio e da industria ainda nascente, e
que á porfia pareciam querer fazer do imperio o maior collosso da
civilisação americana.
A lei que no Brazil estabelecera a egualdade de nascimento, fazendo de
todos os homens uma só familia, surtiu optimos effeitos moraes no mundo
liberal, por ver-se que uma nação ainda adolescente comprehendia já a
sublimidade da idéa que começára a robustecer-se com as glorias obtidas
no Paraguay. A carta da emancipação dos escravos veiu dar ao Brazil
facil accesso para sentar-se á mesa do progresso, junto das nações mais
velhas que lhe tinham sido mãe.
Mas depois d'isto faltava fazer muito ainda. Era preciso não adormecer
ao som dos hymnos inebriantes das glorias passadas; era preciso que
governantes e governados estudassem pelo seu passado qual havia de ser o
futuro do seu imperio. Era preciso que esse immenso territorio fosse
devastado, permitta-se-nos a expressão, pela immensa tempestade do
progresso, que se lhe abeirava, para dar-lhe o seu quinhão civilisador;
e que leis protectoras se fizessem com o fim de dar livre accesso ao
explorador, que mais tarde havia de ceifar as suas mattas insondaveis e
poeticas, mas cuja poesia fará retrogradar o Brazil para os seus
primitivos tempos. Era preciso substituir no trabalho esse ente, que
ainda não estava educado para ser livre, mas que uma idéa humana fizera
egual aos outros homens; e não deixar oxidar a roçadoura, a enxada e a
pá, e amortecer os animos febris pelo desbravamento das terras incultas,
que, como estão, não podem servir de engrandecimento para o imperio. Era
preciso que governos e governados, de norte a sul, attraissem, com seus
bons tratos o estrangeiro ávido pelas riquezas do seu feracissimo solo.
Leis, filhas de um aturado estudo philosophico, sobre as condições
religiosas do imperio, deviam ter substituido as que existem, e que não
podem mais servir para uma sociedade nova, e muito especialmente para um
paiz que precisa recolher em seu seio homens de todas as crenças. A
questão religiosa, que ainda não terminou no imperio, e que tanto mal
tem feito ao seu progresso, não teria existido.
Os homens talentosos do Brazil, á similhança do que se faz nos paizes
cansados, estudam apenas o incomprehensivel problema da politica e
parece quererem contemporisar com o movimento jesuitico.
A par d'isto retraem-se os capitaes, os colonos portuguezes, no norte do
imperio, repatriam-se. A falta de braços, faz-se sentir. A lavoura
definha-se; por que além da falta de braços, os terrenos limitrophes das
povoações estão explorados e os governos não tomam a iniciativa de abrir
tunneis, permitta-se-nos a phrase, n'essas immensas montanhas de matta
virgem, cujos troncos seculares com sua immensa folhagem nos não deixam
ver tão grande manancial de riquesas. As estradas que existem para o
interior dos sertões são apenas os carreirinhos do indio, da onça, do
veado, da paca e do tatù.
No valle do Amazonas vive-se da industria extractiva. A agricultura foi
despresada. Mas a industria extractiva vae morrer, por que os governos
não desimpedem as immensas vias de communicação--os rios--que cortam em
todas as direcções aquelles immensos territorios, tambem cobertos de
plantas.
Que se faz para attrair o estrangeiro? Que pensam os homens eminentes do
Brazil?
Nada vemos. E contudo, o mais simples observador nota que o grande
imperio está passando por uma crise assustadora.
Suggeriu-nos estas phrases, ao lermos o livro _Questões do Pará_, cuja
leitura recommendamos, a idéa do engrandecimento do imperio do Brazil.
(_26 de junho)_
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