Eis como o _Liberal do Pará_ fulminava o pasquim, transcrevendo-o no seu
numero de 20 de maio de 1876:
«Os jesuitas querem a todo o transe perturbar a ordem publica, açulando
os odios de raça e o fanatismo das classes ignaras, para vêr se
conseguem arrastal-as a scenas de carnificina, que nos degradem perante
o mundo civilisado.
«A gente da _Boa Nova_[76], fez hontem distribuir uma segunda edição do
_Brado ao Povo_.[77]
«Evocam-se as recordações de um passado infame e vergonhoso, appella-se
para a faca, e grita-se com toda a força:
«Á arma branca!
«Ou a igreja ou a maçonaria!
«Alerta! Renove-se o 35! mas purifique-se o povo no sangue d'esta raça
maldita!»
«É especialmente contra os maçons e os portuguezes que se levanta o
grito sanguinario, echo das paixões ferozes, de que os jesuitas se acham
dominados.
«A seita maldita quer sangue: impelle-a a mão occulta d'aquelle, que
devera ser o exemplo da caridade e do amor do proximo.
«Todas as noutes distribuem-se pasquins infamissimos, que tem o cunho
jesuitico.
«A policia não póde nem deve ser indifferente a esses meios anarchicos,
de que estão-se servindo os roupetas para espalhar o terror nas familias
e nos estrangeiros, que descançam tranquillos á sombra da nossa
hospitalidade e das nossas leis.
«Em nome do povo paraense protestamos contra essa infamia, e exigimos a
punição dos seus sanguisedentos auctores.
«Leia o publico o pasquim, e veja de quanto é capaz a sanha dos que
fazem da religião um instrumento de odio e vinganças: