II

Com a epygraphe _Tribunaes brazileiros_ publicamos nas _Questões do

Pará_ o seguinte:

«No interior campêa a immoralidade a tal ponto, preparam a

_nacionalisação do commercio a retalho_ por tal fórma, que causa horror

pensar em semelhante labyrintho.

«João Lopes d'Oliveira e seu irmão Narciso, moços portuguezes,

commerciantes, foram accusados de ter assassinado um _cabouco_, com dois

tiros de espingarda, na comarca de Serpa (no Amazonas).

«Instaurou-se-lhes o competente processo, e chamados a julgamento, o

jury condenou-os na pena de galés perpetuas.

«A base para tal condemnação foi terem deposto 16 ou 18 testemunhas,

que, por unanimidade, _confirmaram_ o crime dos accusados, simplesmente

por terem _ouvido dizer_, que aquelles portuguezes tinham assassinado o

seu compatriota brazileiro!

«Não ha só uma testemunha de vista.

«A decisão do jury foi annullada pelo tribunal superior, que mandou

reunir novos jurados. Reunidos estes a decisão foi em tudo igual á

primeira!!!

«Esta causa está affecta ao tribunal superior, que decidirá sobre tão

grave occorrencia; por isso reservar-me-hei para mais tarde dizer as

ultimas palavras sobre esta questão...»

É chegada a occasião de cumprirmos a nossa promessa.

Ultimamente o verdadeiro assassino do _cabouco_, minado talvez pelos

remorsos, e sentindo apertar-lhe a garganta a mão fria e descarnada da

morte, chamou um padre que o ouvisse de confissão, e declarou-lhe o seu

crime. O assassinado era compatriota do assassino. Morto o miseravel, o

confessor, cumprindo um dos sagrados deveres do seu ministerio,

communicou este acontecimento ás justiças brazileiras, que, a final se

resolveram a por em liberdade os dois innocentes portuguezes, que ha

dois annos estavam presos!

Portugal e Brazil: emigração e colonisação · 第 94 / 176 题