Foi no dia 21 de novembro que o presidente Azevedo expedira para o seu
governo o importantissimo telegramma que mencionámos a paginas 7 das
_Questões do Pará_, dia em que egualmente fôra expedida para Londres a
não menos importante parte, que egualmente transcrevemos no referido
livro a pag. 10.
Mas não ficou aqui a questão. Ainda fizemos expedir mais telegrammas,
que, julgamos indespensavel transcrever aqui.
E se os não publicámos ha mais tempo, foi porque esperavamos fazer sahir
á luz um outro livro, que não publicámos, por que como já dissemos, nos
subtrairam a collecção de todos os jornaes que se publicaram no Pará, no
ultimo semestre de 1874, em cujos artigos, de origem brazileira,
escudariamos as nossas proposições; collecção que pode ser examinada a
todo o tempo por escriptores brazileiros, que mais tarde pretendam
escrever a historia dos tumultos do Pará n'aquelle anno.
Mas vamos á historia dos telegrammas.
Os espiritos conservavam-se agitados, especialmente, desde o dia 21 de
novembro.
Esperavam-se, a toda a hora, providencias do governo central, com
respeito ao telegramma do presidente. Até que afinal, o governo deu um
ar da sua graça, declarando ao seu representante no Pará, que
_procedesse dentro dos limites da lei_!
Os _tribunos_ que até alli tinham zombado de tudo e de todos,
continuaram a zombar, não só da lei, como da decisão do governo, cuja
noticia correra logo de bocca em bocca, não obstante a tal decisão ser
_secreta_ como _secreto_ tinha sido o telegramma do dia 21 de novembro,
que nós devassamos!
Quem padecia mais com as indicisões do governo central era o commercio;
por isso expedimos, no dia 25, a seguinte parte telegraphica, resultado
das repetidas conferencias que tivemos com seus representantes:
«Bancos restringiram operações. _Tribuna_ sahida hoje mesma linguagem.»
A _Tribuna_ não podia deixar de se mostrar fanfarona, á vista dos medos
do governo.
O presidente, não podendo fazer cousa alguma _dentro dos limites da
lei_, foi para o jornal official proclamar ao povo contra os excessos da
_Tribuna_ e seus apaniguados.
Compare-se esse documento publicado nas _Questões do Pará_, com o
extracto que d'elle fizemos em nosso despacho telegraphico expedido para
o sul em 26 de novembro, e ver-se-ha que a consciencia e não o _espirito
de nacionalidade_, presidira sempre aos nossos actos de agente fiel da
companhia Americana.
É este o despacho:
«_Jornal Official_ diz chegou occasião lamentar estado provincia que
retrograda gigantescamente. Japão civilisa-se, Pará passa terra
selvagens. Ideias tríbunicias defendidas por influencias. Edificações
paralisadas, decrescimento rendas, commercio desanimado, telegrammas
para Europa suspendendo pedidos. _Tribuna_ cessaria publicação, mas
agenciaram subscripções; emissarios foram intimar publicação.
Conclue--governo disposto manter tranquilidade. Não tolera empregados
devem ser ordem, estejam collocados á testa movimentos tribunicios. Fez
sensação artigo. Reuniões influentes casa _Tribuna_.»
Por aqui póde vêr o sr. Augusto de Carvalho e os seus dignos
correligionarios optimistas, que com a propaganda da _Tribuna_ do Pará,
não riam nem folgavam os leitores, como riem e folgam com a leitura dos
nossos jornaes burlescos.
Em 27 de novembro ainda não tinham socegado os espiritos. A prova d'isso
está nos telegrammas do presidente do Pará, publicados na folha official
do Rio de Janeiro, e que já transcrevemos em outro logar.[60]
[60] Veja-se o opusculo _Coisas Brazileiras_.