O auctor do livro o _Brazil_, ignora ou finge ignorar, que a maior parte
dos portuguezes saidos de nossos portos, com destino ás terras de Santa
Cruz, são alliciados com mentidas promessas e falsas illusões, incutidas
por grande numero de especuladores, dos quaes, talvez sem o desejar
parecer, o sr. Augusto de Carvalho seja o chefe.
Já que chegámos a este ponto, permitta-nos que sejamos francos,
dizendo-lhe que ha quem nos chame um pouco complacente por formularmos
apenas uma hypothese sobre a melindrosa posição do sr. Carvalho.
E, effectivamente, se o auctor da _moderna historia_ do Brazil, não
especula com a emigração, como se explica o seu procedimento de
asseverar que o Brazil é manancial de riquezas para o trabalhador,
quando documentos de maior valia nos dizem completamente o contrario?
Vamos lançar mão da carta, escripta pelo presidente da _Caixa de
Soccorros D. Pedro V_, dirigida ao consul geral de Portugal, no Rio de
Janeiro, em 21 de julho de 1872.
Este importantissimo documento, que o sr. Augusto de Carvalho
_auctorisa_ a paginas 283 do seu livro, e do qual se serviu transcrever
alguns trechos, esquecendo os que não lhe faziam conta, não por os
julgar menos auctorisados, porque então far-lhe-hia a necessaria
critica, como fizera á pastoral, mas porque assim convinha á sua
propaganda, diz mais o seguinte, que muito convém ser lido pelos
admiradores do historiador brazileiro:
«Descripto como fica o destino d'esta população (de emigrantes
portuguezes), passemos sem mais detença á observação dos resultados
colhidos pelos emigrantes, vejamos como se tornaram em realidades os
sonhos dourados d'aquella possante juventude, que em demanda de tão
cubiçada riqueza abandonou a patria e a familia.
«Cessam aqui os conceitos geraes pela observação e modo de ver de cada
um; logar aos factos que se levantam com toda a magestado de principios
que não podem discutir-se.
«V. ex.ª, que é portuguez, disponha o seu animo para contemplar
desgraças e miserias taes e tamanhas, que a imaginação espavorida mal
comprehende _como ainda tão severa illusão não bastou para pôr barreira
a esta corrente de suicidios_.
«Nos sete annos decorridos, desde 1864 a 1871, a _Caixa de Soccorros de
D. Pedro V_, pagou a passagem para voltarem á patria, a 2:304
portuguezes, e o numero dos que tem soccorrido eleva-se a 9:000
inscriptos até hoje.»
Convém dizer antes de proseguirmos na transcripção de tão preciosa carta
e baseando-nos em documentos officiaes, que o numero de portuguezes
entrados no Rio de Janeiro desde 1861 até