N'um dos artigos antecedentes assignalámos, com respeito á vida dos
colonos, as seguintes palavras do sr. Augusto de Carvalho:
«... E porque estranhavam os rigores dum clima tropical que os extenuava
nos rudes trabalhos da lavoura» etc.
O illustre litterato refere-se ao Brazil; o que nos leva a perguntar, se
um paiz, cujos _rigores d'um clima tropical_, onde os colonos ficam
_extenuados_ pelos _rudes trabalhos da lavoura_, póde ou deve agradar
aos trabalhadores europeus? e se esta deverá ser a _terra da promissão_,
onde, para esses trabalhadores, se possa realisar a _promessa de Christo
de--cento por um--_?
Mais adiante provaremos com documentos irrefutaveis, se não se acha já
sufficientemente demonstrado, que semelhante paiz não enriquece os
trabalhadores europeus, talvez que pela circumstancia apontada pelo sr.
Carvalho, dos rigores climatericos.
Convém entretanto tornar bem patentes as seguintes palavras do sr.
Mendes Leal, que não deve ser suspeito ao sr. Augusto de Carvalho, visto
que se escuda a uma carta do illustre escriptor, como se escuda a outras
de muitos portuguezes, que em seus escriptos têem combatido a emigração
para o Brazil.
O auctor dos _Bandeirantes_ refere-se á magestade do vasto imperio, e
quiçá ao seu mortifero clima. São estas as palavras que elle collocou na
bôcca de um dos heroes da chronica a que alludimos:
«... Solemne é este silencio, magestosa a solidão, certamente. Acres
perfumes rescendem nos ares, o ermo convida á meditação, ha n'este
conjuncto harmonia e grandeza, concedo. Mas se tudo examinamos de perto,
o que achamos? No fundo limoso d'essas aguas espelhentas esconde-se
talvez a sucuriuba, espreitando o inexperiente que se aproxima sem
cautela, para o ennovellar de subito nas roscas monstruosas! Essas
moutas esmaltadas são ninhos de reptis mortiferos! Esses aromas
inebriantes vêem carregados de emanações pestilentas! D'essa limpida
superficie exhalam-se as febres implacaveis!... Não, o homem que
realmente quer avantajar-se e avassallar o vulgo... o homem que nasceu
para dominar homens!... nunca se ha de captivar da primeira impressão.
Se é tão raro que nos não transvie o coração, e não nos enganem os
sentidos!»
Os aromas inebriantes dos seus jasmins e as pennas multicôres das suas
aráras, pódem, de longe, convidar o poeta a fazer estrophes: porém, lá
dentro, no sertão, ou mesmo no litoral, só em boas _chácaras_, e, ainda
assim... havendo grande necessidade de fazer versos!