XII

N'um dos artigos antecedentes assignalámos, com respeito á vida dos

colonos, as seguintes palavras do sr. Augusto de Carvalho:

«... E porque estranhavam os rigores dum clima tropical que os extenuava

nos rudes trabalhos da lavoura» etc.

O illustre litterato refere-se ao Brazil; o que nos leva a perguntar, se

um paiz, cujos _rigores d'um clima tropical_, onde os colonos ficam

_extenuados_ pelos _rudes trabalhos da lavoura_, póde ou deve agradar

aos trabalhadores europeus? e se esta deverá ser a _terra da promissão_,

onde, para esses trabalhadores, se possa realisar a _promessa de Christo

de--cento por um--_?

Mais adiante provaremos com documentos irrefutaveis, se não se acha já

sufficientemente demonstrado, que semelhante paiz não enriquece os

trabalhadores europeus, talvez que pela circumstancia apontada pelo sr.

Carvalho, dos rigores climatericos.

Convém entretanto tornar bem patentes as seguintes palavras do sr.

Mendes Leal, que não deve ser suspeito ao sr. Augusto de Carvalho, visto

que se escuda a uma carta do illustre escriptor, como se escuda a outras

de muitos portuguezes, que em seus escriptos têem combatido a emigração

para o Brazil.

O auctor dos _Bandeirantes_ refere-se á magestade do vasto imperio, e

quiçá ao seu mortifero clima. São estas as palavras que elle collocou na

bôcca de um dos heroes da chronica a que alludimos:

«... Solemne é este silencio, magestosa a solidão, certamente. Acres

perfumes rescendem nos ares, o ermo convida á meditação, ha n'este

conjuncto harmonia e grandeza, concedo. Mas se tudo examinamos de perto,

o que achamos? No fundo limoso d'essas aguas espelhentas esconde-se

talvez a sucuriuba, espreitando o inexperiente que se aproxima sem

cautela, para o ennovellar de subito nas roscas monstruosas! Essas

moutas esmaltadas são ninhos de reptis mortiferos! Esses aromas

inebriantes vêem carregados de emanações pestilentas! D'essa limpida

superficie exhalam-se as febres implacaveis!... Não, o homem que

realmente quer avantajar-se e avassallar o vulgo... o homem que nasceu

para dominar homens!... nunca se ha de captivar da primeira impressão.

Se é tão raro que nos não transvie o coração, e não nos enganem os

sentidos!»

Os aromas inebriantes dos seus jasmins e as pennas multicôres das suas

aráras, pódem, de longe, convidar o poeta a fazer estrophes: porém, lá

dentro, no sertão, ou mesmo no litoral, só em boas _chácaras_, e, ainda

assim... havendo grande necessidade de fazer versos!

Portugal e Brazil: emigração e colonisação · 第 45 / 176 题