magestosos de pae irritado não me salvam da ignominia, nem desculpam os
desvarios da snr.ª D. Albertina. A accusação, se houver de fazer-se, não
tem de ser julgada por juiz tão incompetente, como V. Ex.ª Ora, se eu
não me queixo para que ha de queixar-se o snr. conselheiro? Eu, por
emquanto, resumo os meus queixumes em dizer-lhe que estou aviltado, que
sou escarnecido, que pertenço aos incentivos da zombaria, e contribuo
para sustentar á custa da minha dignidade a irrisão nos salões e nas
praças onde se applaude o impudor do visconde do Espinhal, e de...
Conselheiro
Basta. Ouvi ahi um nome que é personagem n'este romance torpe que V.
Ex.ª está urdindo. O visconde do Espinhal!.. As salas onde este illustre
devasso é recebido são as salas de muito homem de bem, incluindo as
suas, snr. Valladares.
Francisco de Valladares
As minhas!.. as minhas!..
Conselheiro
As suas.
Francisco de Valladares
Já encontrou em minha casa o visconde?
Conselheiro
Não, snr., por que eu nunca entrei nas suas alcôvas.
Francisco de Valladares
Isso é uma insinuação hedionda, snr. conselheiro!
Conselheiro
Insinuação hedionda e vilissimo affrontamento é o que o snr. está
cuspindo na cara de minha filha. Sou pae, snr.; e sou pae de uma mulher
virtuosa que outra mulher perdida calumniou. A hora da justiça não
tardará. O cumplice de minha filha será interrogado na presença do
calumniador.
Francisco de Valladares
Na minha presença! É original o escandalo! Então V. Ex.ª quer fazer
justiça, ridiculisando-me? Não o conseguirá, que eu estou em minha casa;
bom será lembrar-lh'o.
Conselheiro
Não me esqueci; mas, se a intenção da indelicadeza é mandar-me sahir,
declaro-lhe que não sahirei, sem levar d'aqui a minha filha a retratação
de V. Ex.ª Provavelmente ella não voltará a esta casa...
SCENA XX
OS MESMOS E D. ALBERTINA
D. Albertina
Volto, aqui estou, por que não hei de voltar?! _(serenamente)_ O pae não
me deu tempo a estar com a mamã alguns instantes. Receiei que tivesse
vindo para aqui, e magoadamente lhe digo que me arrependi de ser tão
expansiva!.. Como estás abatido, meu pobre Francisco! Matam-te, meu
filho! Parece incrivel que a Providencia divina não diga á tua alma que
eu estou innocente!
Francisco de Valladares _(concentrado)_
Seria preciso que a Providencia tivesse cegado as que a viram sahir de
casa de... _(Retrahindo-se com doloroso esforço)._
SCENA XXI
OS MESMOS, LEONARDO, E DEPOIS JOÃO LOBO
Leonardo
O snr. doutor Lobo. _(Sáe)._
Francisco de Valladares _(ao conselheiro)_
Esta indecente situação preparou-m'a V. Ex.ª!
D. Albertina _(afflicta)_
Que vem a ser isto, meu pae? Não vê o estado de meu marido?!
Conselheiro
Importa-me a tua dignidade muito mais.
SCENA XXII
OS MESMOS E JOÃO LOBO
João Lobo
Felizmente que eu chegava a casa quando recebi o recado.
Conselheiro
Fui eu, snr. doutor, que pedi a sua vinda.
João Lobo _(tomando o pulso de Francisco Valladares)_
Isto assim não vae bem, snr. Valladares. Se V. Ex.ª não quer, ou não
póde subordinar á rasão e á necessidade o alvoroço em que está o seu
espirito, mais doente do que o corpo, não tenho que fazer aqui. Tenha a
briosa coragem de ser homem, para viver. _(Francisco de Valladares faz
um gesto de constrangimento, sorrindo-se com amargura)._
Conselheiro
É o que elle faz, snr. Lobo. Vae affastar de si as pessoas que o
atormentam, ou mais exactamente são essas pessoas que muito por sua
vontade se affastam. Eu sou uma, e minha filha é a outra pessoa
importuna que está impeçonhando o máo ár que este doente respira.
João Lobo
Sua filha?! Pois a snr.ª D. Albertina atormenta seu marido?! V. Ex.ª sem
duvida proferiu um gracejo ou uma ironia, mas ha n'isso alguma coisa que
me punge como principal testemunha do incomparavel amor que esta senhora
tem a seu marido, ou tinha ha poucos dias. E como principal testemunha,
embora não seja chamada, vou depôr n'este pleito, e hei de ser escutado
pela delicadeza de V. Ex.as _(Circumvagando a vista pela sala)_ Falta
alguem no meu auditorio. O tribunal não póde funccionar sem a presença
da snr.ª D. Antonia. Requeiro que seja chamada S. Ex.ª _(O conselheiro
tange a campainha)._
Francisco de Valladares _(erguendo-se com impeto)_
Eu é que me nego a pertencer ao seu auditorio, snr. João Lobo. Querem
sujeitar-me a uma tutella vergonhosa! _(Quer sahir)._
Conselheiro _(retendo-o)_
Não sáia. Prohibe-lh'o a honra de sua mulher. _(A Leonardo que entra)_
Diz á snr.ª D. Antonia que se lhe pede o favor de entrar n'esta sala.
_(Leonardo sáe)._
D. Albertina _(a meia voz)_
Tu precisas de ouvir a minha justificação, Francisco?
Francisco de Valladares _(fixando-a lagrimoso)_
Quem podesse tirar-me de sobre a alma este pezo de infelicidade!..
SCENA XXIII
OS MESMOS, D. ANTONIA E LEONARDO QUE FICA AO FUNDO
_Silencio d'algum segundos. D. Antonia entra sobresaltada_
João Lobo
Ouvi agora dizer, snr.ª D. Antonia, que sua cunhada vae separar-se de
seu marido. Esta má nova commoveu-me tão profundamente quanto eu estava
convencido de que esposos, como estes eram, amantissimos e felizes,
raros se encontrariam, e principalmente nas classes elevadas onde as
apparencias de felicidade conjugal são quasi sempre convencionaes, uma
especie de hypocrisia que é assim mesmo um tal qual respeito que se
presta á virtude. Se V. Ex.ª não sabia isto que me espantou, deve estar
admirada pelo menos...
D. Antonia
Decerto.
João Lobo
E a não ser V. Ex.ª, ninguem como eu póde testemunhar quanto a snr.ª D.
Albertina amava seu marido, posto que, só ha trez mezes fui chamado para
tratar o snr. Valladares; V. Ex.ª porém, que ha cinco annos conhece sua
cunhada em familiar intimidade, decerto póde levantar voz mais
auctorisada em abono d'esta virtuosa senhora. _(Fixam todos D. Albertina
que se mostra mortificada pelo interrogatório)_ Mas, se V. Ex.ª quer ter
a bondade de me conceder a mim a satisfação de ser o primeiro a depôr,
serei eu testemunha, e será V. Ex.ª o juiz. Quando fui chamado á junta
que se fez ao snr. Francisco de Valladares encontrei o seu assistente e
mais facultativos conformes em capitular de incuravel a sua doença.
Recordo-me que ao sahir com os meus collegas da sala da consulta,
encontramos esta senhora na sala immediata com as mãos postas diante de
nós, perguntando se não tinhamos esperança de lhe salvar o esposo.
Ninguem respondia por compaixão; mas eu quasi convencido disse
afoitamente á snr.ª D. Albertina: «seu marido póde restaurar-se, minha
senhora.» Proferidas estas palavras, S. Ex.ª quiz beijar-me as mãos; não
o conseguiu, mas orvalhou-m'as de lagrimas. Comecei o tratamento do snr.
Valladares, por voto do seu assistente. A doença progrediu, desmentindo
os meus vaticinios. Já as esperanças me iam tambem abandonando, e eu a
compenetrar-me das enormes angustias que atormentam a vida do medico,
emquanto elle não sente esfriar-lhe o coração como o dos cadaveres em
que vê desapparecer o orgulho da sciencia. Eu considerava o doente
perdido, quando lhe sobreveio uma pneumonia em extremos de fraqueza. Um
dia, sahi d'aquella alcôva, e encontrei alli de joelhos esta senhora
supplicando-me a vida de seu marido, tão abafada por soluços e perdida
de côres, que, ao levantal-a quasi desmaiada, a amparei nos meus braços
e lhe pedi que suffocasse o chôro para que o doente a não ouvisse.
D'esta vez _(sorrindo)_ recordo-me, sem esconder o riso, que S. Ex.ª,
com a mais perdoavel das prodigalidades, me disse extremamente anciada:
«Eu dou tudo quanto temos a quem salvar meu marido». Vejam como o amor e
a paixão fizeram no elevado espirito d'esta senhora um intervalo de
insensatez!--angelica e sancta insensatez! S. Ex.ª queria dizer talvez
que dava a propria vida pela do esposo; mas o coração antes queria a
indigencia para ambos que vida para um só. Acho mais sublime o
sacrificio dos bens da fortuna. Eu é que não podia acceitar a proposta
sem que o snr. Francisco de Valladares fosse ouvido, por que as
senhoras, segundo o codigo civil, não podem dispôr dos bens do casal...
_(Sorri-se, e vae tomar o pulso ao enfermo)_ Está muito agitado. Se o
estou constrangendo, fecho o depoimento... Dá-me licença que prosiga?..
Mas ainda agora reparo que V. Ex.ª me tem ouvido de pé!.. Eu pedia
que... _(O conselheiro senta-se. D. Antonia tambem com ar de violentada;
D. Albertina permanece em pé, ao lado da poltrona do marido, João Lobo
tambem de pé)._ N'outro dia, tendo-me eu demorado de proposito para dar
tempo aos effeitos d'umas sarjas, foi-me annunciada a visita de uma
senhora que apeava d'uma sege. Eram 7 horas da manhã. Como eu estivesse
ainda recolhido, e minha mãe me dissesse que era a snr.ª D. Albertina
que me procurava afflictivamente, pedi a minha mãe que fosse á sala
receber S. Ex.ª Quando entrei estava a lagrimosa senhora rogando a minha
mãe que me pedisse a mim a salvação de seu marido. O quadro tinha uns
traços de magestosa tristeza! Minha mãe respondia-lhe a chorar que
pediria a Deus, e não ao medico. N'outra occasião, por volta de uma hora
da noute, era eu chamado ao pateo do Club, onde encontrei a esposa do
snr. Valladares. D'esta vez não podia eu já dar-lhe esperanças que não
tinha. Mas vinte e quatro horas depois a febre remittiu, a anciedade
acalmou, o doente sorriu-me, e a esperança renasceu. Mais trez dias
depois, disse eu á snr.ª D. Albertina: «seu marido está livre de
perigo». S. Ex.ª então mais allucinada pelo jubilo do que estivera pela
angustia, abraçou-me, e chamou-me seu querido salvador. Não me chamou
salvador de seu marido; que isto seria uma vulgaridade; chamou-me seu
salvador, como quem diz: «a vida que salvaste é a minha; eu sentia-me
morrer da morte de meu marido». Até aqui o sublime. Agora a loucura da
felicidade. S. Ex.ª foi buscar o seu estojo de joias, poz-m'o entre as
mãos, e disse: «quando tiver esposa dê-lhe esta lembrança da mais feliz
das esposas». Foi-me necessario _(sorrindo)_ convencer aquella senhora
de que eu fiz voto de celibato, e não podia sem infracção do voto
agenciar esposa a quem dar as joias. S. Ex.ª transigiu, e dispensou-me
de quebrantar o proposito. Falta quasi nada á conclusão do meu
depoimento. Depois d'estas commoventes manifestações d'um amor de esposa
virtuosissima, seu mano, snr.ª D. Antonia, influenciado não sei porque
máos espiritos, atira á face sem mancha d'aquella senhora um labeo de
muito injuriosa suspeita. Ora diga-me V. Ex.ª se isto não é injustiça
para fazer chorar os anjos! _(D. Antonia parece quebrantada)._
Conselheiro _(erguendo-se)_
O meu depoimento é mais breve.
D. Albertina _(correndo para o pae)_
Pela vida de minha mãe... por tudo que ha mais nobre e sancto na sua
alma!..
Conselheiro
O que ha mais sancto na minha alma é a tua honra.
D. Albertina
Mas meu marido está seguro da minha innocencia, e não precisa que eu me
justifique.
Conselheiro
Eu é que devo e quero justificar a tua sahida d'esta casa.
Francisco de Valladares
E quem diz a V. Ex.ª que minha mulher sae d'esta casa?
Conselheiro
Nenhum direito obriga minha filha a conciliar-se tão de barato com quem
a infamou. O marido que desacredita sua mulher innocente é apenas... um
baixo calumniador sem direito a impôr-lhe a obrigação de o amar, e muito
menos de o soffrer. Não póde a minha filha morar sob o mesmo tecto da
snr.ª D. Antonia.
D. Albertina _(a D. Antonia a meia voz)_
Mana Antonia, é melhor sahir d'esta sala. Eu vou remediar como puder
este infortunio.
D. Antonia _(erguendo-se animosa)_
Como a senhora quizer. _(Vae sahir)._
Francisco de Valladares _(á irmã)_
Espere!
Conselheiro
O que deu causa á torpe aleivosia d'esta senhora foi minha filha ter
reprehendido brandamente sua cunhada porque as suas tendencias a
perder-se doudamente eram de tal força que nem já o escandalo de descer
ao jardim alta noite escondia dos seus criados.
D. Antonia
Os creados mentem! Que o digam na minha presença. _(O creado que está ao
fundo avança dois passos tranquillamente)._
D. Albertina _(supplicante)_
Está bom, meu pae... pelo divino amor de Deus!
Conselheiro
Espero ser desmentido pelos seus criados, snr.ª D. Antonia! _(Leonardo
dá mais dois passos)._
D. Albertina _(perpassando pelo creado a meia voz)_
Nem uma palavra.
D. Antonia _(a Leonardo)_
Viu-me alguma vez no jardim depois que as portas se fecham? _(Relance
d'olhos entre D. Albertina, e Leonardo)._
Conselheiro
O calumniador por tanto sou eu, minha filha. É deploravel o papel que me
distribues. Menos caridade com os infames, e mais respeito aos meus
cabellos brancos e á tua propria dignidade, Albertina!
D. Albertina
Mas que trance este, meu pae! Terminemos isto, peço a todos por piedade
que terminemos isto!
Francisco de Valladares
Como é que se defende, Antonia? Calumniou Albertina porque ella
reprovava os seus depravados instinctos de mulher que perdeu os brios de
senhora?
D. Antonia
Não quiz calumnial-a, nem os conselhos da mana Albertina me eram
precisos para eu conservar brios de senhora. As mulheres solteiras que
amam não perderam os brios nem são deshonestas.
Francisco de Valladares _(irritado)_
Calumniou ou não?
D. Antonia
Não a quiz calumniar. Calumniada sou eu, quando me dizem que perdi os
brios, e que vou de noute ao jardim, e que...
Conselheiro
E que não vae ao jardim desde que o visconde do Espinhal sóbe facilmente
do jardim ás janellas d'esta casa.
D. Antonia
Quem disse tal?
Leonardo
Fui eu; e, se o não disse, o snr. conselheiro advinhou que eu o queria
dizer.
D. Antonia
Vossê mente! _(Leonardo caminha para uma porta do lado)_.
D. Albertina _(atalhando-o)_
Onde vae?
Leonardo _(a meia voz)_
O visconde está n'esta primeira sala.
D. Albertina _(a meia voz)_
Por piedade não faça isso, Leonardo! _(Alto)_ Eu comprehendo bem a
insistencia da mana Antonia. Ella sabe que eu me ajoelhei aos pés do
snr. João Lobo; sabe que o abracei; sabe que eu fui a casa d'elle: tudo
isto é verdade. O que ella não sabia é que eu pedia ao doutor a vida de
seu irmão quando ajoelhava, e lh'a agradecia cheia de lagrimas quando o
abraçava. No mundo julgam-se assim muitos actos e o mundo não é nem
responsavel nem condemnado. Deus que assim nos fez é por que quer que
assim nos sofframos uns aos outros. A mana Antonia não reflectiu na
intenção dos meus actos. Viu-os pelo lado máo, e julgou-me como era
justo ao seu modo de vêr. Eu sómente me queixo da imprudencia dos seus
juizos.
Francisco de Valladares
Basta. Esta senhora não é imprudente, é infame. Leonardo, dá-me a chave
do meu escriptorio que está no meu quarto. _(Leonardo sae)_ O seu dote,
senhora, é tão opulento que o visconde do Espinhal em troca d'elle vae
dar-lhe um optimo esposo e uma corôa de viscondessa. Vou entregar-lhe
duas inscripções nominaes de 2:000$000. Valem no mercado uma quantia que
sobredoira as suas virtudes. A senhora, recebido o seu dote, retire-se,
e vá fazer ao dote o que fez á herança de virtudes de nossa mãe.
_(Leonardo entrega-lhe a chave. Elle levanta-se convulso)_.
D. Albertina
Onde vaes, meu filho? Não vás... Logo... ámanhã se fará isso, Francisco.
Descança, senta-te.
Francisco de Valladares
Não me afflijas, deixa-me.
D. Albertina
Pois senta-te, e dá-me a chave que eu vou. Eu sei onde estão as
inscripções...
Francisco de Valladares
Vae. _(Da-lhe a chave)._
D. Albertina _(perpassando pela cunhada)_
Não se afflija, que eu espero salval-a. _(Sae)._
SCENA XXIV
OS MESMOS EXCEPTO D. ALBERTINA
Francisco de Valladares
Snr. João Lobo, devo-lhe duas vidas; e mais lhe devo pela da alma, por
este desafôgo do coração... Perdoou-me já, não é verdade, doutor?
João Lobo
Se o snr. Valladares me pede a mim perdão, em que termos ha de pedir a
misericordia de sua senhora?
Francisco de Valladares _(apontando para a irmã)_
E aquella!.. onde irá dar?.. que vergonhas se preparam para o apellido
de minha sancta mãe!..
João Lobo
Eu creio que ella tem um grande e sagrado refugio.
Francisco de Valladares
Qual?
João Lobo
O coração da snr.ª D. Albertina.
SCENA ULTIMA
OS MESMOS, E D. ALBERTINA
D. Albertina
Aqui estão as inscripções.
Francisco de Valladares _(a Leonardo)_
Entregue isto á snr.ª D. Antonia. _(Leonardo demora-se a olhar para o
rôlo com hesitação)._
D. Albertina _(muito carinhosa)_
Então ficas sósinho, Francisco? Sahimos ambas?
Francisco de Valladares
Se sahem ambas?! Sahires tu, minha querida Albertina! Deixa-me então
ajoelhar a teus pés, e rogar o teu perdão com as mais contrictas
lagrimas que a minha alma te póde dar! _(Ajoelha)._
D. Albertina _(erguendo-o)_
Meu filho, estás perdoado com uma condição. Se esta fôr penosa, tem
paciencia; peço-te que a acceites, em desconto das angustias que me
despedaçaram desde o instante em que estive perdida para o teu coração.
Acceitas a condição, meu querido amigo?
Francisco de Valladares
Qual condição?!
D. Albertina _(tomando a mão da cunhada)_
Has de perdoar-lhe... _(Sorrindo)_ ou eu não perdôo.
Francisco de Valladares
Então é certo que és uma sancta, minha filha?
D. Albertina
Não sou sancta; sou apenas uma mulher que se esforça por que tu sejas
sempre um anjo de bondade.
FIM.
* * * * *
Pertencem ao auctor os direitos provenientes da representação dos dois
dramas que formam este livro.
Porto 30 de Dezembro de 1870.
CAMILLO CASTELLO BRANCO.
* * * * *
ERRATAS ESSENCIAES
PAG. LINH. ERROS EMENDAS
35 1 passarôl passarôlo
41 8 de de marido de marido
43 14 estando em Beja estando eu em Beja
46 15 precedencia procedencia
68 ult. conhecidos conhecido
104 15 Em Lisboa Em Lisboa?
117 4 snr.ª viscondessa? senhora viscondessa!
120 14 espirito de venturoza espirito de ventosa
122 8 VISCONDE VISCONDESSA
» 9 Visconde Viscondessa
134 14 com o pesar d'esse cadaver com o pezo d'esse cadaver
140 9 que se chama que se chamou
144 4 pois que depois que
* * * * *
PORTO--IMPRENSA PORTUGUEZA
Rua do Bomjardim, 181.