SONETO.

Ha junto do Parnaso um turvo lago,

Aonde em rans existem transformados

Os trovistas de cascos esquentados,

Cerebro frouxo, ou de miolo vago:

Por mais infamia sua, e mais estrago,

Doou-lhes Phebo os animos damnados,

P'ra que exprimam em versos desazados

Os seus destinos vís, nos quaes eu cago;

Aqui Bocage vive, e d'aqui ralha,

E co'a tartarea lingua ponti-aguda

Bons e maus, maus e bons, tudo atassalha:

É vil insecto, e o genio atroz não muda,

Bem como a escura côr não muda a gralha,

E o hediondo fedor não perde a arruda.

(_J. Franco_.)

Poesias Eroticas, Burlescas, e Satyricas de M.M. de Barbosa du Bocage não comprehendidas na edição que das obras d'este poeta se publicou em Lisboa, no anno de MDCCCLIII. · 第 189 / 208 题