XLIX

Levanta Alzira os olhos pudibunda

Para ver onde a mão lhe conduzia;

Vendo que n'ella a porra lhe mettia

Fez-se mais do que o nacar rubicunda:

Tóco o pentelho seu, tóco a rotunda

Lisa bimba, onde Amor seu throno erguia;

Entretanto em desejos ella ardia,

Brando liquor o passaro lhe inunda:

C'o dedo a greta sua lhe coçava;

Ella, machinalmente a mão movendo,

Docemente o caralho me embalava:

«Mais depressa» — lhe digo então morrendo,

Em quanto ella signaes do mesmo dava;

Mistica pivia assim fômos comendo.

L

Uma empada de gallico á janella,

Fazendo meia, alinhavando trapos,

Em quanto a guerra faz tudo em farrapos,

Pondo o honrado a pedir, e a virgem bella!

Vai a trombuda, sordida michela

Fazendo guerra a marujaes marsapos,

E sem que d'estes mil lhe façam papos,

C'o sesso tambem dá ás porras tréla:

Tudo em metal por dous canaes ajunta;

Recrutas nunca teme, e do Castello

Se ri, que aos belleguins as mãos lhes unta:

Nas publicas funcções vai dar-se ao prelo;

Minh'alma agora, meu leitor, pergunta

Se o ser puta não é officio bello?

Poesias Eroticas, Burlescas, e Satyricas de M.M. de Barbosa du Bocage não comprehendidas na edição que das obras d'este poeta se publicou em Lisboa, no anno de MDCCCLIII. · 第 144 / 208 题