XLVIII

Quando no estado natural vivia

Mettida pelo matto a especie humana,

Ai da gentil menina deshumana,

Que á força a greta virginal abria!

Entrou o estado social um dia;

Manda a lei que o irmão não foda a mana,

É crime até chuchar uma sacana,

E péza a excommunhão na sodomia:

Quanto, lascivos cães, sois mais ditosos!

Se na egreja gostais de uma cachorra,

Lá mesmo, ante o altar, fodeis gostosos:

Em quanto a linda moça, feita zorra,

Voltando a custo os olhos voluptuosos,

Põe no altar a vista, a idéa em porra.

Poesias Eroticas, Burlescas, e Satyricas de M.M. de Barbosa du Bocage não comprehendidas na edição que das obras d'este poeta se publicou em Lisboa, no anno de MDCCCLIII. · 第 143 / 208 题