XII

Amar dentro do peito uma donzella;

Jurar-lhe pelos ceos a fé mais pura;

Falar-lhe, conseguindo alta ventura,

Depois da meia noute na janella:

Fazel-a vir abaixo, e com cautela

Sentir abrir a porta, que murmura;

Entrar pé ante pé, e com ternura

Apertal-a nos braços casta, e bella:

Beijar-lhe os vergonhosos, lindos olhos,

E a bocca, com prazer o mais jucundo,

Apalpar-lhe de neve os dous pimpolhos:

Vêl-a rendida em fim a Amor fecundo;

Ditoso levantar-lhe os brancos folhos;

É este o maior gosto, que ha no mundo.

(D.)

Poesias Eroticas, Burlescas, e Satyricas de M.M. de Barbosa du Bocage não comprehendidas na edição que das obras d'este poeta se publicou em Lisboa, no anno de MDCCCLIII. · 第 107 / 208 题