Amar dentro do peito uma donzella;
Jurar-lhe pelos ceos a fé mais pura;
Falar-lhe, conseguindo alta ventura,
Depois da meia noute na janella:
Fazel-a vir abaixo, e com cautela
Sentir abrir a porta, que murmura;
Entrar pé ante pé, e com ternura
Apertal-a nos braços casta, e bella:
Beijar-lhe os vergonhosos, lindos olhos,
E a bocca, com prazer o mais jucundo,
Apalpar-lhe de neve os dous pimpolhos:
Vêl-a rendida em fim a Amor fecundo;
Ditoso levantar-lhe os brancos folhos;
É este o maior gosto, que ha no mundo.
(D.)