VIII

De teu rival, mancebo, nota o modo,

E tu sempre diverso modo segue:

Não basta ser sómente amante novo,

É tambem necessaria nova forma.

Se elle inquieto namora, tu sisudo,

Se indecente se mostra, tu modesto;

Se triste se apresenta, tu alegre;

Se acanhado se mostra, tu mais livre;

Mas toma sempre virtuoso gesto,

Só lhe pareça teu amor franqueza.

Não ha no mundo tão lascivo monstro

Que a virtude não preze mais que o vicio;

E julga sempre a feminina turba

D'elles alheio quem se mostra casto:

A flamma do Ciume tambem queima,

E torra brandas mulherís entranhas;

Nem vibora raivosa, que pisada

Do vago caminhante se exaspera,

Nem besta furiosa, em cujas fauces

O nú selvagem crava a setta aguda,

Mais iradas se accendem, do que a turba,

Quando ciosa se exaspera, e arde.

O ciume foi ferro, a cujo golpe

Banhou teu sangue, oh forte Pyrrho, as aras,

Foi elle a chamma, que abrasou Semele:

Em feroz urso transformou Calixto;

(Eu mesmo, eu mesmo… Mas a dôr me impede,

Tu, suberbo rapaz da Idalia, o dize!

Ah! formosa Corinna! Não te engano,

Só me abraso por ti, só por ti morro!…)

Porém sulquemos novos mares, fuja

Nosso veloz batel longe da praia.

Poesias Eroticas, Burlescas, e Satyricas de M.M. de Barbosa du Bocage não comprehendidas na edição que das obras d'este poeta se publicou em Lisboa, no anno de MDCCCLIII. · 第 77 / 208 题