D. Victoria parou a olhal-a, estupefacta.

--Que é isso, Lena? Santo nome de Deus! tu que tens, menina?

--É que ha momentos, minha tia,--respondeu Magdalena, fitando-a com os

olhos arrazados de lagrimas--em que eu não sei como se resiste á

loucura; em que, para não duvidarmos de nós mesmos, é necessario duvidar

da Providencia, que dizem que protege os bons.

E levantando-se n'esta agitação nervosa, saiu da sala, suffocada pelos

soluços.

D. Victoria interrogou Henrique a respeito da causa d'este episodio, que

ella não podia comprehender.

Henrique respondeu simplesmente:

--Succedeu, minha senhora, que a carta encontrada na pasta do sr.

Augusto parece-se muito com aquella de cujo extravio o sr. conselheiro

se queixa e que foi publicada nos periodicos de Lisboa.

D. Victoria esteve algum tempo a pensar na verdadeira significação da

resposta.

--Mas... n'esse caso... visto isso...

--Visto isso, só o sr. Augusto pode explicar o mysterio que inda ha

pouco nos preoccupava a todos. Os meus presentimentos malignos tinham

infelizmente um fundo de verdade.

A Morgadinha dos Cannaviaes (Chronica da aldeia) · 第 49 / 66 题