Quando mana Rita veiu trazer-me a noticia oficial do cazamento
mostrei-lhe a minha carta de participação, e fiz um gesto de triunfo,
perguntando-lhe quem tinha razão no cemiterio, ha um anno. Ainda uma
vez concordou que era eu, mas emendou em parte, dizendo que a nossa
aposta é que ella cazaria commigo, e citou a aposta entre Deus e o
Diabo a proposito de Fausto, que eu lhe li aqui em caza no texto de
Goethe.
--Não, trapalhona, você é que me incitou a tental-o, e desculpou a
minha idade, com palavras bonitas, lembra-se?
Lembrava-se, sorrimos, e entrámos a falar dos noivos. Eu disse bem
de ambos, ella não disse mal de nenhum, mas falou sem calor. Talvez
não gostasse de ver cazar a viuva, como se fosse cousa condenavel ou
nova. Não tendo cazado outra vez, pareceu-lhe que ninguem deve passar
a segundas nupcias. Ou então (releve-me a doce mana, se algum dia ler
este papel), ou então padeceu agora taes ou quaes remorsos de não
havel-o feito tambem... Mas, não, seria suspeitar de mais de pessoa tão
excelente.
Ahi fica, mal resumida, a nossa conversação. Não falámos da data do
cazamento, nem da partida do cazal, se partisse. Rita era pouca para
referir anedotas, repetir ditos e boatos, nenhum malevolo nem feio,
todos interessantes, ouvidos á gente Aguiar.
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Seis horas da tarde.
Vim agora da rua, onde me confirmaram que o corretor Miranda teve hoje
de manhã uma congestão cerebral. Rita só me falou disso ao sair daqui,
e esqueceu-me escrevel-o. Estavamos no patamar da escada quando ella me
contou que ouvira a noticia, no bonde, a dous desconhecidos.
--Só agora é que você me dá esta novidade? disse-lhe eu. Tem razão; a
vida tem os seus direitos imprescritiveis; primeiro os vivos e os seus
consorcios; os mortos e os seus enterros que esperem.
Tambem eu fiz o mesmo; só agora falo do homem.
* * * * *