A alegria do cazal Aguiar é cousa manifesta. Marido e mulher andam
a inventar ocasiões e maneiras de viver com os dous e com alguns
amigos, entre os quaes parece que me contam. Jantam, passeiam, e se
não projetam bailes é porque os não amam de si mesmos, mas se Fidelia
e Trintão os quizessem, estou que elles os dariam. A verdade, porém,
é que os dous hospedes não chegaram a tal ponto, mormente Fidelia que
se contenta de conversar e sorrir; não vae a teatros, nem a festas
publicas.
Os passeios são recatados pela hora e pelos logares. Ou vão as duas
sós, ou se elles vão tambem, trocam-se ás vezes, dando Aguiar o braço
a Fidelia, e D. Carmo aceitando o de Tristão. Assim os encontrei ha
dias na rua de Ipiranga, eram cinco horas da tarde. Os dous velhos
pareciam ter certo orgulho na felicidade. Ella dizia com os olhos e
um riso bom que lhe fazia luzir a pontinha dos dentes toda a gloria
daquelle filho que o não era, aquelle filho morto e redivivo, e o rapaz
era atenção e gosto tambem. Quanto ao velho não ostentava menos a sua
delicia. Fidelia é que não publicava nada; sorria, é certo, mas pouco
e cabisbaixa. E lá foram andando, sem darem por mim, que vinha pela
calçada oposta.
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