Não ha alegria publica que valha uma boa alegria particular. Saí agora
do Flamengo, fazendo esta reflexão, e vim escrevel-a, e mais o que lhe
deu origem.
Era a primeira reunião do Aguiar; havia alguma gente e bastante
animação. Rita não foi; fica-lhe longe e não dá para isto, mandou-me
dizer. A alegria dos donos da casa era viva, a tal ponto que não a
atribui somente ao facto dos amigos juntos, mas tambem ao grande
acontecimento do dia. Assim o disse por esta unica palavra, que me
pareceu expressiva, dita a brazileiros:
--Felicito-os.
--Já sabia? perguntaram ambos.
Não entendi, não achei que responder. Que era que eu podia saber já,
para os felicitar, se não era o facto publico? Chamei o melhor dos meus
sorrisos de acordo e complacencia, elle veiu, espraiou-se, e esperei.
Velho e velha disseram-me então rapidamente, dividindo as frases, que
a carta viera dar-lhes grande prazer. Não sabendo que carta era nem de
que pessoa, limitei-me a concordar:
--Naturalmente.
--Tristão está em Lisboa, concluiu Aguiar, tendo voltado ha pouco da
Italia; está bem, muito bem.
Comprehendi. Eis ahi como, no meio do prazer geral, pode aparecer
um particular, e dominal-o. Não me enfadei com isso; ao contrario,
achei-lhes razão, e gostei de os ver sinceros. Por fim, estimei que
a carta do filho postiço viesse após annos de silencio pagar-lhes
a tristeza que cá deixou. Era devida a carta; como a liberdade dos
escravos, ainda que tardia, chegava bem. Novamente os felicitei, com ar
de quem sabia tudo.
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