12 de Janeiro.

Na conversa de ante-hontem com Rita esqueceu-me dizer a parte relativa

a minha mulher, que lá está enterrada em Vienna. Pela segunda vez

falou-me em transportal-a para o nosso jazigo. Novamente lhe disse que

estimaria muito estar perto della, mas que, em minha opinião, os mortos

ficam bem onde caem; redarguiu-me que estão muito melhor com os seus.

--Quando eu morrer, irei para onde ella estiver, no outro mundo, e ella

virá ao meu encontro, disse eu.

Sorriu, e citou o exemplo da viuva Noronha que fez transportar o marido

de Lisboa, onde faleceu, para o Rio de Janeiro, onde ella conta acabar.

Não disse mais sobre este assunto, mas provavalmente tornará a elle,

até alcançar o que lhe parece. Já meu cunhado dizia que era seu costume

della, quando queria alguma cousa.

Outra cousa que não escrevi foi a alusão que ella fez á gente Aguiar,

um cazal que conheci a ultima vez que vim, com licença, ao Rio de

Janeiro, e agora encontrei. São amigos della e da viuva, e celebram

daqui a dez ou quinze dias as suas bodas de prata. Já os visitei

duas vezes e o marido a mim. Rita falou-me delles com simpatia e

aconselhou-me a ir comprimental-os por ocasião das festas anniversarias.

--Lá encontrará Fidelia.

--Que Fidelia?

--A viuva Noronha.

--Chama-se Fidelia?

--Chama-se.

--O nome não basta para não cazar.

--Tanto melhor para você, que vencerá a pessoa e o nome, e acabará

cazando com a viuva. Mas eu repito que não caza.

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Memorial de Ayres · 第 12 / 174 题