Na conversa de ante-hontem com Rita esqueceu-me dizer a parte relativa
a minha mulher, que lá está enterrada em Vienna. Pela segunda vez
falou-me em transportal-a para o nosso jazigo. Novamente lhe disse que
estimaria muito estar perto della, mas que, em minha opinião, os mortos
ficam bem onde caem; redarguiu-me que estão muito melhor com os seus.
--Quando eu morrer, irei para onde ella estiver, no outro mundo, e ella
virá ao meu encontro, disse eu.
Sorriu, e citou o exemplo da viuva Noronha que fez transportar o marido
de Lisboa, onde faleceu, para o Rio de Janeiro, onde ella conta acabar.
Não disse mais sobre este assunto, mas provavalmente tornará a elle,
até alcançar o que lhe parece. Já meu cunhado dizia que era seu costume
della, quando queria alguma cousa.
Outra cousa que não escrevi foi a alusão que ella fez á gente Aguiar,
um cazal que conheci a ultima vez que vim, com licença, ao Rio de
Janeiro, e agora encontrei. São amigos della e da viuva, e celebram
daqui a dez ou quinze dias as suas bodas de prata. Já os visitei
duas vezes e o marido a mim. Rita falou-me delles com simpatia e
aconselhou-me a ir comprimental-os por ocasião das festas anniversarias.
--Lá encontrará Fidelia.
--Que Fidelia?
--A viuva Noronha.
--Chama-se Fidelia?
--Chama-se.
--O nome não basta para não cazar.
--Tanto melhor para você, que vencerá a pessoa e o nome, e acabará
cazando com a viuva. Mas eu repito que não caza.
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