+MINIATURA+
O ceo puro e sereno,
O mar auri-fulgente,
O ar tepido, ameno,
O campo sorridente,
A rama do arvoredo,
A frança dos salgueiros,
A voz do fragoedo,
Que limpidos ribeiros!
Ao fundo entre a folhagem
Beijada pela aragem
Risonha reclinada
Estavas tu, Elvira.
Eu empunhando a lyra
Cantei a minha amada.
Angra do Heroismo,
1982
+DESCRENÇA+
Trabalho. E cada dia que decorre
Vem trazer-me maior desilusão.
É mais uma esperança que me morre,
É mais um fundo golpe ao coração.
E acreditava, louco, no direito!
E cria, visionario, na honradez!
Inda abrigava puras no meu peito
Illusões que este pantano desfez!
A ganancia, a ambição, a intriga vil,
Como sapos e rãs n'um lodaçal,
Asquerosos, vão tudo macular.
Vence o ladrão, o nescio, o imbecil
Oh! Quem tivesse o rir de Juvenal,
Um raio pr'a orgia fulminar!