Lisboa, 1890

+MINIATURA+

O ceo puro e sereno,

O mar auri-fulgente,

O ar tepido, ameno,

O campo sorridente,

A rama do arvoredo,

A frança dos salgueiros,

A voz do fragoedo,

Que limpidos ribeiros!

Ao fundo entre a folhagem

Beijada pela aragem

Risonha reclinada

Estavas tu, Elvira.

Eu empunhando a lyra

Cantei a minha amada.

Angra do Heroismo,

1982

+DESCRENÇA+

Trabalho. E cada dia que decorre

Vem trazer-me maior desilusão.

É mais uma esperança que me morre,

É mais um fundo golpe ao coração.

E acreditava, louco, no direito!

E cria, visionario, na honradez!

Inda abrigava puras no meu peito

Illusões que este pantano desfez!

A ganancia, a ambição, a intriga vil,

Como sapos e rãs n'um lodaçal,

Asquerosos, vão tudo macular.

Vence o ladrão, o nescio, o imbecil

Oh! Quem tivesse o rir de Juvenal,

Um raio pr'a orgia fulminar!

Lyra da Mocidade Primeiros Versos · 第 24 / 28 题