Ensaiado o nosso discipulo em todas as minusculas por sua ordem, resta
apresentar-lhe as maiusculas. Bastava metade, pela similhança de
C I J K O P S U V X Y Z
com c i j k o p s u v x y z.
Mas uma cartilha sem alfabeto, sería um escandalo. Evitemol-o.
O alfabeto é um cahos.
Se olhais ao som, e quereis tomar por base o ouvido, achais as vogaes
misturadas com as consoantes: se olhais á pronuncia, e quereis tomar por
base os orgãos da palavra, achais gutturaes e labiaes, consoantes de valor
extremo e opposto no meio d'aquella babel.
A velha divisão de vogaes e consoantes não tem melhor fundamento.
Consoantes são as que se lêem com as _soantes_? Nesse caso a divisão
natural sería _soantes_ e _consoantes_. Mas nem as vogaes são unicamente
_soantes_, nem são unicamente as _soantes_.
A inflexão _x_... soa. Os caracteres que a representam são _soantes_.
Ainda soa mais a inflexão _rr_...; e nessa ha mais do que som, ha tom, voz.
Prolongai-a e, melhor, parai com a lingua, continuando o mesmo fôlego,
ouvireis um tom apreciavel na escala, que até se pode tomar por tónica
d'uma oitava: é a voz que o repique da lingua está abafando e embaraçando.
Porque toda a voz é essencialmente musical: a mais frouxamente proferida,
em se prolongando, afina ou desafina com a nota d'um instrumento.
Não ha differença essencial entre a palavra e o canto; e com razão chamaram
vogaes (ou vocaes) as letras que representam os principaes elementos da
palavra.
Mas, por isso, chamar consoantes a todas as outras, envolve impropriedade.
Todos os sons soam; dizer que as vozes soam, não é bastante: as vozes
_cantam_. E alem de impropriedade, é uma syntese exagerada.
Porque na palavra ha vozes, ha tons, ha sons e ha simples modificações _sem
tom nem som_, que se percebem na palavra como se percebe na nota da rabeca
a unha ou o arco. Nem a unha nem as sedas do arco são elementos fonicos:
fazem soar de certo modo, sem que por si soem. Ora a estes quatro elementos
da palavra, que formam como uma escala: