Chegámos finalmente ao _n_, última das consoantes incertas, que á
similhança do _m_ umas vezes é letra, representando inflexão; outras vezes
é simples signal nasal, valendo de til; outras vezes nem representa
inflexão nem vale de til; outras vezes vale de til e representa inflexão; e
ainda outras vezes, accentuado ou carregado com o _h_, vale a inflexão
conhecida, de que havemos de tratar.
Propriamente um caracter só é letra quando representa um elemento mais ou
menos distincto da palavra fallada. Ninguem diz que _vã_ se escreve com
tres letras, porque nem a anályse nem o ouvido distinguem senão duas partes
nessa palavra. Ora se em _vã_ ha só duas letras, tambem ha só duas letras
em _van_. Se chamamos letra a este último caracter, é referindo-nos ao
papel que elle muitas vezes representa, e para não estarmos com explicações
e rigores desnecessarios: mas fallando com exactidão, aqui o _n_ não passa
dum signal.
Quando é letra profere-se pegando a lingua ao ceo da bôca: pegando-se ou
despegando-se; estes termos são geralmente reciprocos no valor fysiologico
das letras; para se despegar, tem de se pegar. Mas se merecesse a pena
levar a anályse a uma certa altura, diriamos que mais consiste aquella
inflexão no apego que no despego, pois como se póde observar em _iman_,
_pollen_, _talisman_, em summa nas palavras onde o _n_ final vale inflexão,
este _n_ profere-se perfeitamente deixando a lingua pegada ao ceo da bôca:
o mesmo que dissemos do _l_, ao qual, apezar da differença para o ouvido,
se assemelha muito na pronuncia.
Por isso bom é recommendar ao alumno, na leitura do _n_ final, o que
dissemos a respeito do _l_.
Este _n_ final valendo inflexão (e sempre tambem de til, pela influencia
nasal retroactiva, que indicámos a respeito do _m_) é raro. Poucas são as
palavras que assim acabam. E é só nessas palavras que a ortografia moderna
o admitte. Caiu em desuso escrever _van_, _lan_, _manhan_. O _n_ final
valendo de til, foi com razão substituido pelo til.
Nesta qualidade de til, o mesmo que dissemos do _m_ lhe é applicavel.
Nasala a vogal anterior quando não tem vogal adiante, dando-se tambem casos
excepcionaes como succede com o _m_, porém esta é a regra. Nós lemos:
_an_da, _en_te, _in_do, _on_da, _un_to, do mesmo modo que: _ã_da, _ẽ_te,
_ĩ_do, _õ_da, _ũ_to.
Como letra, nasalando ao mesmo tempo a vogal anterior, temos milhares de
exemplos: todos lemos: u_fa_no, _pe_na, _ti_na, _to_na, _pu_na, como se
estivesse escrito u_fã_no, _pẽ_na, _tĩ_na, _tõ_na, _pũ_na.
Escrito só por etymologia, tambem não escaceiam exemplos. Em _annel_,
_anniversario_, _annunciar_, etc., o primeiro _n_ não tem nenhum valor.
Resumindo esta doutrina ao nosso discipulo:
—_Que letra é esta?_—Netil.
—_Porque se chama_ netil?—_Porque umas vezes vale_ n', _outras vezes vale
de_ til.
—_Quando vale_ n'?—_Em tendo vogal adiante._
—_E quando vale de_ til?—_Em não tendo vogal adiante._
—_Portanto com_ a, e, i, o, u _atraz_, _como se lê_?—_Lê-se_ ã, ẽ, ĩ, õ, ũ.
Adverte-se a excepção do _n_ final.
n
nós nau cli|na
no|mes ma|nos
na|da me|ni|nos
a|nões per|nas
i|ma|gi|na|vam
car|ne es|qui|na
a|fi|na|ção não
som|no i|man
an = ~
en in on
un
an|tes sin|ge|lo
an|ca se|gun|do
ban|co an|dam
an|cias brin|co
an|jo tran|cam
en|ten|di|men|to