Entre as mulheres que, em França, mais se teem distinguido na gloriosa
campanha, em favor da emancipação da mulher, seria ingratidão esquecer
Madame Paule Mink, que, ainda nas ultimas eleições, foi apresentada como
candidata á deputação por Paris.
[Gravura: M.me Paule Mink]
Conheci-a, em Madrid, por occasião do centenario de Colombo. Era
delegada ao congresso dos livres pensadores e fôra-me recommendada por
Benoit Malon e P. Argyriadés.
Modesta, despretenciosa e dedicada, Madame Paule Mink tem sido para
muitos uma incomprehendida, mas é seguramente para todos um bello e
luminoso talento, engastado n'um coração de oiro.
Quem a visita, na sua casa de Paris, encontra-a sempre rodeada das suas
gentis filhas que estremece e adora, e absorvida pela leitura dos seus
authores predilectos. É uma mãe disvelada e terna e uma companheira leal
e affectuosa.
Madame Paule Mink fez parte da Communa de Paris, e ainda ultimamente,
por occasião da greve de Pas de Calais, foi presa, no momento em que se
preparava para fazer uma conferencia, e depois julgada e condemnada.
As perseguições teem-lhe avigorado ainda mais, se é possivel, as
convicções purissimas. Nada a contraria e nada a desalenta. Faz
consistir toda a sua felicidade, no amor de seus filhos e na dedicação
pela causa a que se entregou de corpo e alma. É uma altruista, no bom e
verdadeiro sentido da palavra. Não conhece obstaculos e não conhece
sacrificios. Nem as privações, nem as difficuldades da vida, lograram
jámais perturbar-lhe o animo ou aniquilar-lhe a vontade indomavel. Não é
só uma mulher forte; é tambem um grande e superior caracter, e, n'este
duplo aspecto, reside o segredo do seu poder, como evangelista e como
propagandista da causa social.
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