Na sociedade nova, a mulher, gosando de inteira independencia, não
estará mais exposta a qualquer dominio ou exploração, e tornar-se-ha a
egual do homem. Receberá a mesma educação que o homem, excepto nas
especialidades em que a differença de sexo exige uma cultura especial.
Como o homem, ella poderá pois, desenvolver livremente as suas forças,
as suas capacidades physicas e intellectuaes, e escolher, para a esphera
da sua actividade, o que fôr conforme aos seus gostos e ás suas
aptidões.
Pelo que respeita ao amor, a mulher gosará de tanta liberdade como o
homem. Poderá, pelos mesmos titulos, manifestar os sentimentos que elle
lhe inspirar. Na sua união, não será guiada senão pelo amor, como
nos tempos primitivos. Tal união dependerá de uma simples combinação
particular, sem o concurso de nenhum funccionario, com a differença de
que a mulher deixará de ser a escrava do homem e não lhe será dada como
um presente ou uma mercadoria.
Devemos pois, trabalhar para esse futuro proximo que ha de inaugurar o
regimem das uniões monogamicas, livremente contractadas, e, em ultimo
caso, tambem livremente dissolvidas, por simples consentimento mutuo, á
semelhança do que se faz já hoje com os divorcios, nos diversos paizes
europeus, em Genebra, na Belgica, na Roumania, etc., e com a separação
na Italia.
O discernimento, a instrucção e a independencia facilitarão as uniões.
No caso em que a antipathia, o desgosto, e a incompatibilidade de genio
succedessem ao amor, entre o homem e a mulher, a moral impôr-lhes-hia o
dever de romperem uma união, que, não sendo já baseada sobre o affecto,
se havia tornado anormal.
N'uma palavra, sendo supprimida a herança, os casamentos de mero
interesse deixarão de ter uma razão de ser.
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