O MILITARISMO.--DOMELA NIEUWENHUIS.

Em caso de guerra, qual deverá ser a attitude do partido operario

socialista?--perguntava-se no congresso de Zurich.

Domela Nieuwenhuis, o sympathico e benemerito chefe do socialismo na

Hollanda, já havia respondido a esta pergunta no congresso de Bruxellas,

em 1891.

Em caso de guerra, aconselhava Nieuwenhuis a _proclamação de uma gréve

militar e de uma gréve geral_. Esta mesma idéa havia já sido enunciada

na mesma cidade de Bruxellas, em 1868, por occasião do Congresso da

Associação Internacional dos Trabalhadores. Por unanimidade havia sido

approvada a resolução seguinte:

«O congresso recommenda, sobretudo, aos trabalhadores a suspensão de

todo o trabalho, no caso em que uma guerra viesse a explodir nos seus

respectivos paizes. O congresso conta sufficientemente com o espirito de

solidariedade, que anima os trabalhadores, que não se negarão a prestar

o seu apoio a esta guerra dos povos contra a guerra.»

Cesar de Paepe propôz dois meios:

1.º A recusa em satisfazer o serviço militar, ou, o que vale o mesmo, a

gréve geral;

2.º A resolução definitiva da questão social, ou, por outros termos, a

revolução social na Europa.

O militarismo não póde ser combatido com simples protestos. Á guerra é

mister oppôr a guerra, diz muito bem Domela Nieuwenhuis. Já era este

tambem o grito de Victor Hugo. Guerra á guerra! Morte á morte!

[Gravura: Domela Nieuwenhuis]

Não basta só condemnar a guerra. É mister impedil-a, por todos meios,

evital-a e _deshonral-a_, ainda na phrase do Mestre.

No manifesto, feito por occasião da guerra civil em França, e redigido

por Karl Marx, o conselho geral da Internacional declarou que, no longo

curso da historia, uma unica guerra podia justificar-se--era a guerra

dos escravos contra os senhores. Eis o motivo porque, em caso de guerra,

nós devemos responder, recusando-nos ao serviço militar, quer dizer,

proclamando a guerra civil. O partido socialista quer acabar com as

guerras nacionaes, substituindo-as pela guerra internacional, cujo

ultimo resultado será a emancipação do proletariado.

Propômos a gréve geral, sobretudo nos officios e profissões, que tenham

qualquer relação com a guerra, porque isso póde ser de grande

utilidade.

Com effeito, se, em caso de proclamação de hostilidades, os operarios

fizerem tudo quanto poderem, para destruir as rêdes telegraphicas, os

_rails_, as machinas, numa palavra para impedir o encontro dos

exercitos, é claro que a guerra se tornará impossivel.

Apesar de tudo--concluia Domela Nieuwenhuis[5]--continuaremos a nossa

propaganda, para fazer germinar a idéa da _recusa de serviço em caso de

guerra_, acompanhada de uma _grève_ geral. Esta idéa fará o seu caminho.

O proletariado deve arriscar o seu sangue unicamente contra o seu unico

e verdadeiro inimigo: _o capitalismo_.

* * * * *

O Primeiro de Maio · 第 67 / 101 题