O CONGRESSO

As sessões do congresso realisaram-se n'um vasto salão de concertos, um

dos mais espaçosos da cidade, o _Tonhalle_, rodeado por uma enorme

galeria, onde podiam accommodar-se muitas centenas de pessoas. Ao fundo,

n'uma especie de palco, coberto de verdura e ornado com os estandartes

das associações, destacava-se um magnifico retrato em busto de Karl

Marx. Em redor e collada á galeria, a inscripção do chefe, impressa em

grandes caracteres, e traduzida em vinte e duas linguas: «_Proletarios

de todo o mundo, uni-vos!_»

Grandes mesas, collocadas parallelamente umas ás outras, enchiam o

vastissimo salão, sendo cada uma d'ellas occupada pelos representantes

de uma dada nacionalidade.

A representação da Allemanha não augmentara. Era quasi a mesma do

congresso de Bruxellas. Á frente d'ella encontravam-se Liebknecht, Bebel

e Singer. A novidade foi a representação dos novos, hostis ao velho

grupo; e d'entre esses, chamados os independentes, devemos destacar

Werner e Körner.

Da Belgica, estavam Hector Denis, Jean Volders e Emile de Vanderwelde;

da Hollanda, Domela Nieuwenhuis; da Hespanha, Pablo Iglesias; da

Roumania, Mille; da Inglaterra, Max Avelling: da França, Allemane,

Argyriadés, Jaclard, Veber, Degay, Borlioz; da Austria, Adler, Fankel.

Augmentára consideravelmente a representação da Italia.

Além de Madame Anna Koulischoff e Turati, um sociologo eminente e

director da _Critica social_, de Milão, assistiam ao congresso Antonio

Labriola, lente cathedratico da Universidade de Roma; Prampolini,

deputado, etc.

Entre as senhoras que tomaram assento na assembléa, notavam-se, como

acima deixamos dito, Anna Koulischoff, russa, antiga nihilista, que fez

o seu curso na Universidade de Milão, onde hoje exerce a clinica; Madame

Mendelssohn, da Varsovia, casada com Mendelssohn, que fôra expulso de

Paris, por nihilista; Madame Vera Sassulich, a notavel heroina que, em

1878, desfechou o seu rewolver sobre o general Trepoff, o miseravel

chefe de policia de S. Petersburgo, inimigo dos nihilistas e que tantas

victimas arremessou para a Siberia. Trepoff morreu e Vera Sassulich, a

grande libertadora, emigrou, sob um nome supposto, escapando ao furor

das auctoridades russas, e vivendo ora na Italia, ora na Suissa. É uma

mulher de armas, no bom sentido da palavra, honesta, intransigente e

sincera e devotada amiga da liberdade e da humanidade.

[Gravura: Frederico Engels]

O congresso foi encerrado com a grata e inesperada apparição do velho

companheiro e continuador de Marx--Frederico Engels. Quando o presidente

annunciou que se achava na sala um dos illustres precursores do

socialismo, todos se pozeram de pé, e no palco surgiu, então, a figura

gloriosa de Engels. O enthusiasmo foi indescriptivel. Uma estrondosa

salva de palmas coroou esta agradavel surpresa. _Viva a

Communa!_--gritou a delegação francesa. _Viva Engels!_--exclamaram todos

numa voz unisona, formidavel e estridente.

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O Primeiro de Maio · 第 20 / 101 题