O congresso confirma a resolução do congresso de Bruxellas, assim
concebida:
O congresso, afim de conservar ao 1.º de Maio o seu verdadeiro
caracter de reivindicação do dia normal de 8 horas de trabalho e de
affirmação de lucta de classes, resolve:
Que deve fazer-se uma manifestação unica em que tomem parte os
trabalhadores de todos os paizes;
Que esta manifestação se realise no dia 1.º de maio, e se suspenda o
trabalho, n'esse dia, em toda a parte onde seja possivel fazel-o.
Adopta tambem a emenda seguinte:
A democracia socialista de cada paiz tem o dever de empregar todos
os seus esforços para conseguir a suspensão do trabalho no dia 1 de
maio, encorajando todas as tentativas feitas, n'este sentido, pelas
differentes organisações locaes.
O congresso resolve mais:
A manifestação do 1.º de maio, pelo dia normal de 8 horas de
trabalho, deve, ao mesmo tempo, ser, nos diversos povos, a
affirmação da energica vontade que anima o proletariado moderno de
pôr um termo, por meio da revolução social, ás desegualdades de
classes, devendo tambem manifestar o pensamento commum ao
proletariado de alcançar, pelas reformas sociaes, a paz universal,
como uma consequencia da paz obtida dentro de cada nação.
(_Congresso de Zurich._--Resolução tomada na sessão de 11 de agosto
de 1893).
A celebração do primeiro de maio, significa e representa, ao mesmo
tempo, uma affirmação e um protesto: affirmação de direito e de justiça
contra os privilegios e os preconceitos do mundo, e protesto da
humanidade trabalhadora contra o despotismo e a servidão social.
Affirmar esse direito e relembrar essa justiça é o dever dos que
trabalham; protestar contra a iniquidade de que são victimas, é a
obrigação dos que soffrem.
Encontramos-nos em face de um velho mundo que desaba. Os reis e os
dictadores esgotam os thesouros dos seus respectivos paizes em munições
e armamentos, e preparam-se para o supremo combate. Por toda a parte a
duvida e a incerteza. Alguma cousa de sombrio e de lugubre caracterisa
este terrivel periodo, chamado de transição. De duas uma: ou a guerra
irrompe, n'uma época mais ou menos proxima; ou a revolução rebentará,
como a consequencia logica, inevitavel, da crise economica a que esta
nova barbarie, denominada pomposamente exercito permanente, arrastou as
sociedades modernas.
O capitalismo explora, e a guerra mata e aniquila. O operario
encontra-se em frente d'estes dois inimigos; e elle, que representa o
trabalho e a producção, combate os exploradores; e elle, que significa
paz, amor e concordia, detesta e odeia a guerra.
Reivindicar para a collectividade os beneficios do trabalho e da
paz--eis a aspiração do proletariado moderno. A essas aspirações,
chamamos nós socialismo; e, por seu turno, a gloriosa commemoração do
primeiro de maio, não é outra cousa senão a affirmação solemne e
collectiva das reivindicações operarias.
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