CAPITULO XXXV

_Como a Rainha escreveu a Lisboa e todo o reino sobre o assessego

d'elle_

A Rainha como foi em Alanquer, logo escreveu a Lisboa, e alli geralmente

a todas as cidades, villas e povos do reino, notificando-lhe alguns

beneficios e boas obras que j· lhes procurara para os obrigar; e assim

as causas dos aggravos e sem razıes que ·cerca do Regimento recebia,

para os mover a piedade, descarregando-os com razıas boas, honestas e de

raz„o, dos temores que d'ella tinham ·cerca do meter das gentes

estrangeiras n'estes reinos, e segurando-os da vinganÁa que lhes faziam

crÍr que ella d'alguns cruamenta queria tomar; encommendando-lhes e

requerendo finalmente, que para as cÙrtes que se chegavam, cessassem de

requerer novidades acerca do Regimento, e quizessem approvar o que

El-Rei D. Duarte seu marido leixara, ou ao menos o que nas cÙrtes de

Torres Novas fÙra acordado, com alguns protestos fundados em sua boa e

virtuosa tenÁ„o, mandando que por seu descargo se d'ello se seguissem

alguns males e inconvenientes, que suas cartas se registassem nos livros

das camaras, e puzessem nos cartorios das religiıes: o que se n„o fez

assim; porque na maior parte do reino era o alvoroÁo tamanho contra a

Rainha, que ·lem de n„o quererem vÍr suas cartas, ainda tratavam os

messegeiros d'ellas asperamente, e n„o como deviam. E porque Gomes

Borges que era escriv„o da chancelaria d'El-Rei, poz nas portas da SÈ a

carta que a Rainha enviou a Lisboa, foram os povos sobre elle, e t„o

indinados, que com difficuldade escapou da morte.

Chronica de El-Rei D. Affonso V (Vol. I) · 第 58 / 103 题