_Como a Rainha escreveu a Lisboa e todo o reino sobre o assessego
d'elle_
A Rainha como foi em Alanquer, logo escreveu a Lisboa, e alli geralmente
a todas as cidades, villas e povos do reino, notificando-lhe alguns
beneficios e boas obras que j· lhes procurara para os obrigar; e assim
as causas dos aggravos e sem razıes que ·cerca do Regimento recebia,
para os mover a piedade, descarregando-os com razıas boas, honestas e de
raz„o, dos temores que d'ella tinham ·cerca do meter das gentes
estrangeiras n'estes reinos, e segurando-os da vinganÁa que lhes faziam
crÍr que ella d'alguns cruamenta queria tomar; encommendando-lhes e
requerendo finalmente, que para as cÙrtes que se chegavam, cessassem de
requerer novidades acerca do Regimento, e quizessem approvar o que
El-Rei D. Duarte seu marido leixara, ou ao menos o que nas cÙrtes de
Torres Novas fÙra acordado, com alguns protestos fundados em sua boa e
virtuosa tenÁ„o, mandando que por seu descargo se d'ello se seguissem
alguns males e inconvenientes, que suas cartas se registassem nos livros
das camaras, e puzessem nos cartorios das religiıes: o que se n„o fez
assim; porque na maior parte do reino era o alvoroÁo tamanho contra a
Rainha, que ·lem de n„o quererem vÍr suas cartas, ainda tratavam os
messegeiros d'ellas asperamente, e n„o como deviam. E porque Gomes
Borges que era escriv„o da chancelaria d'El-Rei, poz nas portas da SÈ a
carta que a Rainha enviou a Lisboa, foram os povos sobre elle, e t„o
indinados, que com difficuldade escapou da morte.