213 _Rezes._ Ribeira do termo do Sardoal.

214 _Riba-Pinhel._ Nasce perto da Igreja de Nossa Senhora da Lagoa:

começa sua corrente pelo termo da Guarda encaminhado ao Sul: passa ao

termo de Jarmelo direito ao Nascente, e torna a voltar para o Norte por

entre Jarmejo, e Castello-Mendo. Vay à ponte de Pinhel, e huma legua

adiante entra no Coa.

215 _Ribeira de Freixas._ He hum pequeno rio, que corre meya legua

distante da Villa de Trancozo.

216 _Ribeira dos Gallegos._ Corre pelo termo da Villa de Vinhaes, e

junto da Freguezia de Santa Cecilia dos Casares, onde se pescaõ muitas,

e boas trutas.

217 _Ribeira da Murta._ No termo de Alvaiazere discorre esta ribeira

pela Freguezia de S. Pedro do Rego, e divide este termo do da Villa das

Pias.

218 _Rio das Maçãs._ He huma ribeira, que corre junto à Villa de

Collares.

219 _Rio Mourinho._ Passa pelo termo de Montemór o Novo, e por junto do

Convento dos Religiosos Paulistas, que os provê de grandes pardelhas.

220 _Rio Tinto._ Corre huma legua distante do Porto. Chama-se tinto,

porque quando foy a geral destruiçaõ de Hespanha, mataraõ os Cidadãos

do Porto tantos Mouros, que o sangue chegou a tingir a agua.[251]

Mete-se no Douro.

221 _S. Romaõ._ Nasce na Freguezia de S. Martinho das Amoreiras, termo

de Ourique. Corre pelas Villas de Alvalade, Garvaõ, e termo de Panoyas,

até desaguar no porto delRey, termo da Villa de Alcacer do Sal.

222 _Sabor._ Nasce por cima do Lugar de Rabal, que fica na raya de

Galiza, mas he termo de Bragança, donde dista duas leguas. Discorre

sempre por altas, e alcantiladas penedias, até chegar aos confins

da Villa de Castro Vicente; e depois de ter andado dezaseis leguas,

e obedecer a cinco pontes, algumas de cantaria, e de perfeita

arquitectura, com orgulho desagua no Douro.

223 _Sacavem._ Este rio, que discorre pelo Lugar de seu nome duas

leguas distante de Lisboa, desemboca no Tejo, e faz huma profundissima

foz, na qual podem entrar os mayores navios deste porto; e ficando

quasi ao Norte da Cidade, volta contra o Noroeste, navegando-se até

a Mealhada, e da sua ribeira se levantaõ huns montes, que a cultura

tem feito apraziveis, os quaes se vaõ estendendo com huma larga volta

contra o Poente, levando sempre ao pé hum fundo valle aberto por muitas

partes com regatos, que por elle correm. Por ordem delRey D. Joaõ. V.

se reformou a barca da passagem deste rio pela admiravel idéa do nosso

insigne Maquinista Bento de Moura, com grande commodidade para os

passageiros.

224 _Sadaõ_, ou _Sado_. O nascimento deste rio foy ignorado por

Duarte Nunes na Descripçaõ de Portugal; porém Joaõ Salgado de Araujo

diz, que nasce nas faldas da serra de Monchique junto à Villa de

Almodovar, e passando por Ourique, recebe as ribeiras de Aivados,

Gracido, Ferrarias, Campilhas, Figueira, Roxo, e Garcia menino, onde

faz hum grande lago, e mais para diante outro, que chamaõ de Santa

Margarida, até que copioso vay acabar em Setubal. André de Resende

ignorando-lhe tambem o principio, e dando-lhe o nome de Callipode,

que o tirou de Ptolomeu, diz que depois de se ajuntarem as torrentes

do Enxarrama, Santa Detença, e Odivellas acima de Porto de Rey, he

que se começa a chamar Sado; nome que usurpa pela demora que faz no

esteiro de Alcacere, antigamente Salacia; e por naõ viver muito tempo

soberbo, e desvanecido com tanto roubo, morre dahi a pouco em Setubal,

formando-lhe huma grande foz, e bahia. He navegavel este rio por doze

leguas até Porto de Rey; e as terras por onde passa, adornadas de

muitas fontes, e arvoredos, ficaõ ferteis, e e cheias de nata para

corresponderem abundantes na breve producçaõ dos seus frutos.

225 _Safrins._ Corre em distancia de meya legua da Villa de Ferreira, e

a provê de bordalos taõ bons, que se mandaõ dar aos doentes.

226 _Sarmenha._ He huma ribeira, que dista do rio Douro duas leguas, e

nasce nas raizes da serra do Maraõ.

227 _Sarrazola._ Caudalosa ribeira, que banha Benavilla, huma legua

distante de Aviz.

228 _Seda._ Nasce esta ribeira nas serras de Portalegre, e rega a

Villa, a que dá o nome.

229 _Sertima._ Rio, que corre pelo termo da Villa de S. Lourenço do

Bairro, e que se augmenta com muitos ribeiros, que fertilizaõ o mesmo

termo.

230 _Sequa._ Divide, ou corta pelo meyo a Cidade de Tavira, o qual

nascendo do sertaõ, faz este transito por huma boa ponte de sete arcos.

231 _Sever_, ou _Severa_. Tem sua origem na serra de S. Mamede no

Alentejo, e com as fontes, que se despenhaõ das serras de S. Braz, e

Portalegre, se faz copioso. Desta sorte correndo pela Villa de Ouguela,

paga seu tributo ao Tejo junto a Villa Velha, onde se pescaõ as mais

excellentes trutas. O Padre Poyares no Diccionario Geografico lhe dá o

fim no Guadiana à vista de Badajoz.

232 _Silveira._ Pequena ribeira, que se despenha da serra d’Ossa da

banda do Sul.

233 _Sizandro._ Principia a descubrirse na Sapataria de huma fonte

chamada Sizandro, e vem cercar Torres-Vedras, que para mayor

commodidade se atravessa com cinco pontes.

234 _Sobrena._ He huma ribeira do Alentejo, que nasce entre Viana,

e Villa nova da Baronia, a qual regando os seus pomares, se mete em

Odivellas.

235 _Sorraya._ He huma ribeira, que pela parte do Sul banha a Villa de

Erra.

236 _Sor._ He huma caudalosa ribeira, que banha a Villa da Ponte de Sor

pela banda do Oriente, e se mete no Tejo ao pé de Coruche. Os Romanos

fundaraõ aqui huma grandissima ponte, para por ella fazerem a estrada

de Santarem para Merida.

237 _Sordo._ Na Freguezia de Santa Eulalia da Comieira do Concelho de

Penaguiaõ corre este rio da parte do Norte; e passando pelo Lugar de

Relvas, se vay esconder no Corgo.

238 _Sozeis._ Dista esta ribeira duas leguas de Evora no caminho de

Béja, e se recolhe no Enxarrama.

239 _Sousa._ Nasce junto à Igreja de Moura entre o Mosteiro de

Pombeiro, e o de Cramos; e daqui descendo a fertilizar todas as terras,

a que vay dando nome por espaço de oito leguas, vay acabar no Douro

defronte do Lugar de Arnelas, duas leguas acima do Porto.

240 _Soberbo._ Deixou este rio de ser Tavora por ser Soberbo, depois

que o ultimo Marquez daquelle titulo Francisco de Assiz padeceo no caes

de Bellem a 13 de Janeiro de 1759 a injuriosa morte pela conjuração em

que entrou contra o Fidelissimo D. Joseph I. E porque naõ corresse mais

com o nome de Tavora, cujo appellido recebia, tanto que fazia alto na

venda do Cepo, daquelle dia por diante se mandou chamar o rio Soberbo.

Origina-se elle de huma fonte chamada de Joaõ Duraõ perto de Trancoso,

e do Mosteiro de S. Francisco. Augmentado com outros pequenos rios

alcança nome; e caminhando para o Norte até a ponte do Abbade, divide

os dous Bispados de Viseu, e Lamego. Avista Sernancelhe, e o Mosteiro

da Ribeira, que he de Freiras de Santa Clara, e com ponte de madeira

se vay indo direito Nornordeste ao Villar, e por ponte de pedra se

diffunde a Fonte Arcada; e voltando outra vez para o Norte, marcha por

entre Paredes, e Castello de Cabriz até descer ao Mosteiro de S. Pedro

das Aguias. Estende-se a Espinhosa, e vay buscar sua ponte de pedra,

onde he chamado o Poço do fumo. Visita a Villa de Tavora, e o Lugar de

Taboaço, e daqui caminha para o Douro.[252]

241 _Sul._ Rega a Villa de S. Pedro do Sul, a que deu nome, e consente

vadearse com duas pontes de pedra, que mandou fazer o Infante D. Luiz,

que foy Senhor do Concelho de Lafões.

242 _Tamega._ He dos principaes rios do Reino. Nasce em Galiza junto da

serra do Larouco na fonte, a que chamaõ Tamega, de que herdou o nome.

Atravessa grande parte do Minho de Norte a Sul, até que entra pela

Villa de Chaves por huma excellente ponte feita pelos naturaes da Villa

em tempo, que governava o Imperador Trajano, como consta do letreiro,

que se lê esculpido em hum pilar della, o qual transcreve Grutero, e

Argote,[253] e vem a ser:

IMP. CÆS. NERVÆ.

TRAIANO. AUG. GER.

DACICO. PONT. MAX.

TRIB. POT. CONS. V. P. P.

AQUIFLAVIENSES

PONTEM LAPIDEUM.

D. S. F. C.

Quer dizer: _Imperatori Cæsari Nervæ Trajano Augusto Germanico Dacico

Pontifici Maximo Tribunitiæ Potestatis Consuli quinto Patri Patriæ

Aquiflavienses Pontem lapideum de suo fieri curarunt._

243 O Doutor Joaõ de Barros infere, que esta ponte devia ser feita

antecedentemente de madeira, porque a inscripçaõ diz: _Pontem

lapideum_; e como aquella estrada era muy frequentada dos Romanos para

Braga, mandaraõ fabricalla de pedra. O certo he, que esta ponte tem

já dezaseis seculos de duraçaõ, e he toda de cantaria muy forte com

noventa e tres passos de comprido, vinte e seis de largo, e trinta e

dois de alto.

244 Passa este rio pela Villa de Canavezes, e de Amarante, onde tem

outra ponte feita, e ordenada pelo glorioso S. Gonçalo. Chegando em fim

à Villa de Entre ambos os rios, se mete ao Douro, seis leguas pouco

mais, ou menos acima do Porto; e duas leguas para baixo de Amarante

ha outra ponte de cantaria nobre sobre o mesmo rio, à qual chamaõ de

Canavezes, que mandou fazer a Rainha D. Mafalda, filha delRey D. Sancho

I. Tem mais a ponte de Cavez muy alta com cinco arcos. Chama-se de

Cavez, porque o Arquitecto que a fabricou, assim se chamava. Consta de

hum monumento, onde jaz o seu corpo, que he no fim da ponte, em que se

lem as letras da Era, em que se acabou de fazer, que foy pelos annos

de Christo 1226. Ha mais a ponte de Mondim, que parece mais moderna do

que as outras; e porque o rio he nesta parte fundo, se vay damnificando

pouco a pouco.

245 No anno de 1109 aconteceo neste rio hum admiravel prodigio, que

referem a Monarquia, e a Benedictina Lusitana,[254] e foy dividirem-se

suas aguas pelo mez de Dezembro para darem passagem ao sagrado corpo do

glorioso S. Giraldo, e a toda a mais gente, que o acompanhava, quando

lhe foraõ dar sepultura na Cidade de Braga.

245 _Taveiró._ He ribeira, que banha as Villas da Bemposta da Beira, e

de Castello-Novo, e entra no Ponsul.

247 _Tedo._ Nasce em Caria, onde chamaõ Granja do Tedo. Recebe o

ribeiro de Leomil, avista a Villa de Nagoza, e vay ao Douro por baixo

de Santo Adriaõ.

Mappa de Portugal antigo, e moderno, tomo 1 (of 3): Parte I, II · 第 69 / 163 题