170 _Marnel._ Discorre pelo lado meridional da Villa de Vouga.

171 _Mendo-Marques._ No termo de Arrayolos, e no sitio da Freguezia de

S. Gregorio corre esta ribeira.

172 _Mente_, ou _Rabaçal_. He rio, que nasce perto de Pentes, Lugar de

Galiza, e rega o termo da Villa de Monforte, donde caminha para o Tua,

no qual se mergulha junto ao Lugar de Chellas em Mirandella depois de

caminhar doze leguas. Pescaõ-se nelle boas trutas.

173 _Merce._ He huma ribeira, que nasce junto do Lugar de Val de

Prados, termo de Bragança; e correndo perto da Villa de Cortiços, passa

por huma ponte de dous arcos, para se ir incorporar com o Tua.

174 _Minho._ Para diante do Lima tres leguas ao Norte corre o Minho

quasi taõ opulento como o Douro. Estrabo lhe dá o nome de _Benis_.

Nasce perto da Cidade de Lugo, e caminhando o espaço de trinta e

seis leguas, rega em Portugal as Villas de Melgaço, Monçaõ, Valença,

Cerveira, e vem fenecer no mar entre a Cidade de Tuy, e a Villa de

Caminha. Dizem que o chamarse Minho he por causa da cor, que as

suas aguas recebem do fundo, que tiraõ hum pouco a vermelho: outros

o attribuem ao vermelhaõ, que nasce nelle; porém Joaõ Salgado na

Hydrografia deste rio diz, que se deriva da fonte Minhaõ, onde nasce,

quatro leguas ao Norte de Lugo. Fallaõ deste rio os Authores abaixo

allegados.[240]

175 _Mondego._ Tem sua origem na serra da Estrella; e discorrendo pela

Cidade de Coimbra, lhe communicaõ suas aguas fecundidade, e recreyo

nos campos, e nos bosques; e depois de banhar todo o terreno, e passar

pela famosa, e formosa ponte, vay concluir seu curso, e formar o porto

de Buarcos. Da serenidade do seu progresso se lembrou Camões, quando

cantou:[241]

_Vaõ as serenas aguas

Do Mondego descendo,

E mansamente até o mar naõ paraõ._

Falla o Poeta de quando elle corre no tempo do Estio; porque no Inverno

se precipita furioso, causando muitos estragos, e ruinas; donde Vasco

Mousinho veyo a dizer:[242]

_Mondego no Veraõ sereno, e brando,

Turvo no Inverno, bravo, e dissoluto.

Té lá onde na foz, que vay buscando,

Paga de suas aguas o tributo._[243]

176 _Montijo._ He rio da Villa de Aldea-Gallega. Nasce em hum bom

porto, huma legua antes que se sepulte no mar: he muy espaçoso, e

navegavel quasi com todo o vento: com baixamar espraya, mas nem por

isso (se for preciso) deixaráõ a toda a hora de receber os seus canaes

com segurança as embarcações, que vaõ de Lisboa.

177 _Mós._ He huma pequena ribeira, que corre perto da Villa de Mós.

Caminha quatro leguas antes de se meter no Douro: hum quarto de legua

afastado da Villa tem ponte de tres arcos.

Mappa de Portugal antigo, e moderno, tomo 1 (of 3): Parte I, II · 第 61 / 163 题