161 _Lis._ Nasce no termo de Leiria no Lugar das Cortes, que fica numa
legua distante da Cidade. Rodea-lhe o Castello, e deixando a Cidade, e
o Castello à maõ esquerda, vay dobrando contra o Norte, onde estaõ os
arrebaldes da Cidade, até se ajuntar com o rio Lena.
161 _Lixosa._ Nasce esta ribeira na serra de S. Mamede, donde vem
circulando pelo espaço de huma legua ametade dos pomares de Portalegre,
fazendo trabalhar os seus moinhos, e lagares. Toma o nome de Lixosa,
porque passa por huma quinta assim chamada. Dahi a duas leguas entra
pelo Crato, onde tem ponte de nove arcos, e se lhe ajuntaõ os ribeiros
de Linhares, e Xocanal. No fim de quatro leguas passa pela Villa de
Seda, onde toma este nome; e caminhando tres leguas se incorpora com as
ribeiras da Fronteira, e Sarrazola para entrar em Aviz mais opulento.
Todas estas correntes quando chegaõ à cerca dos Freires, fazem hum
grande pégo, a que chamaõ do Barco, e dahi por diante fica sendo huma
só ribeira com o nome de Aviz. Finalmente entra no Tejo com o nome de
Sorraya depois de ter enriquecido as suas margens com abundancia de
peixes, especialmente de saveis, que no mez de Mayo se mataõ à espada.
163 _Lobos._ Ribeira, que nasce na serra do Lugar de Bornes, termo
de Bragança; e tendo caminhado tres leguas, entra no rio Tua junto a
Mirandella.
164 _Lousaõ._ He huma ribeira no termo da Villa de Thomar da parte do
Meyo dia, que rega huma formosa, e amena planicie.
165 _Locía._ He hum pequeno regato, que passa pelo meyo da Villa de
Amarante.
166 _Lucefece._ Nasce na serra d’Ossa, e correndo junto da Villa de
Terena da parte do Norte, fertilizando o Alandroal, e Redondo, se vay
meter no Guadiana.