Pão--kilo 90
Carne de segunda qualidade 300
Carne limpa 600
Vitella 800
Carne de porco 480
Toucinho 320
Banha 320
Assucar pilé 240
Bacalhau 200
Massas 150
Manteiga 800
Ovos--duzia 250
Feijão branco--litro 70
Petroleo 90
Leite 100
Feijão frade 50
Feijão da ilha (manteiga) 100
Azeite 400
Carvão--arroba 300
Uma pescada 500
Um vestido de senhora 30$000
Um fato de homem 20$000
Um par de botas 4$000
Média do aluguer d'um andar, por
semestre (casa para uma familia
da mediania) 120$000
[14] Foi oficial na marinha ingleza, condecorado na campanha do Baltico
com a medalha militar, e um excelente administrador. Diz-se que graças a
elle é que a casa da mulher sahiu da barafunda e quasi ruina a que
chegára á data do casamento. Por isso talvez é que passou por um apagado
guarda livros...
[15] Do _Correio Nacional_, na sua secção _Ecos_:
O sr. Hintze Ribeiro é d'uma grande generosidade para com a sua
familia.
Demonstra-o a seguinte lista, cuidadosamente confeiçoada sob
informes do _Diario do Governo_:
Para o elevado logar de inspector dos impostos no Porto foi
transferido o sr. dr. José Paulo Menano, de 24 annos de edade,
casado com uma cunhada do sr. Hintze.
Ha tempos, foi colocado no logar de director do hospital das Caldas
da Rainha o sr. dr. Augusto Cymbron Borges de Sousa, cunhado do sr.
Hintze.
O sr. Manuel Hintze Ribeiro, irmão do sr. Hintze, foi graduado em
inspector superior da alfandega de Ponta Delgada, passando de
1.170$000 a 1.700$000, mais do que ganha um director geral.
O sr. Antonio Moreira da Camara Coutinho, sobrinho do sr. Hintze,
foi nomeado director da alfandega do Porto, com quatro contos de
reis anuaes, o ordenado d'um ministro, quasi.
O sr. Manuel Rebello Borges, 2.^o oficial da alfandega de S.
Miguel, foi nomeado director da mesma casa fiscal, com um conto
seiscentos e vinte mil reis.
É uma fortuna para o paiz que a familia do sr. Hintze não seja mais
numerosa.
Aliaz, não haveria contribuintes cuja pelle chegasse para pagar
tantos encargos...
[16] De passagem apontemos a figura de Norton de Matos, o maior ministro
da guerra contemporaneo, organizador capaz d'um trabalho de ferro, que
só os technicos serão capazes de avaliar em toda a sua extensão.
[17] Todas as palavras entre comas são dos _Documentos politicos_.
[18] Introduziu a ordem no Paço.--Até o preço do peixe quer
saber!--dizia-se cá fóra com indignação. Quando do 5 d'outubro todos os
creados diziam bem do rei--todos diziam mal da rainha. O pequeno quadro
que segue explica talvez muita coisa:
«Havia familias das proximidades do Paço que se alumiavam só com as
vellas do palacio real, compradas por vil preço. As contrabandistas
andavam pelas casas dos seus freguezes oferecendo roupas, desde os
vestidos da rainha e dos fatos do rei até ás roupas brancas, meias de
seda e sapatos de setim com a corôa real, para não oferecer duvidas
acerca da procedencia. D'estes factos tivemos conhecimento de sciencia
certa, por vivermos n'esse tempo perto do Paço e nos terem vindo
oferecer por mais de uma vez os espojos do saque, que não aceitamos por
varias razões, sendo uma d'ellas a falta de vocação para receptadores de
roubos. A vocação nasce com a pessoa. Da ucharia do Paço banqueteavam-se
os parentes dos empregados e cremos que até os amigos.
A audacia do latrocinio chegou ao extremo. Indo um dia o rei D. Luiz
caçar á Tapada e tendo morto tres coelhos, ao chegar ao Paço lembrou-se
de os mostrar á rainha.
Mandou-os buscar, mas apenas lhe apresentaram um, porque os dois
restantes tinham desaparecido durante o breve precurso da Tapada até á
Ajuda.
Nos proprios charutos do rei todos os dias dava um ataque epileptico que
os obrigava a saltar das caixas sem que se soubesse para onde tinham
desertado. Chegou o descaramento a ponto de não deixarem um charuto para
o rei fumar».