Pags.
Columbano, Auto--retrato 33
Fialho d'Almeida 49
D. João da Camara 57
Eça de Queiroz 65
Antonio Nobre no caixão 81
Correia d'Oliveira 89
Fernandes Thomaz, no seu gabinete 97
Guerra Junqueiro 113
José Luciano encerra o Parlamento 129
Celso Herminio 145
Gomes Leal 161
D. Carlos I de Portugal 177
Oliveira Martins 193
Papelinhos sobre o regicidio 206
Dantas Baracho 225
José Maria d'Alpoim 241
Teixeira de Sousa 257
ACABOU DE SE IMPRIMIR
NA TIPOGRAFIA DA «RENASCENÇA PORTUGUESA»
RUA DOS MÁRTIRES DA LIBERDADE, 178,
AOS 21 DE JANEIRO DE 1919.
PORTO
Notas:
[1] Estas _Memorias_ devem formar quatro volumes:--2.^o vol.--Os
bastidores da monarchia. Vida literaria. Theatro por dentro; 3.^o
vol.--A Republica. O comercio e a finança. Jornaes e jornalistas; 4.^o
vol.--A Republica e os seus homens. Vida militar.
[2] _Republica_, 23 de Fevereiro de 1915.
[3] «Volta-se para o governo do seu paiz, e pede-lhe que se lembre da
recepção de Afonso XII em Paris, e que ponha Sua Magestade a coberto de
qualquer manifestação que possa porventura nascer, da atitude da Rainha.
Limem-se as dificuldades, empreguem-se todos os esforços, nossos e
alheios; lancemos mão da nossa situação privilegiada com a Inglaterra;
ponhamos todos os elementos disponiveis em acção, para que o céo serene.
Por exemplo: que está fazendo o sr. Soveral em Paris? Façam-no recolher
imediatamente a Londres».
[4] Existe uma carta em que o rei D. Carlos diz ao Navarro, que é
absolutamente falso que elle se oponha a que o nomeiem par do reino.
Seriam os politicos capazes de armar a intriga?...
[5] Um dos seus sobrinhos escreveu um artigo interessante, do qual
extracto os seguintes periodos:
«No seu espirito fluctuava uma bondade inata que se traduzia por uma
profunda afabilidade na vida intima e por uma indulgencia estranha no
julgamento dos homens. Jámais acreditou em malevolas intenções e nunca
da sua bocca saiu uma insinuação maliciosa. Confiava sempre na bondade
dos outros, não hesitando, nos momentos de agitação popular, em
atravessar serenamente as ruas da capital revoltada, como sucedeu em 5
de outubro e 14 de maio. E quando a familia, naturalmente receiosa, lhe
solicitava para não sahir, respondia sempre com toda a tranquilidade: «a
mim ninguem me faz mal, pois eu nunca fiz mal a ninguem».
«As suas ferias passava-as a estudar. Ora meditava trabalhos de
jurisprudeneia, ora, para descansar, apreciava as mais belas obras de
literatura. Dotado de uma memoria privilegiada, sabia de cór longos
trechos de versos, e até nos ultimos horriveis momentos da sua
existencia, arquejando no leito de dôr, ora recomendava pontos
importantes dos processos que trazia entre mãos, ora citava frases de
grandes poetas e filosofos referentes á hora suprema que rapidamente se
aproximava. E quando a noite cahia, tudo envolvendo no seu manto de
tristeza, era com uma anciedade estranha que esperava, na longa vigilia
dolorosa, a chegada do sol radiante. E foi com uma precisão rara que
previu a hora da sua morte. Mais tres dias, mais dois dias e tudo estará
acabado. E, de facto, assim sucedeu!
«Apaixonava-o o estudo da astronomia, e nos ultimos tempos antes de
morrer, apesar da sua avançada idade de 75 anos, vergado sobre obras da
especialidade e, nas horas silenciosas das serenas noites de verão,
passeando na sua quinta dos Covas, ou encostado ás amplas janelas da sua
biblioteca, que tanto amava, reconhecia uma a uma as constelações e
descobria entre os inumeros astros que recamavam o firmamento, aquelles
que os seus auctores haviam indicado.»
[6] «Effectivamente, segundo nos informam... o homem das _barbas e da
carabina não sahiu debaixo da Arcada_ (sic) do Ministerio do Reino,
visto, que com outro individuo se encontravam juntos da aludida
arvore.»--Para quê?... por José Nunes.
[7] Parece que o que salvou a rainha foi o cocheiro poder arrancar,
bater nos cavalos, por ordem da condessa de Figueiró, e aquilo seguir,
com os mortos e a rainha louca de dôr:--Mortos! mortos! e ninguem para
os salvar!--N'um gesto maternal debruçara-se cobrindo o filho com o
proprio corpo.
--Quem matou o rei... «O grupo foi em parte organisado durante o dia 31
e ás 3 horas da madrugada do dia 1 de fevereiro, em uma quinta dos
arredores de Lisboa decidiu-se que só fossem cinco os individuos a
executar o plano do Boulevard Poissonière.»--Para Quê? por José Nunes.
...«Se na tarde do 1.^o de fevereiro de 1908 não se désse mais que o
primeiro tiro que se deu, e esse foi de carabina, ficariam vivas todas
as pessoas reaes, excepto o rei. Não obstante o tiroteio ter-se
desenvolvido momentaneamente, assaltando-se ao mesmo tempo a carruagem,
foi então que, sobre o pae e o filho, se dispararam mais tiros, alguns
d'elles mortaes».--Para Quê? por José Nunes.
...--Ao menos responda-nos a esta pergunta: o Buiça e o Costa teriam
cumplices?
E o sr. Laranjeira, sorrindo, affirma:
--Tinham varios amigos...?--E hesita.--O que lhe posso garantir, é que o
Buiça não foi o heroe principal; quem preparou tudo foi o Alfredo Costa
na «Loja Obreiros do Trabalho». O Costa tinha uma grande influencia
sobre varios rapazes de valor e de audacia. Tambem sem receio de ser
desmentido lhe posso asseverar que o Alfredo Luiz da Costa foi
assassinado por mão occulta, quando vinha, preso e vivo, para o posto da
Camara Municipal. Note que as suas ultimas palavras foram estas.--Ai
minha mãe, que me trahiram!--E o chefe Bazilio, um dos que o conduzia,
não pôde vêr quem lhe descarregára a arma, matando-o... No meu modo de
vêr, os novelleiros encartados, dizem coisas sobre coisas, sem
conhecerem o _fio á meada_, e é exactamente o que tem prejudicado tudo e
todos.»
Revelações sobre o regicidio--Entrevista com o sr. Rodrigues Larangeira
publicada no _Imparcial_ de 1 de julho de 1910.
[8] Apurou-se que o ex-ministro em Londres, de julho de 1892 a 12 de
Novembro de 1910, recebera o seguinte:
1892-1893 10.833$890
1893-1894 12.841$593
1894-1895 16.699$006
1895-1896 (10 de Junho a 30
de Setembro) 2.163$750
1896-1898 17.264$456
1896-1897 (26 de Abril a 26 de
Julho) 2.441$625
1898-1899 15.618$168
1899-1900 15.835$443
1900-1901 12.976$500
1901-1902 14.211$412
1902-1903 21.807$881
1903-1904 15.963$505
1904-1905 35.481$112
------------
A transportar 194.138$341
Transporte 194.138$341
1905-1906 21.437$118
1906-1907 25.749$787
1907-1908 20.447$868
1908-1909 11.802$562
1909-1910 12.487$687
1910-1911 (de 16 de Julho a 12
de Novembro) 3.515$680
------------
289.679$044
Recebeu mais:
Pela rubrica de adeantamentos 5.743$815
Pela rubrica de suprimentos 226$035
Pela rubrica de adeantamentos 450$000
Pela rubrica da visita aos Reis
d'Inglaterra, 1904-1905. 21.042$935
------------
Total--Reis 317.041$828
--As despezas legaes auctorisadas eram de 10.950$000 réis por anno.
Vê-se como eram excedidas!
--Segundo o oficio do ex-ministro Vilaça para o ministro da fazenda,
pedindo mais dinheiro para Soveral, este, no almoço e ornamentação da
legação, na visita do rei Carlos, consumira mais o seguinte:
Almoço, libras 325-12-0
Vinho, libras. 49- 6-6
Decorações, libras 1.760- 1-0
------------
Total, libras. 2.134-19-6
--Averiguou-se, pelo oficio do ex-director geral da thesouraria,
Perestrelo, que pelo mesmo motivo da visita do rei Carlos, Soveral
recebera mais:
Em 30 de Novembro de 1904,
libras 1.500
Em 10 de Dezembro do mesmo
anno, libras 1.000
------------
Total, libras. 2.500
Todas estas quantias, em libras, ou em réis, foram calculadas ao cambio
par. Como n'aquellas épocas houve subido agio sobre o ouro, e calculando
esse agio n'uma media de 15%, vê-se que notavel aumento ha nas despezas
descritas!
Soveral recebeu mais, pela verba de despezas diversas extraordinarias no
anno economico de 1909-1910, sem qualquer justificação, réis 1.934$855;
e pela verba destinada á viagem a Londres do rei D. Manuel, réis
4.468$900.
Na liquidação e pagamento dos direitos de mercê, emolumentos e sellos,
houve enorme trapalhada durante muitos annos, d'onde resultou Soveral
esquivar-se ao cumprimento das leis fiscaes.
Deve os direitos de mercê e emolumentos e sello pelo titulo de Conselho,
pelo titulo de Marquez, pelo cargo de secretario da legação em Londres,
pelo cargo de ministro em Londres, pela gran-cruz da Torre e Espada,
etc.
Quando foi ministro dos negocios estrangeiros, teve a habilidade de em
17 mezes, só á sua parte, consumir em despezas reservadas, réis
37.757$515, sem deixar no ministerio qualquer documento, explicando ou
justificando o emprego de qualquer verba!--_Intransigente_, de 31 de
Março de 1911.
[9] «Escrevem-nos de Braga:
Joaquim de Sequeira Lopes, negociante, e Manoel Coelho dos Santos,
penhorista, são pessoas de bem e residem em Espinho.
Sequeira Lopes foi em Novembro de 1907 para Lisboa curar uma molestia
hospedando-se em casa de seu irmão Frederico, negociante, chefe graduado
do alpoinismo. D'ali escrevia semanalmente ao Coelho, com quem tinha
negocios, quando na capital começou a agitação para derrubar o Franco,
dando em cada carta uma noticia politica, que o Coelho lia em toda a
parte onde se lia politica. Na quarta-feira ou quinta da semana do
regicidio, essa noticia era d'este theor: _Disseram hoje a Frederico, no
escriptorio forense... que João Franco seria assassinado em 24 horas_.
Quando chegou a Espinho a carta que continha esta noticia, tinham
passado as taes 24 horas, por isso o valor da noticia estava
prejudicado. Deu-se o atentado no sabado e na quarta-feira seguinte a
carta habitual dava esta noticia:
_Os revolucionarios, vendo-se perdidos pela prisão dos chefes,
reuniram-se secretamente, republicanos e dessidentes d'acção, e
resolveram a morte da familia real. Propoz-se que os executores fossem
tirados á sorte, mas o professor Buiça protestou, oferecendo-se
voluntariamente, sendo o seu alvitre secundado por muitos que se
promptificaram a auxilial-o_.
Estes apontamentos foram dados ao ministro Campos Henriques logo depois
da formação do gabinete Amaral. Foram em carta anonyma, mas acompanhados
d'um grande numero de testemunhas que viram e leram as taes noticias,
figurando n'ellas o coronel reformado Raul de Passos, d'Elvas, que na
ocasião residia em Espinho e dava a semelhantes noticias um grande valor
para a investigação.
Campos Henriques, o que demitiu o juiz Alves Ferreira e chamou o outro
da Meda, fez de conta que nada era com elle. N'esta pista ninguem
mexeu.»
* * * * *
«A reunião, afirma-se, teve logar na Costa do Castello. Tomaram parte
n'ella quadrilheiros da quadrilha republicana e de todas as quadrilhas
monarchicas»...[9a]
[9a] Quem quizer conhecer a historia contemporanea tem de lêr e
consultar a colecção d'_O Povo d'Aveiro_. É indispensavel. Essa voz
tremenda e colérica préga, ha annos, sem um desfalecimento, meia duzia
de verdades essenciaes ao paiz. Além d'isso Homem Christo é o maior
jornalista portuguez e um pamphletario que só tem outro na nossa
literatura que se lhe compare--José Agostinho de Macedo.
[10] Essa extraordinaria sessão, em que o parlamento parecia estar no
banco dos réus e o Afonso Costa, theatral, surgia como um acusador
triumphante!... O ministerio tinha desaparecido. Fugira! Ninguem sabia
do que se ia tratar: esperava-se peor, muito peor... A impressão real,
patente, autentica, era de que elle ia fulminal-os com provas á vista,
acusando-os d'um crime... De que crime tremendo? Quando leu os
documentos houve uma impressão de alivio, quasi a exclamação:--Era só
aquillo?...--E quando baralhou e se enganou nos nomes da pessoa que
acusava--ninguem soube aproveitar o momento, o erro, a oportunidade...
Ninguem se quiz comprometer... A defeza feita pelo Paçô foi fragil,
risonha, quasi «pedindo desculpa»...
[11] Folheto de 10 paginas, com este titulo: _Os Barbadões, resumo
historico por D. Sebastião de Vasconcellos, Bispo de Beja, Par do Reino
e Comendador da Nobilissima Ordem de N. S. da Conceição de Villa Viçosa.
Propriedade da Empreza Editora do Jornal «Portugal» Limitada_.
[12] Carta publicada n'_O Norte_ de 1 de Setembro de 1918 pelo snr.
Bourbon e Menezes:
Meu Senhor:
Tenho a honra de communicar a V. Magestade que, nos termos assentados,
escrevi ao seu encarregado de negocios em Berlim para fazer-lhe saber a
conveniencia q. haveria em retro-trahir _(sic)_ a data da visita de V.
Magestade para 20 de novembro e nesta orientação lhe expuz, para levar
ao conhecimento do Ministerio dos Negocios Estrangeiros allemão, os
argumentos e razões que me pareceram apropriados ao fim que se pretende.
Julgo q. isto merecerá a aprovação de V. Magestade.
Quanto ao assunto da nossa conversação no Paço das Necessidades, entendi
hoje aproveitar a oportunidade de vir o marquez de Villalobar dar-me uns
informes que é natural que V. Magestade já conheça pelo conde de
Sabugosa, para entrar com elle em conversa officiosa sobre a
conveniencia de estreitar em bases definidas as nossas relações
politicas, visto os dois paizes soffrerem de um mal commum--a invasão da
onda democratica. Neste sentido lhe fiz um longo arrazoado que elle
recebeu com agrado a ponto de me perguntar se queria que levasse isso ao
conhecimento do seu soberano ou apenas do Presidente do Conselho.
Fiz-lhe notar que esta idea era apenas _pessoal_ e _minha_, que sobre
ella não tinha consultado o governo e que V. Magestade nem de leve
suspeitava d'este meu ponto de vista, que a minha idea era de que as
duas nações por um instrumento secreto se comprometessem a um mutuo
auxilio, no caso de irrompessem _(sic)_ movimentos revolucionarios que
puzessem lá e cá em risco a segurança das instituições.
Elle concordou em que o interesse era commum e por isso reciproca a
vantagem e lhe parecia que seria grato ao coração de S. Magestade o Rei
D. Affonso o lembrarmo-nos d'elle em tal conjunctura, independentemente
das estipulações da nossa alliança com a Inglaterra. Entendi pôr n'este
pé a questão porq. tinha opurtunidade _(sic)_ e corresponde a uma
necessidade que não é _só nossa_ mas tambem d'elles. O ministro
comprehendeu bem a minha idea e disse-me que a ia transmitir a Espanha,
a Canalejas, afirmando-me que poria n'isto todo o seu empenho. Fiz-lhe
sentir que seria bom pôr só a questão _em principio_ e quanto á extensão
e detalhes do acordo seria para regular depois quando V. Magestade e o
governo conhecessem o assumpto. Não quiz ir mais longe para me não
envolver em dissertações sobre acordos economicos que me parecem pouco
convenientes agora para nós. Eis o que fiz e o que me parece que diviria
_(sic)_ fazer-se por emquanto, pois que este assumpto, quanto ás outras
nações, carece de opurtunidade _(sic)_ e entrados na via de explicações
correriamos o risco de prejudicar os interesses que temos em vista.
O que se me affigura necessario e conveniente é ligar os dois paizes
n'uma deffeza _(sic)_ commum, visto que as vantagens e riscos são
communs e não julgo difficil chegar-se ao desejado fim, tanto mais
quanto as suas informações se referem a um movimento revolucionario nos
dois paizes, com dinheiro vindo de França.
Muito prazer terei se o meu parecer merecer a subida honra da aprovação
de V. Magestade, pois que outro não é o meu desejo se não de
corresponder á sua confiança com a pratica de actos meus que sejam
acertados.
Mostrou-se o Marquez de Villalobar muito empenhado em saber o quer que
fosse do casamento de V. Magestade. Continuei affirmando-lhe q. nada
sabia porque o que se estava ainda fazendo em Inglaterra era _à l'insu_
do governo, mas que logo q. soubesse cousa digna de ser-lhe communicada,
lhe não faltaria com essa confidencia.
Disse-me elle q. o seu empenho de saber correspondia ás sucessivas
perguntas que de Espanha lhe fazia o seu Soberano.
_Forse che si: forse che nó._
Beijo respeitosamente as mãos de V. Magestade e em tudo aguardo, com o
devido respeito, as ordens que se dignar dar ao
seu ministro
e subdito obediente
Lisboa, 19-7-910.
(a) _José d'Azevedo Castello Branco_.
[13]